Internacional

ATO INTERNACIONAL - ALEMANHA

“Nós que pagamos os lucros capitalistas com a nossa saúde” afirma Yunus Özgür no Ato Antirracista da FT

Hoje acontece o Ato Internacional contra o racismo e a violência policial da Fração Trotskista, com a participação de militantes revolucionários dos Estados Unidos, França, Brasil, Chile, Bolívia. Diretamente do coração do imperialismo alemão, Yunus Özgür, de origem turca, saudou o evento do país que também sentiu a fúria negra, onde centenas de milhares foram às ruas para defender que as vidas negras importam.

sábado 11 de julho| Edição do dia

Yunus Özgür é militante da RIO, a Organização Internacionalista Revolucionária, organização irmã do MRT na Alemanha e de origem turca. Na sua saudação partiu de falar sobre quem são aqueles que pagam as contas da crise naquele país: as mulheres e os migrantes, já que são demitidos primeiro e responsáveis pelos serviços essenciais e trabalhos mais precarizados.

Para ilustrar isso, Yunus Özgür deu o exemplo da fábrica de carne de Clemens Tönnies, um multimilionário racista, na qual fez com que 1.500 trabalhadores romenos e búlgaros se infectassem com o coronavírus ao obrigar que seguissem trabalhando mesmo doentes, enquanto eram alvo de uma ampla campanha reacionária da mídia burguesa e do Governo, que afirmavam que os trabalhadores haviam trazido o vírus.

O impacto da pandemia é gigante, com 638 mil novos desempregados e 12 milhões de trabalhadores com carga horária e os salários reduzidos, a prioridade da chanceler Merkel é evidente e em uníssono com os governos ao redor do mundo, já que garante subsídios e pacotes de créditos para as grandes empresas, enquanto muitos trabalhadores não sabem como pagarão aluguel.

Yunus Özgür também afirmou que “os capitalistas utilizam divisões racistas e sexistas para maximizarem seus lucros. Nisso a burocracia sindical atua como cúmplice. Ela se nega a organizar os setores precários, em vez de erguer um plano de luta junto com os batalhões mais pesados da classe trabalhadora, para que os capitalistas paguem pela crise.” Uma situação bastante conhecida para os trabalhadores brasileiros, onde as direções sindicais fazem quarentena e negociam suspensões e demissões e vira as costas para os setores mais precários da classe, como os entregadores.

Frente a isso, é forte o exemplo dos trabalhadores limpeza, esterilização, transporte de pacientes, preparação de comida, e todo o trabalho não médico no maior hospital universitário da Europa, o Berlin Charité, que entraram em greve na última semana.

O envolvimento do Estado alemão nos ataques de racistas acontece seja no encobrimento e impunidade de tragédias como em Hanau, ou em escândalos de redes de extrema-direita na Polícia, no serviço secreto e nas Forças Armadas. E isso se vincula ao papel reacionário do imperialismo alemão, responsável por centenas e milhares de mortes no mediterrâneo e nas fronteiras, de trabalhadores que fogem de guerras causadas pelo próprio imperialismo, em busca de trabalho e dignidade e são arremessados para centros de detenção, que foram focos de infecção pandêmica do Covid-19.

A falácia de que a União Europeia do capital serviria para cooperação caiu por terra com a pandemia, e ainda que agora Merkel e Macron atuem para defendê-la, é evidente que serve unicamente à garantia dos lucros da burguesia alemã, submetendo Estados às suas necessidades. Frente a isso, Yunus defendeu:

“Para nós, nem a União Europeia do capital, nem a utopia reacionária da volta ao
Estado Nacional podem ser uma esperança para a classe trabalhadora, pra juventude, os migrantes e as mulheres. Só uma perspectiva anticapitalista, anti-imperialista e internacionalista da classe operária, independente de todas as frações da burguesia e as burocracias reformistas e para além das fronteiras dos Estados nacionais pode oferecer uma saída para a crise.”

Acima das fronteiras e sobrevoando o Atlântico, nos colocamos ombro a ombro na batalha pela construção de partidos revolucionários a nível nacional e internacional, para dar um fim ao racismo e a violência policial, o que necessariamente implica em destruir o sistema capitalista.

Assista a saudação de Yunus Özgür no ato internacional simultâneo contra o racismo e a violência policial:

Assista na íntegra:




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