REFORMA DA PREVIDÊNCIA

"Não vamos trabalhar até morrer, façamos como os chilenos" diz Marcello Pablito

Parlamentares e juízes, que ostentam privilégios, decidiram hoje por 60 votos nos fazer trabalhar até morrer. Basta! Façamos como os chilenos e coloquemos toda nossa força nas ruas: não vamos trabalhar até morrer ou morrer trabalhando!

quarta-feira 23 de outubro| Edição do dia

A reforma da previdência, um dos principais ataques que teve como principal articulador Rodrigo Maia (DEM), presidente da Câmara dos Deputados, foi aprovada com 60 votos favoráveis. Um dos carros chefes do governo Bolsonaro, a reforma da previdência foi ensaiada pelo golpista Michel Temer, e hoje enterra mais um punhado de direitos dos trabalhadores, conquistados com muita luta há décadas.

Muito ao contrário do que espalha o governo Bolsonaro, o Congresso e o judiciário, a reforma da previdência está muito longe de combater "privilégios". Parlamentares e juízes permanecerão com salários e benefícios que muitas vezes ultrapassam o teto de salarial, bem como militares foram poupados de grandes ataques, garantindo aumento salarial de até 75%.

Quem pagará cada mínimo centavo da conta desta crise capitalista que já se arrasta por mais de uma década serão os trabalhadores. As mulheres e os negros, assim como a juventude, serão aqueles que sofreram ainda mais o impacto dos ataques que destroem os direitos e que desmontam os serviços públicos, partes fundamentais do projeto de governo de Bolsonaro. Com condições de trabalho mais precárias, salários de fome, sem direito à educação e saúde de qualidade, os setores mais oprimidos darão seu sangue e suor em nome do lucro dos capitalistas.

Além disso, as reformas e privatizações, bem como o desmonte galopante dos serviços públicos, estão movidos por um ponto chave: garantir também os privilégios e a "bolsa banqueiro". Todos os ataques e as "verbas" que afirmam que irão poupar com os cortes irá para o pagamento da dívida pública que chega na casa de quase R$ 4 trilhões. Somado a isso, também garantem o perdão de dívidas de empresários e banqueiros amigos do governo que somam R$ 450 bilhões.

Não podemos permitir que o governo passe por cima dos nossos direitos, esmagando todos os trabalhadores para sugar cada segundo de nossas vidas em nome do lucro dos capitalistas. Não podemos aceitar trabalhar até morrer ou morrer trabalhando: façamos como os chilenos e coloquemos toda nossa força nas ruas para derrotar Bolsonaro, Congresso e o Judiciário.

Façamos como os chilenos: parar derrotar os ataques, coloquemos nossa força nas ruas!

Nossos vizinhos chilenos despontaram há poucos dias uma violenta rebelião contra Sebastián Piñera, atual presidente e alinhado à Bolsonaro, que impôs um ataque brutal ao transporte público.

Desde então, centenas de milhares de jovens e trabalhadores chilenos apontam o caminho para derrotar os governos de extrema-direita e seus projetos neolibrais.

As manifestações massivas que tomaram as ruas, com grande parte da juventude a frente, congregou também trabalhadores e ganhou amplo apoio da população, a tal ponto que Piñera intensificou brutalmente a repressão, colocando o Exército nas ruas e declarando Estado de Emergência e os toques de recolher que pretendem impôr em distintas cidades continua se chocando com a resistência dos manifestantes.

O Chile completa sua quarta jornada consecutiva de luta. Outros setores da classe trabalhadora se incorporaram à luta, como os portuários que paralisaram as atividades em 20 portos. A marcha em Antofagasta e em outras cidades como Valparaíso, Temuco e Concepción cruzaram com a solidariedade dos mineiros de La Escondida, a maior produtora de cobre do mundo.

Saiba mais: Chile: "Por uma greve geral com mobilização e continuidade até derrotar o estado de emergência e tirar Piñera"

É sob este espírito que os trabalhadores devem se contagiar para derrotar esta reforma nefasta, bem como todos os demais ataques que buscam aumentar ainda mais a exploração e as condições de miséria impostas aos brasileiros.

O ódio e mobilização que expressa o povo chileno também despontaram aqui no Brasil, mas foi a ação das direções das centrais e estratégia unicamente parlamentar da oposição de esquerda que impediu que este movimento se desenvolvesse.

No dia 15 de maio, milhares de jovens se colocaram nas ruas contra os ataques da Educação, e os atos foram se esvaziando progressivamente pela política divisionista adotada pelas entidades estudantis em conssonância com as centrais sindicais, que separaram a luta contra a reforma da luta contra os cortes na educação. A disposição de luta dos trabalhadores, apesar das traições das centrais, também se mostraram nas ruas na paralisação nacional do dia 14 de Junho.

Por isso, é urgente que as centrais sindicais, que traem descaradamente a luta dos trabalhadores, negociando a reforma da previdência pelas nossas costas, aceitando se reunir com Rodrigo Maia para negociar seus privilégios, rompam com este silêncio e façam como no Chile: coloquem toda força na luta de classes.

Veja também: Reforma da previdência é aprovada sob silêncio ensurdecedor das Centrais Sindicais

Com a força dos trabalhadores, aliados a juventude, mulheres, negros e indígenas, posta na luta de classes, é possível fazer com que os donos dessa crise infernal, os capitalistas, paguem sua própria conta.




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