Política

PREFEITO PATRÃO

Não é Lula o inimigo de Dória, mas sim as greves e lutas dos trabalhadores

Dória, preparando o terreno para uma possível candidatura em 2018, vem subindo o tom em suas declarações, buscando demarcar sua posição de direita nova. Dória vem mirando diretamente Lula, mas seu principal adversário são os trabalhadores, a população pobre e a juventude. Destilando todo seu ódio aos trabalhadores, ao se colocar contra a greve geral do dia 28 e a favor da reforma da previdência.

quarta-feira 17 de maio| Edição do dia

Recentemente Dória vem se figurando como a principal figura pública que tem se insurgido contra Lula. Apesar disso, em sua declaração a respeito do depoimento do ex-presidente ao juiz Sergio Moro, o prefeito de São Paulo disse não desejar a sua prisão. Obviamente que Dória não deseja a absolvição de Lula, o que Dória almeja é apenas um encadeamento de fatos diferente.

“O Lula precisa ser derrotado antes nas urnas, para então se tornar apenável”. Desenvolvendo seu raciocínio: se Lula fosse preso agora, usaria isso a seu favor, posaria de vítima, mobilizaria boa parte da sociedade brasileira e até líderes internacionais. E ainda abusaria da versão de que só estaria sendo preso para não poder voltar à Presidência.

"Que dispute a eleição e na sequência pague por aquilo que a Justiça determinar, porque ele será derrotado; institucionalmente, para o país, seria bom que a grande derrota de Luiz Inácio Lula da Silva fosse na eleição, porque aí sepultamos por completo essa vitimização".

O que parece estar nas entrelinhas em sua declaração é quem seria o oponente capaz de derrotar Lula, uma vez que o ex-presidente, mesmo com todo o espetáculo da Lava Jato, ainda se situa na frente em todas as pesquisas. O segundo candidato nas pesquisas e aparentemente o mais promissor se trata justamente do próprio Dória.

O prefeito, desde a época de campanha, usa e abusa do marketing, primeiro para construir toda a imagem de apolítico, do homem de negócios bem-sucedido, um gestor capaz e eficiente, tentando passar-se até por trabalhador. Suas declarações contra Lula são parte para se colar a setores da sociedade apoiadores da Lava Jato e mais a direita, contudo o verdadeiro inimigo de Dória são os trabalhadores. As declarações de Dória durante o dia 28, mostram isso, sendo o político que mais procurou se posicionar contrário a greve, taxando os grevistas de “vagabundos” por exemplo, buscando dialogar com um eleitorado alvo e preparar o terreno para sua candidatura.

O peso que a figura de Dória assume no cenário político nacional diz respeito não só a sua estratégia de marketing, mas a um cenário político internacional. Como vimos pelas eleições americanas e nos países europeus mais recentemente, todos os políticos mais identificados com a política tradicional passam por uma grande rejeição, e se fortalecem discursos alternativos de enfrentamento ao sistema, ou figuras que alegam ser de fora do sistema.

Trump e Macron são duas figuras simbólicas nesse sentido. Da mesma forma que Dória, são dois outsiders, figuras que alegam não pertencerem ao regime político. Entretanto, outros elementos diferenciam essas duas figuras: enquanto o discurso mais nacionalista de Trump impõem incerteza até na burguesia norte-americana, defensora do imperialismo disfarçado de globalização; Macron é uma figura mais equilibrada e dócil que não apavora o mercado.

Se em um artigo recente um colunista do Estadão já pedia um Macron brasileiro, Dória é o protótipo perfeito para preencher tal papel. A necessidade de tal figura para a direita se justifica uma vez que depois de Dória o outro candidato que desponta de maneira mais promissora nas pesquisas é Bolsonaro, e assim como Trump e Marine Le pen na França, o extremismo de sua candidatura colocam incertezas na burguesia nacional, além de serem figura que tem alto índice de rejeição.

Dória e a Lava Jato: interesses convergentes

É importante ressaltar que a declaração do tucano não significa em nada um posicionamento contrário a eventual prisão de Lula, e por consequência a Operação Lava Jato. Como dito anteriormente, o que Dória quer é apenas um encadeamento diferente dos fatos. Após a derrota de Lula nas eleições, e nas entrelinhas a sua vitória, a prisão de Lula é mais do que bem-vinda. Dória é um dos maiores entusiastas da operação e do próprio Judiciário.

Mais do que se entusiasmar com a Lava Jato, e com o papel que o Judiciário pode cumprir na repressão aos trabalhadores, Dória e a operação coincidem na defesa do interesse imperialista. Assim como a investigação do juiz Sergio Moro, o qual possui estreitos laços com o imperialismo (desde seu treinamento nos EUA ao envolvimento de sua esposa com a multinacional Shell), que não poupou esforços em atacar a Petrobrás e interesses estratégicos nacionais abrindo espaços para as empresas multinacionais do setor, o prefeito Dória também não vê freios em seu ímpeto privatizador, colocando toda a cidade de São Paulo a venda. Esse mesmo depoimento, concedido diretamente de Nova Yorkem mais uma das tantas viagens internacionais para liquidar o patrimônio da cidade, evidencia suas ligações com o capital imperialista.

De olho naseleições em 2018, Dória também mantém um olhar atento à Lava Jato e como seus rumos podem ferir o principal candidato a disputa, e até seus aliados-concorrentes, como Geraldo Alckmin e Aécio Neves, ambos citados em delações. Esquece-se, entretanto, como os demais políticos unicamente atentos ao cenário eleitoral, de que desde o dia 28 um novo sujeito entrou em cena, a classe trabalhadora, e é ela que pode embaralhar todas as cartas nessa disputa, muito antes da corrida eleitoral para 2018.




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