Gênero e sexualidade

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Mulheres e machismo nos trabalhos de entrega por App

Uma reportagem feita com mulheres entregadoras por Apps mostra o machismo presente nas já precárias relações de trabalho dessa categoria. Numa categoria amplamente masculina, há também mulheres e à rotina de trabalho intenso que elas compartilham com todos os entregadores se somam assédio, boicotes e até mesmo um design de bag que não se adapta aos seus corpos, trazendo maiores obstáculos na rotina diária.

quarta-feira 8 de julho| Edição do dia

Em uma reportagem realizada pelo quadro Retratos da Uol, diversas entregadoras relatam como enfrentam o machismo em suas relações de trabalho cotidianas. Esses trabalhadores passaram a ser um dos setores mais ativos entre os essenciais que estão atuando na linha de frente contra a pandemia e ganhou mais destaque após protagonizarem uma forte paralisação no dia 1º de julho.

Um relato comum das entregadoras por Apps é o de que há boicote do trabalho feminino em algumas plataformas. Luana, de 18 anos, por exemplo, afirma que já recebeu mensagens da empresa em que trabalha dizendo que para determinados serviços de entrega são necessários homens. Ela também relata um tratamento diferente com relação a avisos sobre a demanda. Procurada para maiores explicações, a empresa responsável pelo aplicativo afirmou que se trata de um erro de tradução e pediu "sinceras desculpas", mas para as entregadoras é evidente que não se trata de uma simples confusão.

Outra entregadora, a carioca Kerolayne, de 21 anos, afirmou que estranhou o volume de trabalho quando trabalhou para um grande App de delivery de comida por quatro meses. Ela conta como, apesar de rodar nos mesmos horários e lugares que amigos homens, recebia demandas bem menores. Os entregadores homens faziam sempre um número maior de entregas, por conta das chamadas do aplicativo, mesmo ela chegando a trabalhar mais de 12 horas seguidas, segundo seu relato.

Um dos problemas também destacados pelas entregadoras é o fato das mochilas de entrega, as bags, terem um modelo que foi pensado para se adaptar a corpos de pessoas que não possuem seios. O fechamento de segurança e as alças machucam as mulheres por conta desse formato. Carolina, de 31 anos, relata que sente muita dor, há imenso desconforto e mesmo a impossibilidade de fechar o dispositivo que ajuda a dar maior sustentação às caixas-mochilas. Quando reclamou sobre isso e sugeriu uma bolsa para mulheres, disse que acharam que ela queria uma bolsa "rosa".

O iFood informou que atualmente, entre seus 170 mil entregadores ativos na plataforma, 1,8% são mulheres. Uma pesquisa inédita realizada pelo Observatório da Precarização, que é impulsionado pelo Esquerda Diário, mostrou que entre os entregadores grevistas no 1º de julho 96% eram homens.

Pode te interessar: Quem são os entregadores de App que estiveram na paralisação do 1J?

Mesmo com uma categoria majoritariamente masculina a presença de mulheres é importante e é uma tarefa de toda a categoria o combate ao machismo que elas enfrentam. A unidade dos trabalhadores em ações contra a precarização do trabalho que enfrentam no dia a dia, como fizeram no dia 1º e estão se organizando para fazer novamente no dia 25, é a força capaz de colocar as grandes marcas donas dos App contra a parede e alcançar às justas reivindicações dos trabalhadores.




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