Gênero e sexualidade

ASSÉDIO SEXUAL NO TRANSPORTE PÚBLICO

Metrô lança cartilha de orientação para casos de abuso sexual nos trens

Na última semana, o Metrô de São Paulo lançou uma cartilha com orientações para os trabalhadores de como proceder em casos de abuso sexual nos trens.

Daphnae Helena

Metroviária e economista

quarta-feira 29 de julho de 2015| Edição do dia

Na última semana, a Companhia do Metropolitano de São Paulo (METRÔ) lançou uma cartilha de orientação para os trabalhadores de como proceder nos casos de abuso sexual dentro dos trens. A cartilha da ênfase no acolhimento às vítimas de abuso sexual no transporte público, orientando os metroviários em ações como, por exemplo, "não duvidar do relato e nem julgar sua aparência, roupas ou comportamento" e "ouvir seu relato com atenção, interesse e respeito". Além disso, segundo o folheto da Empresa também é necessário orientar a vítima em relação à importância do registro das ocorrências e encaminhar para a DELPOM (Delegacia do Metrô) para que se possa seguir com o registro.

Denúncias de abuso sexual

O Metrô de São Paulo vem sendo foco de várias denúncias de abuso sexual no transporte público por conta da superlotação do transporte. No ano passado, o caso dos "encoxadores" teve grande repercussão, eram homens que publicavam em uma comunidade das redes sociais fotos e relatos de abusos sexuais que realizavam. Recentemente, a denúncia da jornalista do portal R7 ganhou as redes sociais e os sites de notícia, relatando o caso de abuso que sofreu, com um homem que ejaculou em sua calça na linha 3-Vermelha do Metrô. Nesse relato a jornalista critica o metroviário por não ter tomado nenhuma atitude.

Na época, em resposta à jornalista, a Companhia afirmou que esta procedeu de forma correta em buscar os agentes de estação, mas disse que a resposta do funcionário era "totalmente contrária à orientação do Metrô de amparar as vítimas e auxiliá-las para a realização de um Boletim de Ocorrência".

Os metroviários, que lidam com estes casos diariamente, comentaram que a Companhia culpa os funcionários, mas, na maioria das vezes, estes dão o melhor atendimento possível, com muita atenção, mesmo com a falta de funcionários que vem atingindo as estações do Metrô. Ainda, dizem que não há nenhum preparo por parte da Empresa, “o metroviário pode ter agido mal, mas o fato é que infelizmente os metroviários estão de mãos atadas nesses caos, pois o Metrô não fornece nenhum treinamento adequado e nem materiais para lidar com esse tipo de situação”, diz Marília Rocha (operadora de trem da linha 3 Vermelha e demitida política).

Solução

A respeito da atitude tomada pela empresa, as metroviárias dizem que "essa foi uma medida que o Metrô tomou por conta da forte pressão social em relação aos diversos casos de assédio dentro dos transportes lotados, contudo é muito insuficiente", declara Marília Rocha. Segundo a metroviária "para solucionar os casos de assédio a Companhia teria que tratar com muito mais seriedade, deveria dar treinamentos para os funcionários, um kit para atendimento (com troca de roupa, por exemplo), atendimento físico e psicológico para todas as mulheres que passam por essa situação humilhante nos transportes públicos, atestados que sirvam como comprovação para que essas mulheres tenham tempo para se recuperar e não tenham que ir trabalhar em seguida. Além disso, a questão se relaciona com um problema mais de fundo que é a superlotação do transporte público".

Mobilização

A Secretaria de Mulheres do Sindicato dos Metroviários de São Paulo realizou, junto com no mês passado, um ato na estação República para denunciar os casos de assédio sexual nos trens. Veja a matéria: Sindicato dos Metroviários e grupos de mulheres realizam ato contra o assédio sexual no Metrô - SP.




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