Juventude

CAMPANHA CONTRA AS PUNIÇÕES

Mais depoimentos contra as punições nas Universidades Estaduais Paulistas

Já foram dezenas de depoimentos de estudantes e trabalhadores de diversas áreas em repúdio as medidas de punição tomadas pelas reitorias para coibir os lutadores nas Universidades Estaduais Paulistas. Ainda é preciso fortalecer essa campanha, esta semana além das sindicâncias abertas na Unicamp e o escandaloso corte de salários na USP, o falso reitor do diálogo, Jorge Tadeu da Unicamp também anunciou corte de salários dos funcionários em greve e o professor Sergei Popov do MBL abriu processo judicial contra o Diretório Central dos Estudantes (DCE) citando sete companheiros, não podemos deixar passar nenhuma punição a quem luta por educação. Participe da campanha você também mandando seu depoimento para o Esquerda Diário!

quinta-feira 28 de julho de 2016| Edição do dia

É muito importante que nenhum lutador que está há três meses defendendo a educação pública e os direitos da população, como acesso à universidade e saúde de qualidade, seja punido. Os estudantes mostraram com sua greve que não vão aceitar o racismo e o elitismo dentro da Unicamp, não vão aceitar que a população continue sofrendo nas filas do hospital enquanto o reitor e a burocracia universitária ganham salários de mais de 50 mil reais. Tudo que fizeram nessa greve foi defender a educação realmente pública e de qualidade pra todos e isso não pode ser deslegitimado e punido pelas diretorias e reitoria. NENHUMA PUNIÇÃO AOS LUTADORES!
Flávia Teles – Estudante de Ciências Sociais, Unicamp

Quero contribuir brevemente sobre a questão das punições: O período de greve na Unicamp, envolvendo a maioria dos institutos (inclusive, alguns que eram marcados por baixo ou quase nulo engajamento político), representou uma aula de democracia moderna não só para a cidade de Campinas, mas para o país como um todo. Discutir temas de alta relevância como crise da universidade pública, Economia (e seus mitos divulgados nos grandes centros midiáticos), legitimidade de poder, trabalho (em quantum e qualidade de empregos) e política social, dentre outros diversos assuntos, é de importância ímpar para uma sociedade ainda pouco informada como a brasileira. Particularmente para mim, a aula pública realizada pelo IE no centro de Campinas representou o ápice desse movimento que extrapola os limites acadêmicos. Movimento este que deve ser mantido inclusive após o período de greve. Sobre a greve, em si, as conquistas foram consideráveis, visto o discurso inicial do reitor da universidade. As soluções propostas estão longe de serem as ideais, mas devem ser cobradas suas realizações, mantendo a mobilização estudantil. Visto este breve (e resumido) cenário, vejo que a punição não se direciona apenas aos alunos, professores e demais entes envolvidos (o que já seria de uma injustiça brutal), mas também (e, principalmente) ao grito de uma parcela da sociedade que sabe das mazelas de uma população e sente dores na alma ao ver o trágico futuro de curto prazo que está a caminho com a atual "Ponte para o futuro" (inferno) e a reafirmação autocrática do poder burguês.
Rafael Unger - Estudante do Mestrado em Economia, Unicamp

Há quase três meses de greve dos alunos e funcionários, a Unicamp vive, no ano em que completa 5 décadas de existência, um momento único e que ficará marcado em sua história, no qual institutos e cursos que nunca entraram em greve, em 2016 entraram. Em maio, a greve começou a se espalhar pela Universidade Estadual de Campinas por motes como a Permanência Estudantil, com Ampliação de Bolsas e da Moradia, além de pedido de Cotas Étnico-Raciais (baseadas na Lei Federal 12.711), contra a expulsão indevida de um aluno da Universidade e também contra os cortes, que foram anunciados em 44 milhões de reais. Ao longo de toda a greve, intervenções foram necessárias, já que os professores não respeitaram o que foi decidido na assembleia dos cursos feitas pelos alunos. Então, esses professores passaram a querer dar aula, mesmo a greve declarada, desta forma, os piquetes se tornaram necessários. Em muitas dessas intervenções, professores foram opressores contra as mulheres, as negras e negros, os LGBT’s, e gordos e as gordas, e até chegaram, inclusive, a ameaçar e a agredir alunas e alunos que estavam lutando pela educação. Em nenhum momento, a reitoria ou as diretorias dos respectivos professores se manifestaram contra as opressões ou disseram que vão sindicar esses agressores, porém, vários professores estão pedindo a abertura de sindicância para muitos alunos, por alegarem que houveram excessos nas intervenções. Não houveram excessos e nenhum aluno deve ser punido, todavia, a reitoria e as direções dos institutos e faculdades da Unicamp se negam a não abrir sindicância e não permitir que nenhum aluno seja expulso da universidade, tenha corte em bolsas ou seja prejudicado e perseguido politicamente dentro e fora do Campus. Por isso, a luta continua, contra as punições, por nenhuma expulsão e prejuízo à permanência estudantil dos alunos e alunos que estão participando do movimento de greve.
Matheus Constantino – Estudante de Geografia, Unicamp

Qual o sentido da punição? A punição serve para que não repitamos o ato que nos levou a ser punido. No caso de um conflito entre pais e filho, a dor da punição levará a criança a não repetir seus atos. No caso de conflitos sociais, a punição tem um papel moral e social também, pois ela não se destina unicamente à pessoa punida; é uma forma de exemplificar para a sociedade o que ocorre quando se cumpre tal ato e assim inibi-la de repetir qualquer ação que se pareça com a ação que levou a punição.

E é contra isso que lutamos quando gritamos “não às punições”. As punições que a reitoria quer aplicar são uma ameaça não só para os alunos que as recebem, mas para todos que entraram em greve esse ano e para todos que futuramente construam greves.

“Não às punições” porque vamos continuar lutando. Vamos lutar hoje, vamos lutar amanhã. Vamos lutar para que alunos que tenham apagado lousas não levem sindicâncias, enquanto professores que cometem agressões físicas continuem impunes. Vamos lutar para que essa universidade – e todas as outras! – sejam cada vez menos espaços racistas e elitistas como são hoje. Queremos enegrecer essa universidade, queremos vê-la repleta de gente pobre, gente que de fato representa a população brasileira e que de fato torna público o caráter dessa universidade. E para isso é essencial que tenhamos garantido nosso direito de não sermos punidos quando nos rebelamos! Levantamos nossa voz contra a série de injustiças que Universidade aplica todos os dias e botamos medo em quem controla o seu andamento. Agora querem aplicar a mesma medida conosco. Mas nós somos fortes. Fizemos uma assembleia com mil pessoas, ocupamos uma reitoria com 400, fizemos cursos e institutos históricos entrarem em greve. Não é agora que nos calarão. Os alunos não merecem ser punidos. Nem hoje, nem amanhã. Nem esses, nem os próximos. A greve continua e a luta é intermitente. E não vai ter punição.
Catarina – Estudante de Artes Corporais, Unicamp

Sou contra as punições aos estudantes porque o movimento estudantil é quem mantém acessa a chama dos debates políticos nos institutos da UNICAMP e impulsiona a universidade no sentido das mudanças. Tratar a questão da luta estudantil e social como caso de polícia, como a USP e UNICAMP andam fazendo, e punir os estudantes com sindicâncias, suspensões, advertências, perda de bolsa auxílio social, é uma clara tentativa de silenciamento e demonização do movimento e taxá-los de arruaceiros, violentos e foras-da-lei também é uma forma de jogá-Los contra a sociedade e dar mais poder a minoria elitista que é maioria nesses espaços e não querem perder seus privilégios. Por essa luta ser social e anti-capitalista eu grito bem alto: "Quem luta pela educação não merece punição!"
Du – Estudante de Música, Unicamp

A Universidade Pública e todos os direitos que temos hoje não foram dados de graça, foram arrancados com muita luta. Hoje, no momento de crise, o governo golpista de Temer quer atacar esses poucos direitos que nós temos, enquanto toda a elite segue enriquecendo em cima da exploração do nosso trabalho. Defender a Educação e a Saúde que estão sendo atacadas deve ser uma prioridade para todos, por isso não podemos aceitar que quem luta em defesa dos nossos direitos seja punido, por isso é urgente levantar uma ampla campanha democrática contra a punição e perseguição dos estudantes da USP, UNICAMP, UNESP e pelo pagamento imediato dos salários dos trabalhadores da USP!
Cris – Estudante de Letras, USP

Meu nome é Alice, sou bolsista pela UNIP Campinas e vejo o quão difícil é permanecer na universidade. Enquanto bolsista de uma unidade privada e elitista e que acompanha a greve da Unicamp, vejo a importância de se quer poder reivindicar por uma educação de qualidade, permanência e ampliação. Desde já deixo meu total apoio as greves e as ocupações, não menos importante deixo também meu repúdio a toda e qualquer tipo de punição a quem luta pela educação.
Alice – Estudante de Nutrição, UNIP Campinas

A luta dos estudantes e trabalhadores da Unicamp foi para transformar a Universidade de elite em um espaço para a população trabalhadora e defender a educação pública. Os setores que querem privatizar e não aceitam o ingresso de jovens negros e pobres se enfureceram e a expressão máxima pôde ser vista no vídeo em que o professor Kemp parte pra cima de mim e de outro companheiro para forçar uma prova durante a greve. A chantagem, a repressão e o uso da violência contra o movimento são meios de quem não tem mais argumentos para defender uma Universidade para poucos. A Reitoria quer punir para que não lutemos mais e isso não pode passar!
Tatiane Lopes - Estudante de Ciências Sociais, Unicamp




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