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MP de Bolsonaro aumenta jornada de bancários e ataca CLT para dar mais lucros aos bancos

segunda-feira 18 de novembro| Edição do dia

Para continuar fazendo a alegria dos banqueiros, com a MP do trabalho verde amarelo, Bolsonaro propõe um ataque direto aos bancários de todo o país, retirando um direito histórico e aumentando a jornada de trabalho de 6 para 8 horas, além de garantir a abertura de agências aos sábados. Um ataque desta magnitude a uma das poucas categorias que possuem uma coordenação e organização a nível nacional, com milhares de bancários em todo país, pode ter consequências não apenas para os bancários, mas para o conjunto dos trabalhadores do país.

A MP do trabalho verde amarelo de Bolsonaro, além de precarizar ainda mais as condições da classe trabalhadora de conjunto, trouxe também um ataque contra uma importante categoria nacional, os bancários. Este ataque que pode parecer algo isolado faz parte de seu plano de normalizar o trabalho aos fins de semana para o conjunto dos trabalhadores.

Como mostramos nesta matéria, a MP do trabalho verde e amarelo aprovada recentemente por Bolsonaro permite explorar ainda mais a classe trabalhadora, e neste caso especificamente a juventude, através de postos de trabalho mal remunerados aumentando o lucro dos capitalistas que terão a sua disposição uma quantidade enorme de jovens desempregados que poderão inclusive trabalhar aos domingos e feriados.

Além disso, também pretende que os trabalhadores desempregados contribuam com a previdência mesmo quando estiverem recebendo o seguro desemprego, continuação de seu ataque mais profundo que foi a reforma da previdência que nos fará trabalhar até morrer. Cumprindo o papel para o qual foi eleito através de eleições manipuladas, contando com apoio dos golpistas e do autoritarismo judiciário, Bolsonaro segue tirando dos mais pobres enquanto garante o lucro dos empresários e banqueiros.

Querem destruir os direitos conquistados e nos fazer pagar pela crise

A jornada de 6 horas para os bancários é fruto de uma longa história de greves e intensas lutas que remontam a década de 1930, com a conquista do trabalho apenas nos dias úteis na década de 1960. São quase noventa anos de história de luta e resistência dos bancários.

Apesar desta grande conquista os bancários sofrem diariamente com as mazelas do trabalho no coração do capitalismo, dentro do sistema financeiro que lucra bilhões de reais explorando a população através de tarifas e taxas de juros vultuosas, enquanto destrói a mente de seus trabalhadores com assédio constante para bater metas inalcançáveis que tem o único objetivo de enriquecer os gananciosos banqueiros.

Não podemos deixar de falar também sobre as terceirizações que são um instrumento muito utilizado pelos banqueiros para burlar a jornada de 6 horas, rebaixar os salários dos trabalhadores e precarizar suas condições de vida, são milhares de trabalhadores da limpeza, segurança, lotéricas e correspondentes bancários, telemarketing, tecnologia da informação que desempenham seu trabalho para as instituições financeiras e garantem o lucro do setor que somente no ano passado lucrou mais de 79 bilhões de reais e que ano após ano só aumenta.

Muitas vezes, o discurso direitista quer mostrar os bancários como privilegiados por ter uma jornada de trabalho menor que os trabalhadores em geral, mas esse discurso está a serviço de rebaixar os direitos de todos pois o aumento da jornada dos bancários e a possibilidade do trabalho aos sábados trará a normalização da jornada inclusive nos fins de semana, afinal se os bancos, expressão máxima capitalismo, funcionam no fim de semana porque os demais setores não deveriam funcionar? Tempo é dinheiro não é mesmo?

Neste caso o tempo quem perde são os trabalhadores. Perdem seu tempo de descanso no fim de semana para garantir o lucro para os patrões. Nesta MP Bolsonaro também trouxe de presente para os empresários uma nova tentativa de autorizar o trabalho aos domingos algo que já havia sido proposto na MP da liberdade econômica e que pelo texto faria com que os trabalhadores do setor de serviços tivessem uma folga no domingo a cada quatro semanas enquanto na indústria seria a regra seria uma folga no domingo a cada sete semanas.

A trégua da burocracia sindical e as perspectivas da luta de classes

Enquanto os ataques de Bolsonaro seguem avançando o que também segue é a trégua das direções das maiores centrais sindicais do país. No caso dos bancários que tem um dos seus sindicatos mais importantes em São Paulo dirigidos pela CUT/PT, bem como sua confederação nacional, a única medida proposta por enquanto é uma “resistência virtual” votando no site do Senado contra a MP, enquanto negociam com os banqueiros da FENABAN para garantir apenas o acordo coletivo que vence no ano que vem. Não podia estar mais cristalina a intenção desta burocracia que aposta todas as suas fichas nos acordões, confiança nos parlamentares e saídas eleitorais, ao invés de organizar os trabalhadores e apostar na mobilização de uma categoria tão poderosa.

Nossa inspiração para lutar contra mais este ataque e revogar a reforma da previdência e os demais ataques que descarregam a crise capitalista em nossas costas deve vir da experiência pela qual passam os trabalhadores de toda a América Latina que no Haiti protagonizaram manifestações massivas contra a escassez de combustível e produtos básicos e contra o governo de Jovenel Moise, no Equador enfrentaram o FMI e o governo de Lenin Moreno, no Chile lutam contra Piñera e a herança do regime sanguinário de Pinochet, na Bolivia se enfrentam com o golpismo que tem o apoio de Trump e Bolsonaro.

Devemos seguir estes exemplos da luta de classes e avançar para impor a ruptura da trégua entre os sindicatos e o governo, lutando para impor assembleias nos locais de trabalho que imponha um plano de luta que supere estas burocracias que travam nossa luta. Uma tarefa fundamental é lutar pela unidade da classe e efetivação de todos os trabalhadores terceirizados. Para lutar contra o desemprego não devemos aceitar postos de trabalho precários, trabalhando em jornadas extenuantes inclusive durante os fins de semana, devemos através da mobilização lutar para garantir emprego para todos, acabar com o desemprego repartindo as horas de trabalho com todos os trabalhadores existentes, diminuindo a jornada e garantindo o mesmo salário que se ganhava antes. Através da luta enfrentar os ajustes e avançar para a perspectiva de luta contra o capitalismo.




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