Política

IMPEACHMENT

Direita e mídia seguem a todo vapor pelo reacionário golpe institucional

Logo de manhã, deu-se início à votação para a abertura do processo de impeachment contra a presidente Dilma na Câmara dos Deputados. Ao longo do dia marcado por protestos contra o impeachment, mas sem um plano de lutas efetivo, 25 líderes partidários colocam sua posição, após ouvir defesa e acusação da presidente. Hoje, Lula apostou no discurso da “instabilidade política de um (possível) governo não eleito democraticamente”, Dilma voltou a se defender e a oposição de direita se articula para continuar seu golpismo institucional e não perder votos no placar do impeachment.

Tassia Arcenio

Contagem, Minas Gerais

sábado 16 de abril de 2016| Edição do dia

Com direito a ministros e secretários retornando à Câmara para votar no processo de impeachment, com Dilma anulando nomeação de ministros (PP), destituição de deputado contra o impeachment do diretório estadual do PP no Maranhão, carta de demissão do Kassab (PSD), cancelamento do discurso de Dilma na televisão, ameaça do STF de proibir discurso da presidente nas redes sociais, ação de Jean Wyllys (PSOL) para que Cunha seja impedido de votar sobre impeachment, o dia no país foi uma disputa de velocidades entre governistas e PMDB, PSDB e toda a oposição de direita para não sair perdendo no “placar” que pode aprovar o golpismo institucional da direita-mídia-judiciário nesse domingo.

Este golpismo institucional, com o apoio da Federação das Indústrias de São Paulo (FIESP) e da Rede Globo, busca impor um governo ainda mais entreguista e um outro tipo de ataque mais duro aos trabalhadores do que já vem sendo o governo Dilma. A Folha de S. Paulo, Estadão, O Globo se esmeraram em buscar exercer influência sobre os parlamentares para que votem pelo impeachment, apoiando-se na opinião pública de setores de classe média acomodada e reacionária que se manifestou no 13/3.

A direita em frenesi pelo golpe institucional

Em sessão que só deve acabar na madrugada de sábado, deu-se a largada para a abertura do processo de impeachment contra a presidente Dilma. Com 25 minutos para a acusação, liderada pelo jurista Miguel Reale Júnior e os juristas Hélio Bicudo e Janaína Paschoal, os argumentos geraram em torno das “pedaladas fiscais”. Reale defendeu “Golpe houve quando se sonegou a informação de que o País estava quebrado, quando se maquiou a questão fiscal para maquiar a situação do Tesouro Nacional”.

Utilizando do mesmo tempo para fazer a defesa, o advogado geral da União, José Eduardo Cardozo, explanou sua peça para tentar comprovar que a presidente não cometeu crime de responsabilidade fiscal e acusou o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), de ter iniciado o processo de impeachment como um ato de retaliação: “Retaliação não é fator decisório para afastar uma presidente da República".

Tanto a defesa quanto acusação, focaram na disputa de votos, sabendo que no início da sessão, segundo os jornais da mídia burguesia, dos 513 deputados já haviam os prováveis 342 votos para abertura do processo de impeachment no domingo (17). Ainda segundo informações da grande mídia, no final da noite, a oposição teria que conquistar mais um voto, com o afastamento de licença-maternidade concedido hoje para deputada Clarissa Garotinho (PR-RJ). Já os governistas, terminam a noite dizendo que conquistaram os 172 votos que barrariam a admissibilidade do processo de impeachment, contribuindo para a guerra de informações, tática de ambos os lados.

Da maior para a menor bancada, começaram as falas dos líderes partidários, sendo que até cinco deputados de cada um dos vinte e cinco partidos com representação na Câmara poderiam dividir o tempo de uma hora para colocar sua posição no plenário.

O PMDB com a maior bancada, 66 deputados, foi representado por Leonardo Picciani que agradeceu aos correligionários o respeito pela sua posição contra o impeachment, e foi aplaudido de pé quando anunciou que a orientação do partido era votar a favor do impedimento da presidente. Já Lelo Coimbra (ES), Osmar Serraglio (PR), Soraya Santos (RJ) e Manoel Júnior (PB), endureceram o discurso contra o governo, sendo declarado por Lelo que “o governo está na "xepa", o fim da feira, oferecendo os últimos cargos em troca de apoio”, como se o PMDB não fosse o maior beneficiário do comércio de cargos durante todos os últimos governos.

Já o PT, com a segunda maior bancada, deu a largada com Afonso Florence (PT-BA) que declarou aos seus últimos aliados: “Senhoras e senhores parlamentares indecisos publicamente, mas que já decidiram que votarão contra, se absterão ou não comparecerão para se protegerem: Vocês estão do lado certo, como a consciência brasileira está do lado certo”.

Elevando o tom a favor do impeachment, a bancada do PSDB disparou via Carlos Sampaio (SP): “Para alegria da população brasileira, vem o TCU, a mais alta corte, e diz que a presidente Dilma cometeu fraude fiscal”, seguido de Nilson Leitão (MT): “A Caixa Econômica Federal não pode bancar a festança do PT e da presidente Dilma”.

O corrupto Partido Progressista (PP) de Maluf, sentiu-se confortável para ironizar a situação através do deputado do RS, Jerônimo Goergen:"Quem diria que aquele partido dono da ética, da moral e da esperança desse Brasil iria escrever uma triste página da nossa história política?".

Já o Partido da República (PR), base do governo, teve quatro das cinco declarações a favor do impeachment, com falas em torno da “perda de identidade do PT”, sendo que um dos deputados, Laerte Bessa saiu em defesa de Temer: “Michel Temer pode tirar o país da crise (...) é uma pessoa de bem, honesta”.

Enquanto isso, aconteciam manifestações pelo país contra o impeachment, mas que por subordinação das direções ao governo e o nefasto papel das burocracias sindicais, CUT, CTB, MST, entre outros, passaram longe de organizar um plano de lutas sério e efetivo para que os trabalhadores pudessem estar na linha de frente de lutar contra o impeachment e contra os ataques do PT.

Discursos de Lula e Dilma

Durante a tarde, Lula divulgou um vídeo em rede social destinado aos deputados, aprofundando o discurso contra os possíveis sucessores da presidente, reivindicando a Constituição de 88, fazendo demagogia em torno dos mandatos do PT e colocando que “Uma coisa é divergir do governo, criticar os erros e cobrar mais diálogo e participação (...) Outra coisa é embarcar em aventuras, acreditando no canto de sereia dos que sentam-se na cadeira antes da hora. Quem trai um compromisso selado nas urnas, não vai sustentar acordos feitos nas sombras (...) Ninguém conseguirá governar um país de 200 milhões de habitantes, uma das maiores economias do mundo, se não tiver a legitimidade do voto popular”, elevando o tom para a possível “linha sucessória” e apostando na ameaça de instabilidade política para conseguir mais votos contra o impeachment.

Já Dilma declarou em vídeo publicado em rede social no final da noite que “O Brasil vive momentos que serão decisivos para o nosso futuro. O que está em jogo na votação do impeachment não é apenas o meu mandato. O que está em jogo é o respeito às urnas”, tentando mais uma vez angariar votos contra o impeachment e apoio popular.

É preciso colocar adiante um urgente plano de luta e paralisações dos sindicatos contra o golpe e os ajustes

Nós do Esquerda Diário, viemos defendendo incansavelmente a luta contra o impeachment dessa articulação da direita mais conservadora com o Judiciário e o "partido midiático", um golpe institucional que visa sequestrar o voto de milhões de eleitores para colocar o destino do país nas mãos ou de parlamentares corruptos ou de um Poder Judiciário entupido de privilégios que não é eleito por ninguém. Mas reafirmamos com a mesma convicção que é impossível lutar contra o impeachment sem lutar contra os ataques do próprio PT, já que a classe trabalhadora enfrenta milhões de demissões, retirada de direitos, entrega do pré-sal, lei antiterrorismo, além da possível Reforma da Previdência, entre outros ajustes e cortes já promovidos.

Não se barrará o impeachment e a ofensiva da direita comprando parlamentares corruptos. Para lutar contra essa manobra reacionária que é o impeachment e contra os ataques do PT é preciso colocar de pé um plano de luta e paralisações dos sindicatos contra o golpe e os ajustes, organizados pelas entidades sindicais e estudantis, e para isso, CUT, UNE, CTB tem que romper sua subordinação ao governo e convocar assembleias nos locais de trabalho e de estudo para que os trabalhadores e a juventude possam escolher quais os próximos passos nessa batalha e a partir de sua mobilização, impor uma Assembleia Constituinte para organizar soluções para os grandes problemas enfrentados pela classe trabalhadora no país.




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