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Intervenção extrema: Pompeo pede “governo de transição” na Venezuela para suspender as sanções

O imperialismo estadunidense decidiu não dar trégua em meio a pandemia, ao contrário, redobrou a ofensiva se aproveitando da situação para cercar mais ainda a Venezuela, criando vantagem com a situação do país de um possível surto da pandemia no país. Uma política criminosa que expõe mais ainda o povo venezuelano a pandemia.

quinta-feira 2 de abril| Edição do dia

Nesta terça-feira o governo de Trump falou de suspender as sanções à Venezuela em troca da saída de Maduro e de um “conselho de Estado”. Bondosos os ianques em suas relações: se te submeter, acabamos com teu castigo. Se isso não é uma tentativa de golpista disfarçada de de saída “negociada” e de “transição democrática para a Venezuela”, difícil será achar outro nome. Se trata de uma chantagem e extorsão imperialista.

Estados Unidos fala sobre um plano no que propõem que tanto Maduro quanto Guaído “se afastem para que os membros eleitos na Assembleia Nacional de ambas as partes possam criar o Conselho de Estado que sirva de transição, organizando eleições presidenciais livres e justas”, de acordo afirmação realizada por Eliott Abrams em artigo no Wall Street Journal publicado na Terça-Feira.

Segundo o plano do Conselho de Estado estabeleceria cinco membros para
‘governar o país” até que se faça as eleições presidenciais e parlamentares no prazo de 6 a 12 meses. A alta cúpula militar permaneceria em seu lugar durante o governo de transição. Quatro dos membros seriam nomeados pela Assembleia Nacional controlada pelo setor da oposição de direita que reconhece Guaído, lembrando que há “outra” Assembleia Nacional dirigida pela “oposição dissidente”, na qual reconhecem Maduro como “legítimo”.

O quinto membro, que desempenharia papel de Presidente Interino até que se realizassem as eleições, seria nomeado pelos demais membros do Conselho. Nem Maduro, nem Guaído estariam no Conselho, mas Pompeo disse que Guaído estaria livre para concorrer a presidente, Maduro não. O plano requer a aprovação de um terço da Assembleia Nacional, o que implica não somente a soma dos votos das duas oposições (hoje opositoras), e ainda de uma parcela dos chavistas.

O plano também descreve pela primeira vez os requisitos dos Estados Unidos para suspender as sanções contra os funcionários de Maduro e a indústria petroleira, a fonte de renda da Venezuela.

A questão é a seguinte: pelo único “direito” que a força imperialista lhe concede, o Estados Unidos confiscam bens, retiram recursos e impõem um bloqueio parcial a outro Estado soberano porque querem impor uma mudança de governo pelo interesses estrangeiros; logo aparecem “oferecendo” devolver o que foi roubado e terminar a agressão, caso essa outra nação soberana aceitar acatar os seus desejos de mudar o governo. Malditos imperialistas que querem tratar o resto como colônia.

Essa política ocorre em menos de uma semana em que o governo dos Estados Unidos, uma das maiores potências, ao melhor estilo do faroeste, levaram a colocar preço pela cabeça dos maiores dirigentes do alto escalão do governo, incluindo o próprio Maduro, por suposta conspiração “narcoterrorista que se convertei o o Estado Venezuelano em uma plataforma para cartéis violentos”.

Um alto funcionário da administração disse na segunda-feira que o Estados Unidos está disposto a negociar com Maduro as condições de sua saída, mesmo após as acusações. Isto é, a acusação criminal da “justiça” extraterritorial do império apenas serve como uma forma de chantagem para que cedam a suas reivindicações.

Assim como também aconteceu a alguns dias antes das sanções de Trump, a empresa petroleira Rosneft decidiram terminar suas operações n a Venezuela e transferir suas ações para o governo russo, o que expressa o aumento do cerco para estrangular e colapsar mais ainda a economia do país. Embora que a retirada da Rosneft e passar suas ações para o Governo Russo é parte de sua política para salvar seus negócios, isto é produto da pressão imperialista para cercar ainda mais o país e causar maior dano possível.

Como se pode ver, a catástrofe já prevalece, como se não fosse pouco, o imperialismo ianque intensifica suas ações para que o objetivo das sanções seja cumprido. Lembremos que tem chegado ao extremo o confisco importante de ativos do país, como o caso da CITGO, além das contas líquidas ou cobranças compulsórias de dívidas com apropriação de ouro - propriedades da Venezuela - que também foram executadas pelas outras potências como Inglaterra e Alemanha.

Durante o fim de semana Guarido falou de um “Governo de Emergência Nacional” sem Maduro, mas com as forças armadas e outros setores do chavismo, chamando a “todos os setores políticos” do país para participar, acompanhado da promessa de 1.2 milhões de dólares em empréstimos de instituições financeiras internacionais para combater pandemia. Categoricamente o chamado não pode deixar de ser lido como uma nova tentativa de golpe, buscando se aproveitar da situação, tratando mais um vez de atrair setores militares para os seus objetivos.

No entanto, a proposta/chantagem de seus chefes hoje, os funcionários de Trump, não deixam de colocar uma questão secundária, pois seu “Governo de Emergência Nacional” o contemplou, enquanto o “Conselho de Estado” propostos pelos ianques, não. O “nem Maduro, nem Guarido” da proposta imperialista, coloca seu peão a condição de possível candidato na próximas eleições.

O fantoche de Washington, para não parecer deslocado, respondeu na sua conta de Twitter tentando fazer uma mistura na sua proposta golpista e a extorsão do seus mandatários: “Entrei em contato com o Secretário de Estado, Mike Pompeo, para agradecer ao apoio dos EUA na formação de um governo de emergência e um conselho de estado para resolver a crise”.

É claro que o governo dos Estados Unidos está se aproveitando da situação crescente pela pandemia do coronavírus, que ameaça com o colapsar o sistema de saúde e a economia, continuando com suas tentativas de golpistas e não é um espírito “democrático” que o move. Com a Venezuela tendo os menores preços e produção de petróleo do mundo, a catástrofe já ocorre nos Estados Unidos que “oferece” uma “rota de saída sequencial” das sanções.

Mas para que as sanções desapareçam, Abrams disse que o Conselho teria que estar trabalhando e que "todas as forças militares estrangeiras", de Cuba ou na Rússia, eles teriam que deixar o país, seguindo essa propaganda que quer projetar a imagem que o governo de Maduro seria sustentado por forças militares estrangeiras. “O que esperamos é que realmente intensifique um discurso dentro do exército, o chavismo, o partido socialista no governo e o regime sobre como sair dessa terrível crise em que se encontra”, disse o encarregado do imperialismo venezuelano.

Em fevereiro do ano passado, se lançou uma política golpista ofensiva buscando derrubar o governo de Maduro e impor o fantoche Juan Guaído, um personagem desconhecido. Ao mesmo tempo com fortes sanções econômicas no setor petroleiro e outras áreas levando a um a extremo de confiscar ativos extraterritoriais do país nos Estados Unidos. Guaído foi cabeça de toda a ofensiva, levando inclusive protagonizar uma tentativa de golpe de golpe no dia 30 de abril, na qual fracassou.

Quem dá o direito aos Estados Unidos de definir qual deve ser a rota para mudar o governo do país em outro país? E ainda com base em agressões e ameaças. Sustentamos neste jornal, Maduro e as Forças Armadas são um regimes profundamente antipopular e repudiamos por maioria, mas o único e exclusivo direito de remover ou não pertence ao povo venezuelano. Os interesses imperialistas estadunidenses e a direita que arrasta sua pretensões de recolonização, não são os interesses do povo venezuelano.

O levantamento sanções por mudanças de governo não tem outro nome que chantagem e extorsão imperial. Portanto, se as ações imperialistas foram repugnantes antes da emergência, hoje são de tamanho extremo, porque, no meio do atual surto e da crise humanitária de magnitude generalizada, se torna urgente lutar contra. Devemos exigir com mais força que nunca que se acabe essas medidas, suspensão das sanções e repúdio a essa oposição de direita que aplaude a agressão imperialista.




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