IMPEACHMENT

Impeachment segue no Congresso e PMDB se realinha

O STF (Supremo Tribunal Federal) marcou pra dia 16 a votação sobre os recursos referentes às regras para o rito do impeachment de Dilma no Congresso.

quarta-feira 9 de março de 2016| Edição do dia

O acordo foi feito entre o presidente do STF, Ricardo Lewandowski, e o juiz Luiz Roberto Barroso, autor do documento que contém os debates das seções e os votos dos onze ministros. O documento foi liberado nesta terça (08) para que pudesse receber recursos pedindo alteração em seu conteúdo.

Os questionamentos vindos da Câmara, pelo presidente Eduardo Cunha, que apresentou seu recurso antes mesmo do prazo previsto, versam contra o aumento do poder dado ao Senado na decisão sobre o impeachment, o que favorece o governo, já que tem mais controle no Senado.

Uma das principais mudanças exigidas pelo STF frente a primeira proposta de rito levada a frente pela oposição era sobre o voto secreto para conformação da equipe de processamento do impeachment. A oposição vem pedindo que o STF agilize o processo para garantir o interesse dos “brasileiros que querem que isso se resolva o mais rápido possível”, segundo Barroso.

Setores da oposição prometem continuar travando votações na Câmara e no Senado até que se instale a comissão que de continuidade ao processo. Parte da oposição também está se apoiando na suposta delação de Delcídio do Amaral para adiantar o processo de impeachment e aproveitar o recente e profundo desgaste do governo.
PMDB sinaliza mudar de lado

Considerada o fiel da balança na condução do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff no Congresso Nacional, a cúpula do PMDB do Senado começa a mostrar sinais de divisão. Alguns de seus integrantes avaliam que a conjuntura política se agravou para o governo nos últimos dias e começam rever a posição de apoio, adotada até aqui, pela permanência da petista no cargo.

Em conversas reservadas, a avaliação entre peemedebistas da Casa é de que a "temperatura elevou-se muito" após vir a público trechos da delação do senador Delcídio Amaral (PT-MS) e da possibilidade do surgimento de novos depoimentos de representantes de empreiteiras envolvidas no esquema investigado na Operação Lava Jato.

Em depoimento perante o grupo de trabalho da Procuradoria-Geral da República na Lava Jato, Delcídio acusou Dilma de atuar três vezes para interferir na operação por meio do Judiciário. A presidente negou as declarações do senador. As primeiras revelações do ex-líder do governo fazem parte de um documento preliminar de acordo de colaboração premiada, que ainda precisa ser homologado pelo Supremo Tribunal Federal.

O impeachment via TSE e seus problemas para o PMDB

Até alguns dias atrás, antes do episódio da detenção de Lula e os vazamentos das delações de Deicídio, a oposição parecia apostar suas fichas no impeachment de Dilma via impugnação da chapa pelo TSE, o que por uma lado prejudicaria diretamente a cúpula do PMDB acertando em cheio o vice, Michel Temer e por outro colocaria no cargo, um verdadeiro bode espaçoso e instável, como Eduardo Cunha.

Talvez a pressão de Moro e da oposição articulada para dar argumentos a cassação via TSE fosse parte do plano geral de, a partir da prisão e condenação de figuras como Marcelo Odebrecht, ou mesmo o grande espetáculo global feito sobre o depoimento forçado de Lula, pudessem afinar e aplicar o melhor plano, dar andamento ao processo que corre no Congresso sem precisar apostar alto e consequentemente, correr o risco de perder feio.

Ao se reposicionar politicamente, o PMDB dá mostras de que também tem interesses na reestruturação política que pretende a oposição e os novos setores econômicos interessados no impeachment.

Resta agora saber quanto às manifestações de rua desse fim de semana vão respaldar a política oportunistas desses partidos integrantes do regime e parte ativa de toda corrupção, se o governo tira algum coelho da cartola, ou se a esquerda será capaz de fortalecer uma alternativa independente a partir das lutas em curso, gerando forte mobilização de trabalhadores e jovens para questionar os privilégios desses políticos e se colocar a resolver grandes problemas sociais e econômicos do país com um processo Constituinte, Livre e Soberano, desta vez sem ingerência militar como em 88.




Tópicos relacionados

Impeachment   /    Crise no governo

Comentários

Comentar