Sociedade

Imigrante síria é agredida por defensores da intervenção militar

Sara mora no Brasil há 4 anos e passava pela Avenida Paulista no último sábado, dia 31, quando viu a manifestação em apoio ao golpe de 64 e gravou o vídeo que mostra, inclusive, o momento da agressão.

Pammella Teixeira

Belo Horizonte

segunda-feira 2 de abril| Edição do dia

Sara Ajlyakin é refugiada da Síria e saiu de seu país há 4 anos, por causa da guerra. A socióloga e ativista vive em São Paulo desde então. A agressão ocorreu quando ela estava indo para a casa, no último sábado, 31, depois de almoçar com amigos, quando, ao passar pela avenida Paulista, em frente ao Masp, foi agredida por pessoas que faziam manifestação em apoio ao golpe de 64.


Sara passou pelo local filmando o ato. Ela estava vestida de vermelho, e isso chamou a atenção dos “manifestantes verde e amarelo”, gerando hostilidade de algumas pessoas que participavam da manifestação. Ao relembrar que, há pouco mais de uma semana o MASP era palco da indignação pela execução de Marielle, e indignada com tudo aquilo, gritou: “Marielle Presente”. De acordo com ela, isso pareceu ter sido a senha para uma reação desmedida.

Os “manifestantes” se concentraram ao redor dela, com agressões físicas e orais, além de roubar o celular de Sara.
Ao postar o vídeo da agressão, Sara descreveu a cena:
“Eles me atacaram, me jogaram no chão, puxaram meu cabelo, me bateram na cara, cuspiram em min, chamaram Marielle de vagabunda. Uma mulher tentou tirar minha roupa, falando que roupa vermelha na avenida paulista não pode. Eu adoro vermelho. Nem sabia do ato antes de sair da casa.”

Assista ao vídeo:

“Um policial, ao me ver sendo agredida, disse: ‘Você é minoria aqui. Vai embora e para de causar confusão’. ”

Durante a agressão, Sara foi chamada a atenção por um policial que estava no local. “Ele me disse, sem interceder e nem tomar nenhuma atitude contra os agressores: ‘Você é minoria aqui. Vai embora e para de causar confusão’. A única coisa que este policial fez foi recuperar o meu telefone, que havia sido roubado e me mandou embora. Só consegui chegar em casa sem ser agredida novamente porque uma mulher e dois jovens me acompanharam”.

Ao ser perguntada se foi à delegacia fazer boletim de ocorrência e exame de corpo delito, ela disse sem titubear: “Não confio na polícia brasileira. Nem naquele policial que ignorou que eu estava apanhando na rua e nem nos que eu iria encontrar na delegacia”.

Veja também: Você acredita em policiais para investigar o assassinato de Marielle?

A agressão à Sara é só mais um exemplo dos inúmeros absurdos reacionários que viemos vendo no Brasil, com a polarização social e política desde o golpe, em 2015. A extrema direita e sua burguesia continuam raivosos contra os setores que lutam e vêm intensificando sua empreitada, seja agredindo quem se opõe a eles, atacando a caravana do Lula com tiros, ou, chegando ao cúmulo de executar Marielle Franco por denunciar a violência policial no Rio de Janeiro.

Diante de cada agressão, devemos nos levantar e dar uma resposta da classe trabalhadora, com a força da juventude, das mulheres e dos negros, independente da polícia e contra o governo golpista e seus aliados, para que possamos batalhar fortemente por justiça para Marielle, que venha por uma comissão de investigação independente, sem confiar na polícia. Lutando também pelo fim da intervenção federal no Rio de Janeiro e contra os saudosistas da ditadura militar no país inteiro, ou os que relativizam a repressão, como o senador Jorge Viana do PT do Acre.

Gritando com uma sua voz e mostrando que não vamos nos calar com essas agressões e que Marielle está presente SIM na nossa luta.
Se um de nós cai, nos organizamos em milhares.




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