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Há anos sem aumento de salário, professores do RS entram em férias na miséria.

Jones Adriano Gaio

Professor da rede estadual do RS

sexta-feira 20 de julho| Edição do dia

A educação pública estadual no RS está no fundo do poço. Sartori (MDB) aplica uma política criminosa no RS com parcelamentos e cortes na educação e saúde e ameaça de privatizações e demissões. Os professores e funcionários da educação do RS estão esgotados. Esgotados de tanta desvalorização, desrespeito, assédio moral, atrasos salariais, parcelamentos, arrocho salarial, sobrecarga de trabalho, planilhas, sábados letivos, etc. Mas a valorização salarial e profissional, condições de trabalho, saúde psicológica e qualidade de vida, vai de mal a pior.

Toda essa sobrecarga de trabalho e humilhação profissional com o absurdo de 31 vezes atrasando e parcelando de salários, os professores estão adoecendo cada vez mais com estresse, síndrome do pânico e depressão. Muitos não conseguem pagar as contas e dívidas que se acumulam por anos. Quem sofre com isso, além dos professores, são os alunos e a população, pois essa situação afeta todo cotidiano escolar.

Os profissionais da educação estão com seus salários defasados em 23,29% em relação a inflação, não tendo reajustes desde novembro de 2014. Somado a isso, com os parcelamentos de salários, muitos professores estão endividados com os bancos devido à necessidade de frequentes empréstimos para pagar as contas em dia. O vale alimentação também está defasado em 217,5%, ou seja, em R$ 476,08 mensais. Quem consegue se alimentar com os atuais 218,90 reais ao mês? Esse valor, dividido por 22 dias letivos ao mês, proporcionaria uma refeição diária de R$ 9,9 reais. Quem consegue se alimentar dignamente com esse valor?

Sartori faz chantagem e terrorismo com os gaúchos. Entre 2014 e 2017, foram 62% (101 milhões de reais) em cortes de investimento em educação no estado. Tudo isso, para cumprir com o pagamento da dívida do estado com a união, dinheiro que vai para o bolso de banqueiros. Para renegociar a dívida do estado com a união, a contrapartida exigida por Temer são as privatizações e demissões no setor público, que prejudicam o atendimento da população nos serviços básicos como saúde, segurança e educação. Temer e Sartori, querem vender o serviço público a preço de banana para investidores que visam lucrar com os serviços que devem ser gratuitos como a SULGÁS, CRM E CEEE. Querem fazer os trabalhadores e a população gaúcha pagar pela crise criada pelos capitalistas, para favorecer os próprios capitalistas.

Após uma histórica greve de 94 dias em 2017, onde a categoria mostrou disposição de luta para não aceitar mais os humilhantes parcelamentos salariais (foi a luta dos professores e funcionalismo que barrou o projeto de privatizações na ALERGS), é um absurdo a passividade e o silêncio da direção do sindicato CPERS em relação ao governo criminoso de Sartori. A única atividade sindical atualmente, se resume a atos isolados dos dirigentes sindicais, sem mobilização da categoria e muita campanha eleitoral para governador do estado nesse ano. A direção do CPERS usa a categoria para canalizar as nossas insatisfações e misérias para campanha eleitoral. Mas uma coisa é certa: Não será pelas urnas que a situação da educação estadual será resolvida.

Muitos professores possuem mais de 500 alunos e inúmeras turmas desde o fundamental até o 3ºano do médio. Dias com aulas em 3 turnos, muitas vezes em duas ou mais escolas. O descanso na metade do ano é algo fundamental para recuperar o desgaste psicológico dos estudantes e professores. No entanto, mais uma vez os professores entram no intervalo do ano letivo de julho enterrados em dívidas e insegurança, muitos tendo que fazer bicos e trabalhos alternativos para sobreviverem. Essa é a absurda realidade da educação estadual.




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