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FRANÇA

Governo francês recebe as principais organizações sindicais

Depois da massiva jornada de luta desta terça, 28, com milhares nas ruas de Paris, Toulouse, Lyon, El Havre, entre outras cidades, a direção sindical do movimento entra numa encruzilhada.

sábado 2 de julho de 2016| Edição do dia

Após esta nova jornada de mobilização a nível nacional, a direção sindical do movimento parecia entrar numa encruzilhada, pela qual começam a aparecer as diferenças em seu interior.

Força Operária (FO) explicita cada vez mais suas intenções de afogar a luta dentro da Assembleia Nacional. A CGT, por sua parte, exibe um discurso mais combativo, mas inundado de concessões ao governo, como tentar maquiar a lei com “emendas” quando quase 70% da população francesa quer categoricamente que a Lei El Kohmri seja eliminada.

Durante quarta e quinta-feira, o Primeiro Ministro Manuel Valls junto a Myriam El Khomri, Ministra do Trabalho e autora da Lei, receberam algumas das organizações que compõem a Intersindical a fim de discutir as reformas e a aprovação da lei votada pelo Senado no dia 28. O próprio François Hollande declarou após a reunião de quarta-feira que “a lei será votada nos prazos previstos”.

Logo após o encontro, Jean-Claude Mailly, Secretário Geral da FO mostrou-se satisfeito com “as garantias” concedidas por El Khomri sobre o papel dos distintos ramos de trabalhadores nos convênios, e parecia ser o bastante para abandonar a luta nas ruas, como a que acontecerá em 5 de julho, quando a Assembleia Legislativa votará a Lei. Assim, Mailly substitui as ruas pela estratégia da “pressão parlamentar”. Esta seria a primeira vez que a FO não participaria da marcha desde o começo da luta, em 9 de março. Embora Mailly afirme novamente que “não é o fim do movimento”, parece ser seu objetivo.

No entanto, há um ponto chave que incomoda a FO e sua estratégia parlamentar, que é o artigo 2 da lei referente à negociação e às horas extras, símbolos de luta. Um “troféu” que o governo não estaria disposto a ceder, pelo que significa para as patronais. Ainda não é possível ver onde chegam Mailly e a Força Operária em seu giro de dar as costas aos milhares de franceses que saem em luta nas ruas.

Por sua vez, Philippe Martinex, da CGT, na mesma noite do encontro com os funcionários, declarou publicamente seu “profundo desacordo” com a atitude da FO. No entanto, logo relativizou essas palavras, sustentando que não há desacordo, mas sim “diferenças de apreciação”... O líder sindical afirmou que “Valls retrocede pouco a pouco, mas nós ainda estamos certos de nosso objetivo”, colocando que o destino da Lei se resolverá nas ruas. Ao debate somou-se Solidaires, outra das sete organizações da Intersindical e que não foi recebida por Valls, acusou o primeiro ministro de “jogar” para a divisão sindical.

A tal ponto fica clara a estratégia da FO e os rachas no interior da direção do movimento que o jornal Le Monde, em sua edição do dia 30 se pergunta: “Conseguirá Valls ‘afetar’ a frente Intersindical, isolando a CGT? Parece ser este o objetico da reunião da quarta 29”, afirma.

Para além das disputas entre FO e CGT, e do resto das direções da Intersindical, cada vez é fica mais evidente a estratégia de contenção do enorme processo de luta que já chega à quatro meses, com marchas numerosas e greves setoriais, mas que não dirigiram um chamado de greve geral, chave para que o governo e as patronais “dêem o braço a torcer”, que tentaram tirar proveito do recesso de verão para esvaziar as ruas. Por enquanto, a terça-feira 5 será outra data chave para a luta dos trabalhadores e estudantes franceses que sairão mais uma vez às ruas.




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