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Estudos apontam aceleração do contágio do Coronavírus no Brasil está igual a da Itália

sábado 21 de março| Edição do dia

Nesta sexta-feira, (20), foram divulgados dados de uma pesquisa de um observatório com físicos da USP, Unicamp, Unesp, UnB, UFABC, Berkley (EUA) e Oldenburg (Alemanha). Esses dados apontam o número de infectados no Brasil dobra a cada 54 horas , podendo chegar a 3 mil na terça-feira (24). O ritmo se equipara ao da Itália, um dos países mais atingidos pela crise do Coronavírus. Atualmente, no Brasil, conforme o balanço divulgado pelo Ministério da saúde, nesta quinta-feira (19), há 621 casos da doença no país, mais 7 mortos.

A Itália, país reconhecido pelos cortes em setores cruciais como o da saúde, foi a mais afetada por conta da crise do Covid-19. O país chegou a 4 mil mortos e a 47 mil casos registrados da doença. Se analisado a nível mundial, houveram 10.031 mortos pela doença, e há cerca de 245 mil infectados. As estimativas de avanço da doença, de acordo com a pesquisa, são as seguintes:

- sábado (21) – 1.091 casos;
- domingo (22) – 1.478 casos;
- segunda-feira (23) – 2.003 casos;
- terça (24) – 2.714 casos; a previsão máxima é de até 3,4 mil casos na terça;

Para os pesquisadores fazerem a projeção de casos, foi utilizado como base um cálculo que considera o tempo de duplicação dos infectados. "Uma forma de acompanhar a epidemia é seguir o tempo de duplicação dia a dia. Se as ações de contenção surtirem efeito, vamos observar o tempo de duplicação aumentar. Esta é uma forma de saber se estamos conseguindo ’domar’ o coronavírus", detalhou Kraenkel. Conforme os dados da pesquisa, o tempo de duplicação de contágio, atualmente, no Brasil, é de 2,28 dias, sendo em horas, 54 horas e 43 minutos.

O mesmo cientista ainda afirma “Quanto mais baixo for esse intervalo, mais rápida corre a pandemia no país. "Se tenho, digamos, dez casos, quanto tempo leva para ter 20, depois 40 e 80?”, ao falar sobre como é feito o cálculo.

A partir dos dados obtidos, fica escancarado o nível da crise sanitária do Brasil. O índice apontar um nível tão acelerado de contágio, chegando este a se equiparar ao de países com a Itália, mostra a iminente necessidade de disponibilizar testes gratuitos a toda população, pensando que isso possibilitaria uma análise mais científica e disponibilização mais rápida de tratamento aos doentes. No entanto, o governo Bolsonaro age em contramão a isso.

Tendo em vista o colapso do sistema de saúde, declarado por seu ministro nesta sexta-feira (20), em uma reunião com empresários, o atual presidente segue atacando a população, reduzindo ainda mais a qualidade de vida dela por meio da flexibilização dos direitos trabalhistas, ao invés de pensar em formas para enfrentar a atual crise. Tais ações na verdade são coerentes, frente ao negacionismo do presidente sobre a doença e os impactos que ela pode ter sobre a realidade.

Pensando nisso, reforça-se a necessidade de se levantar contra a extrema-direita e seus ataques. Colocando toda a produção econômica, científica e tecnológica, em prol da vida dos trabalhadores, não do lucro dos grandes capitalistas.

Concomitantemente, é preciso defender o SUS, reconhecendo as limitações desse programa, tendo como perspectiva a estatização de todos os leitos e clínicas privadas de saúde, e a revogação imediata do teto de gastos que foi aprovado no governo Temer. Deve ser feita também a contratação de todos os trabalhadores e estudantes desempregados da área da saúde para que estes, junto com os já atuantes e as universidades universidades públicas, assumam o controle do sistema sanitário, de modo que se garanta um efetivo plano de enfrentamento ao coronavírus.




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