Internacional

CHILE

Estudantes e familiares saíram às ruas do Chile em nova marcha pela educação

Mais de 30 mil pessoas se mobilizaram este domingo em uma nova convocatória impulsionada pela Confederação de Estudantes do Chile (CONFECH). Os estudantes mantêm suas demandas, o governo não cede.

terça-feira 12 de julho de 2016| Edição do dia

As ruas do Chile voltaram a ser o cenário de incontáveis mobilizações este domingo. Convocados pela CONFECH, mais de 30 mil estudantes, junto a seus familiares, voltaram a mostrar seu rechaço à reforma educacional.

O governo de Bachelet insiste na impopular reforma educacional que tem 67% de rechaço e que é denunciada pelos estudantes por pretender consagrar a educação de mercado por meio do “sistema misto”. Este sistema manterá os negócios educativos das universidades privadas, que têm 84% das matrículas, e escolas de ensino médio particular subsidiados, que alcançam 66% dos registros. Por outro lado, o Crédito com Garantia do Estado ficará intacto; assim, milhares de jovens permanecerão endividados em cifras milionárias.

Os estudantes e seu movimento seguem em luta, apesar da forte intransigência das autoridades e a criminalização que levam contra a juventude. Assim novamente convocaram uma marcha estudantil, desta vez com caráter “familiar”, que começou na Plaza Italia ao meio-dia, cruzando a Alameda até chegar na Plaza Los Héroes.

Estiveram presentes estudantes da Universidade do Chile, Universidade de Valparaíso (sede Santiago), Universidade de Santiago de Chile, ex Pedagógico, Universidade Tecnológica Metropolitana do Estado do Chile; secundaristas de distintos colégios e técnicos; e famílias que marcharam com cartazes em rechaço à reforma educacional do governo.

“Nós não queremos incidir, queremos decidir, e devemos remarcar isto com força cada vez que fortalecemos nossas mobilizações. Para potencializá-las, temos que impulsionar uma Assembleia Coordenadora de estudantes universitários e secundaristas, com delegados, reforçar nossas assembleias nos técnicos e Faculdades, quer dizer, nossa organização de base, sobretudo em um momento complexo , onde o governo se coloca com total intransigência”, assegura Dauno Tótoro, estudante de história e militante da agrupação Vencer, Universidade do Chile.

Kevin Norambuena, estudante do Liceo A-20 do Centro de Santiago, instituição técnica, e militante da Agrupação Combativa e Revolucionária (ACR), participou da mobilização junto a outros jovens: “me parece muito boa essa mobilização, vieram milhares de pessoas, jovens, adultos, crianças e avós, todos manifestando rechaço ante a proposta de reforma. É impactante a indiferença, sendo a maioria da população contra sua proposta, querem aprovar um projeto que mantêm tudo igual, que assegura milhões para os mesmos corruptos que roubam dinheiro e votam leis a favor dos empresários e poderosos. Não nos garantem gratuidade universal, nem desmunicipalização imediata, todos temos que rechaçá-la, unidos”, enfatiza.

Por sua vez, um dos porta-vozes da CONFECH, Gabriel Iturra, manifestou que “são 30 mil famílias que se reúnem contra um reforma que não soluciona os problemas estruturais da educação”.

No próximo dia 16 a CONFECH realizará uma nova plenária, na Universidade de Valparaíso, onde se espera que se aprofunde a discussão sobre a tática que deve seguir o movimento estudantil diante da posição reacionária e à direita do governo da Nova Maioria.




Tópicos relacionados

Chile   /    Internacional

Comentários

Comentar