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ESQUERDA DIÁRIO

Esquerda Diário: mais de 650 mil acessos no mês, uma força de combate à direita com independência do PT

André Acier

Natal | @AcierAndy

segunda-feira 3 de setembro| Edição do dia

Neste período eleitoral, o Esquerda Diário – vinculado à rede internacional de diários digitais da esquerda, La Izquierda Diario – busca ser o portavoz do combate anticapitalista e revolucionário ao judiciário autoritário e ao regime golpista, que manipulam este processo eleitoral. Impulsionado pelo MRT, o principal diário à esquerda do PT no país registrou mais de 650 mil acessos em agosto, o que o coloca como força material para encarar a batalha contra a extrema direita e o golpismo, de maneira independente da conciliação petista.

Com mais de 21 mil leitores diários, o ED gerou entusiasmo em amplos setores que odeiam a direita golpista e as arbitrariedades da Lava Jato e do poder judiciário, mas que também criticam o PT por ter preparado o caminho do golpe, e foi foz ativa para denunciar a reforma trabalhista e as condições precárias da classe trabalhadora mostrando os ataques das patronais.

Apesar de uma situação de avanço do autoritarismo judiciário e da direita golpista, essa tendência de crescimento indica que as ideias anticapitalistas e revolucionárias tem força para chegar a centenas de milhares de trabalhadores e jovens no país; são a base para a construção de uma organização revolucionária na maior economia da América Latina

A batalha contra o “bonapartismo da toga”

O Esquerda Diário viralizou distintas matérias contra o autoritarismo judiciário, que através da Lava Jato e dos tribunais e órgãos superiores (Supremo Tribunal, STJ, TSE, Procuradoria-Geral da República, etc.) manipulam cada centímetro das eleições, impedindo o direito da população votar em quem quiser. No último dia de agosto, o Judiciário vetou a participação de Lula das eleições.

Denunciamos a ameaça arbitrária do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de vetar a veiculação da campanha presidencial do PT, e a decisão de proibir Lula de participar das eleições. Também viralizou a denúncia contra o absurdo aumento dos privilégios da cúpula do judiciário: em acordo com Temer e o Congresso, os altos magistrados receberam aumento de 16,38% em seus salários já estratosféricos, um aumento de R$5,5 mil que resultará num salário de R$39 mil, enquanto 28 milhões de trabalhadores se encontram sem emprego. Como forma de “agradecimento” aos golpistas e seus apoiadores empresariais, o milionário STF aprovou a nefasta terceirização irrestrita de todas as atividades econômicas, uma demonstração de ódio contra todos os trabalhadores, especialmente as mulheres negras, que são as que mais sofrem com a terceirização.

Partidos como o PSTU legitimam esse “bonapartismo judiciário” golpista e antidemocrático de Sérgio Moro e da Lava Jato, sustentando a consigna “prisão ao Lula e a todos os corruptos” e negando-se a defender seu direito elementar de poder ser candidato.

Como dissemos neste editorial que alcançou amplos setores nas redes sociais,

É preciso acabar com os privilégios dessa oligarquia judicial, fazendo com que todos os juízes sejam eleitos e revogáveis, recebendo o mesmo salário de uma professora da rede pública, e os julgamentos sejam feitos por júri popular.

Um diário de combate à direita e o golpismo, de forma independente do PT

Pudemos chegar através do Esquerda Diário a amplos setores retratando o verdadeiro programa destes continuadores do golpe. A extrema direita encabeçada por Bolsonaro leva até as últimas consequências os efeitos do golpe institucional: o trabalhador deveria escolher entre “ter menos direitos e algum emprego, ou ter os direitos e zero emprego”, as mulheres “devem ganhar menos porque podem engravidar”, além do ódio contra os negros e os LGBTs. Essa política de extrema direita, que também defende a reforma trabalhista, a terceirização irrestrita, as privatizações e a militarização das escolas, cria uma base social reacionária, como surgiu em Roraima com a abominável xenofobia contra os venezuelanos. O arco da direita ainda se completa com golpistas como Alckmin e sua vice, a latifundiária Ana Amélia, além de Marina Silva, que apoiou o golpismo do TSE. Todos querem acabar com o qualquer regulação trabalhista, defensores das reformas de Temer e da Lava Jato.

Entretanto, nossa luta contra o autoritarismo judiciário, contra o golpismo institucional e contra a extrema-direita não pode fechar os olhos para o fato de que o PT em seus anos de governo colocou as tropas militares no Haiti e nas favelas, governou com o apoio da bancada evangélica mantendo o aborto ilegal, governou ao lado de políticos e empresários golpistas, assumiu e acobertou métodos de corrupção próprios do capitalismo e implementou ataques quando governou, principalmente no segundo mandato do governo Dilma, a fim de pagar o roubo da dívida pública aos banqueiros internacionais.

A defesa do direito de Lula se candidatar é incondicional, assim como a defesa do direito soberano da população votar em quem quiser. Por isso lançamos uma Carta Pública ao PSOL, lida por dezenas de milhares de pessoas, chamando este partido a colocar todos os seus recursos jurídicos em uma ação pelo cumprimento da solicitação liminar do Comitê de Direitos Humanos da ONU para que se garanta o direito de Lula de ser candidato, e que dê a maior visibilidade nos debates televisivos e em suas inserções de TV e rádio a essa denúncia contra o ataque ao direito do povo de decidir em quem votar. Esta Carta ainda não foi respondida pelo PSOL.

Mas este combate contra o golpismo da direita exige total independência política do PT, que abriu caminho ao golpe institucional.

É preciso construir uma força material dos trabalhadores à esquerda do PT

É esta batalha que o Esquerda Diário leva adiante com todas as forças, auxiliando na organização dos combates que virão na luta de classes após as eleições. Estamos em diálogo permanente com o amplo espectro da população que quer acabar com os efeitos do golpe institucional e odeia a direita golpista, e que ainda que pense em votar no PT, sabe que este partido governou com a direita e mais uma vez quer um pacto de reconciliação com o capital financeiro. E que para se preparar para os próximos combates, é necessário construir – nas eleições, e para além delas – uma força anticapitalista dos trabalhadores, à esquerda do PT.

Para isso, divulgamos amplamente no Esquerda Diário ideias concretas para ir ao núcleo dos problemas nacionais. Acabar com os privilégios da oligarquia de juízes deve estar ligado com o enfrentamento à crise econômica gerada pelos empresários: é necessário impor o não pagamento da dívida pública e a nacionalização dos bancos, do comércio exterior e dos recursos estratégicos da economia sob controle dos trabalhadores, para combater seriamente a queda do salário, o aumento da pobreza e desemprego de dezenas de milhões de trabalhadores no país.

Se os trabalhadores se organizam e lutam para impor uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana, na qual batalharíamos pela abolição do Senado; por estabelecer que todo político e juiz sejam eleitos e revogáveis, e ganhe como uma professora; por garantir o direito ao aborto legal, seguro e gratuito e o conjunto das demandas do movimento de mulheres; seria possível questionar o conjunto do sistema político, e no choque entre os interesses dos trabalhadores com a resistência dos capitalistas, chegar à conclusão da necessidade de uma democracia muito superior, uma democracia dos trabalhadores, em seu próprio governo de ruptura com os capitalistas.

Com estas ideias lançamos as candidaturas anticapitalistas do MRT nestas eleições, com a legenda democrática cedida pelo PSOL. Queremos utilizar esta força combinada da campanha militante com o Esquerda Diário para entusiasmar novos setores a ser parte desse projeto político. Venha conosco construir esta esquerda anticapitalista que aposta na mobilização independente dos trabalhadores, das mulheres e da juventude contra o golpismo e a extrema direita, para que a crise seja paga pelos capitalistas!




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