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DEBATE

Em live na TV 247 Flavia Valle e Ana Paula Saviatti debatem "como evitar a barbárie"

Em uma live organizada e transmitida pela TV 247, a professora e editora do Esquerda Diário, Flavia Valle, participou junto a economista Ana Paula Salviatti, da análise de conjuntura sob o mote “Para evitar a barbárie” em que o debatedores analisaram a conjutura e apontaram caminhos para a esquerda. Na condução do debate estiveram Carlos Hortmann e Thiago Avilar pela TV 247. Uma das conclusões que se tira a partir do debate, é que saídas institucionais como o impeachment não atendem os interesses dos trabalhadores e do povo e que a esquerda precisa se aglutinar para rechaçar Bolsonaro, Mourão e o crescente peso dos militares no governo

segunda-feira 25 de maio| Edição do dia

Desde a abertura feita por Carlos Hortmann foi localizado o ponto de partida do debate com a retomada do golpe institucional no país e a abertura de uma conjuntura de crescente degradação da democracia, até culminar na atual crise que vivemos. Uma crise aprofundada pelo coronavírus mas que já vinha latente na crise de fundo do sistema capitalista, sendo a pergunta aberta para as convidadas.

Acompanhe aqui a íntegra do debate:

Ana Paula Salviatti, docente e pesquisadora pelo Instituto de Economia da Unicamp, abriu sua fala explanando sobre a inserção do Brasil na economia internacional. Segundo ela, a partir do Plano Real se consolidou um planejamento econômico todo orientado para atender o plano de metas e o controle da inflação. Uma orientação alinhada a inserção subalterna do Brasil na economia internacional, como uma plataforma de exportação e abrigo para o capital especulativo, como vimos na crise de 2008. Como ela apontou, os custos desse inflexível arcabouço vemos agora durante a pandemia com pouquíssimo espaço de manobra para políticas econômicas, dentro de um quadro com 4,8 milhões de trabalhadores desalentados.

Na sequência, em sua intervenção Flavia Valle buscou agregar quais os elementos que devem de um programa emergencial para combater a crise, que possui 3 faces: política, econômica e sanitária. Como enfrentamento a crise política, um programa classista não pode estar desvinculado da batalha pelo Fora Bolsonaro e Mourão. Bolsonaro que em seu negacionismo, junto aos militares que se fortalecem no comando da crise, vão expondo as pessoas a morte sem nenhum plano para proteger as vidas. Flavia denunciou a demagogia do discurso de Bolsonaro, buscando capitalizar em cima dos trabalhadores informais mesmo deixando milhões sem o auxílio emergencial, sem tão pouco esquecer da demagogia dos governadores que defendem o isolamento mas sem dar condições, nem mesmo o mais elementar, como EPI’s, ou a realização de testes massivos. Isso sem falar na necessária reconversão industrial e a centralização do sistema de saúde. Esses foram os elementos apontados por ela, junto a barrar as demissões e a elevação do auxílio emergencial para o valor de R$ 2 mil.

Thiago Ávila ressaltou os brutais números da pandemia, em que apenas no Brasil já temos mais de 20 mil mortes, tornando o país epicentro da disseminação do vírus. Uma realidade potencializada pelas desigualdades do país e pelo processo de desmonte dos sistemas de saúde. O que, como apontado por ele, contrasta com a bizarrice exposta na reunião ministerial na qual as milhares de mortes não foram sequer mencionadas. Thiago e Carlos destacaram entre o vasto repertório reacionário da reunião, a fala do anti-ministro do meio ambiente Ricardo Salles, colocando a necessidade de aproveitar o momento da desatenção da mídia para passar a boiada de desregulamentação ambiental.

Sobre a reunião, Flavia chamou atenção para sua condução militar na abertura e medição realizada por Braga Neto,numa mostra simbólica do fortalecimento dos militares. Ana Paula destacou como o autoritarismo militar que enfrentamos agora é fruto de uma questão não enfrentada, legada pela solução da anistia. Frente a isso Flavia ressaltou os limites de uma política que termine no Fora Bolsonaro, como o impeachment, legitimando exatamente esse fortalecimento militar, e a necessidade de avançar a partir de uma luta pelo Fora Bolsonaro e Mourão.

Thiago colocou então a pergunta para além dessas saídas institucionais, como o impeachment, quais as soluções possíveis? Como Flávia já havia colocado, Ana Paula ressaltou que uma política como o impeachment significaria apelar para uma figura como Maia assumir o protagonismo no processo, contrastando com essa saída institucional a necessidade de se apoiar na mobilização. Na comparação com o impeachment anterior de Dilma, ela chamou atenção para o fato de que esse é um instrumento jurídico-político, e não há o interesse da burguesia em defenestrar Bolsonaro.

Flávia frisou como o impeachment não é uma desestabilização como apresentam alguns, mas pelo contrário é um acordo de 300 deputados legitimando um novo governo, um governo militar no caso. Da mesma forma, na opinião de Flávia, uma saída por meio de eleições gerais, no marco das últimas eleições manipuladas que vivemos, não romperia com o regime do golpe. Flavia defendeu então a necessidade de uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana para derrotar esse regime golpista, em que o povo possa mais do que eleger novos jogadores mudar as regras do jogo. Uma assembleia para o povo decidir os rumos do país, como por exemplo com um SUS 100% público controlado pelos trabalhadores,a revogação das MPs trabalhistas, a proibição das demissões, o não pagamento da dívida pública. Para impor uma constituinte como essa seria fundamental uma questão estratégica que é a auto organização dos trabalhadores. Nessa questão Flavia chamou atenção para a importância da atuação das centrais sindicais, que nesse momento deveriam estar fomentando essa organização dos trabalhadores por uma saída independente ao invés de se somando a frente ampla.

Convidamos a todos a acompanharem a íntegra do debate.




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