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Em Paris, a polícia reprime estudantes que protestam contra as provas presenciais

Os estudantes bloqueiam várias universidades, denunciando que as provas presenciais não levam em conta as condições excepcionais da pandemia e da educação online.

sexta-feira 8 de janeiro| Edição do dia

Foto: Estudantes bloqueiam a porta de uma universidade em Paris.

Desde o começo dessa semana, após a volta do recesso de fim de ano, marcadas pela crise sanitária, teve lugar bloqueios em diversos campus da Universidade Sorbona Paris 4 contraas provas presenciais, obrigando à administração a recuar em certos momentos. A resposta do governo frente às mobilizações não se fez esperar: vários estudantes tem sido golpeados e agredidos pela polícia.
Em pleno aprofundamento da pandemia e enquanto as faculdades já estão fechadas há vários meses por falta de condições sanitárias, aumenta de forma importante a angústia psicológica e social dos estudantes pela volta presencial às universidades unicamente para ser avaliados sob péssimas condições.

Frente a essa dinâmica, a presidência da universidade foi obrigada a recuar em inúmeros exames passando para um formato a distância. Mas a repressão não se fez esperar e essa quarta-feira a policia cercou a faculdade desde cedo de manhã para assegurar que não houvesse novos bloqueios.

Na quinta-feira pela manhã estavam previstas novas mobilizações nos centros de Malesherbes, Clignancourt e a Sorbona onde a polícia foi acionada novamente, dessa vez agredindo violentamente aos estudantes que estavam se mobilizando de forma pacífica. Um jovem recebeu um forte golpe na mão como pode se ver na compilação de vídeos compartilhados nas redes.

Em outro dos vídeos um jovem é reduzido por cinco policiais enfrente aos outros estudantes apavorados. Os policiais derrubam o jovem e o espancam antes de leva-lo com outro estudante pro ónibus

Essas manifestações espontâneas pegaram desprevenidos a administração das universidades e ao governo que buscam acabar com elas pela raiz porque como apontam certos estudantes, são conscientes do potencial que pode ter a juventude mobilizada. Ainda que minoritários, esses protestos demonstram a frustração compartilhada pela juventude. Os exames presenciais em plena pandemia, as práticas e a pressão acadêmica tem aumentado durante esse período, sendo as bases mais frequentes das mobilizações nas faculdades pese a estarem fechadas desde princípios do mês de novembro.

Frente a essa repressão uma assembleia geral teve lugar na Sorbona com estudantes de distintos centros de Paris 4 para pensar como seguir a mobilização e responder à repressão. Os estudantes indignados denunciam a completa falta de democracia na universidade assim como a política de intimidação violenta da polícia. Também a vergonhosa atuação do governo e da administração frente à situação crítica de muitos estudantes precários durante esse período de crise sanitária e econômica, parece ter alimentado a mobilização.

Na manhã dessa sexta continuavam as mobilizações em Porte de Clignancourt, com a polícia vigiando de perto. Lá foram recolhidos depoimentos de vários estudantes, um deles aponta como essa situação aumenta a seleção social na faculdade enquanto o governo responde enviando mais polícia. Outro explica que já foram anulados vários exames porque nenhum aluno se apresentou.




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