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Demissões, suspensões, falta de equipamentos e corte salarial. Onde estão os sindicatos aeroviários?

Enquanto as companhias aéreas e as empresas negociam com os governos e os bancos resgates para seus lucros bilionários, os trabalhadores estão pagando pela crise com cortes salariais, ameaças de demissão e suspensão. Onde estão os sindicatos?

quarta-feira 22 de abril| Edição do dia

Adoecer ou morrer de fome?

A extensão mundial da pandemia da COVID-19 escancarou a realidade tal qual ela é. Vivemos em um sistema onde se coloca os lucros empresariais acima da vida das pessoas, com sistemas de saúde destruídos pelo mercado e leis anti-trabalhadores que legalizam as suspensões sem remuneração, como fez Salón Vip deixando na rua os seus mais de 70 trabalhadores em Santiago, e facilitam as centenas de demissões como fizeram com os terceirizados da Latam-Sky-Jetsmart na rampa da Acciona a nível nacional.

Enquanto os gerentes trabalham em suas casas, nós, os trabalhadores, estamos expostos diretamente ao contágio, sem proteção à saúde, sem EPIs adequados, sem direito de falar, reutilizando máscaras por 3, 5 ou 7 dias. Estamos, na verdade, sem saber se chegaremos vivos a nossas casas. Nos chantageiam com o salário, ou adoecemos ou morremos de fome em um momento onde os empresários se preparam para que a crise econômica em curso seja paga por nós e nossas famílias.

Chega de negociações, que os sindicatos aeroviários organizem uma resposta: Nenhuma demissão e nenhum corte salarial.

Enquanto nossa estabilidade no trabalho e nossa saúde estão pendendo por um fio, tanto as transnacionais como ACCIONA e JETSTMAR, e os proprietários da LATAM Piñera e Cueto, junto aos Paulmann da SKY protegem seus lucros buscando resgates com os governos e os bancos, assegurando suas fortunas, que no caso da LATAM possui um retorno financeiro de 1,5 milhões de dólares, sem dúvida somos nós que iremos pagar pela crise.

Desde a Agrupação de Trabalhadores Aeroviários de Despegue acreditamos ser um escândalo que as direções sindicais tenham deixado passar todos esses ataques sem dar nenhuma resposta e sem consultar os sindicalizados. Uma declaração concisa dizendo que “não puderam negociar”, com uma hashtag em 22 de março que dizia #ViverComAMetade. É insuportável. Milhares de trabalhadores tiveram que assinar anexos de contrato que previa cortes salariais brutais. Centenas foram demitidos e suspendidos, e nem sequer existem garantias de que iremos seguir trabalhando depois de maio. É preciso seguir o exemplo dos trabalhadores da Argentina, que se negaram a pagar pela crise.

Permitir todo tipo de arbitrariedade hoje irá permitir os empresários de fazer o que quiserem com nossas vidas amanhã.

É urgente revertermos essa situação. Os grande sindicatos nacionais devem organizar a defesa do salário e dos postos de trabalho, com assembleias gerais em todos os setores levantar comissões de higiene e segurança para garantir todos os suprimentos e a vida dos trabalhadores.

No norte do país, na região mineira de Antofagasta os trabalhadores já vêm avançando com essa perspectiva.. Que a crise seja paga por Piñera, os Cueto, os Paulmann, Acciona e os Jetsmart. Temos que nos levantar, basta de sindicatos pró-empresa.

Somos nós, os trabalhadores aeroviários, que colocamos em movimento uma das indústrias estratégicas para o país e o mundo. Os empresários só têm enriquecido durante anos de nosso trabalho, de fundos estatais, de fundos que injetam as AFP (932 milhões de dólares no caso da LATAM), e o que é mais repudiável, a privatização de empresas que pertenciam ao país, como fez Piñera e Cueto com a Linha Aérea Nacional (LAN, atual LATAM).

Que a crise seja paga por Piñera, os Cueto, os Paulmann, Acciona e os Jetsmart com impostos progressivos nas suas fortunas pessoais e seus lucros multimilionários. Como pode ser possível que o Estado subsidie com o dinheiro de todo país os negócios de alguns poucos enquanto cortam salários, suspendem e demitem?

Não queremos resgates aos ricos bilionários, necessitamos nacionalizar a indústria aérea, por isso exigimos a nacionalização sem indenização das companhias, sob gestão direta dos seus trabalhadores para colocá-la à serviço de toda população. Os sindicatos aeroviários precisam se colocar à disposição dessa luta e não mais como sindicatos pró-empresas.

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