Política

AJUSTES DO GOVERNO DO PT

Cortes sociais e demissões. Onde está CUT, UNE e o plano de luta contra o ajuste?

Negociatas partidárias em meio aos cortes bilionários nos serviços sociais, demissões em massa e recordes de desemprego e muita submissão ao imperialismo. Essa é a disposição do PT para atacar e governar. Onde está a disposição das entidades para lutar sendo que tanto discursam contra os ajustes?

quarta-feira 6 de abril de 2016| Edição do dia

Nos últimos dias Lula mostrou que está disposto a todo tipo de acordo com os partidos mais conservadores para manter a governabilidade e salvar Dilma, seu capital político servirá especialmente a este objetivo. Quando Dilma declara que Lula no governo servirá para ajudá-la em tudo que puder e fortalecer seu governo, não está mentindo, toda sua oratória e persuasão estarão a serviço de negociar muitos cargos em troca de votos contra o impeachment, não para resistir à pressão imperialista contra os direitos dos trabalhadores, mas para garantir mais três anos de ataques hipócritas, enquanto as entidades que estão sob seu controle seguem caladas, como foi durante esses 13 anos.

A "liberdade" com que Lula negocia com Maluf, a "liberdade" com Lula e Dilma planejam ajustes, mesmo que diferentes dos defendidos por Temer são reflexo da falta de luta contra os ajustes de "seu governo" por parte dos sindicatos e da CUT. A própria fortaleza que a direita se viu para tentar manobras golpistas e para articular um programa tão neoliberal como a "Ponte para o Futuro" de Temer tem em última instância o mesmo fundamento. Não lutar contra os ajustes, permitir a entrega dos anéis dá coragem à direita pedir os dedos.

A falta de luta, de exigência sequer, contra "seu" governo que permite, em última instância, esta situação. CUT, UNE, CTB, discursam contra os "ajustes" mas sem nunca colocar os pingos no is, e muito menos organizar a classe trabalhadora para luta com seus métodos como greves, piquetes, manifestações, um verdadeiro plano de lutas que barre os ajustes, as demissões e o impeachment.

Os cortes sociais, educação como exemplo do impacto:

Os cortes na educação não param de acontecer, são quase incontáveis desde o começo do ano passado quando começaram com mais força, mas para se ter uma ideia já foram mais de 18,66 bilhões de reais cortados da Educação. Isso significa menos 2 milhões de vagas no PRONATEC, cerca de 66% a menos de vagas em relação ao ano de 2014. Significa também um corte pela metade no investimento do FIES, de R$ 4,8 bilhões em 2014 para R$ 2,5 bilhões no ano seguinte. Significa que nas universidades federais o corte de orçamento chegou a mais de um terço do total, comprometendo estrutura, pagamento dos funcionários e assistência estudantil em larga escala.

A UNE e organizações que defendem, mesmo que criticamente, o governo como o Levante, falam contra os ajustes, falam em defesa da educação, mas onde está o plano de luta contra tamanho corte?

Avança as demissões e o desemprego

O IBGE registrou que o desemprego atingiu 8,2% em fevereiro, sendo a maior taxa de desemprego registrada desde maio de 2009, quando o país ainda vivia o primeiro impacto da grande crise econômica mundial que começou em 2008, com o crash do sistema de hipotecas dos EUA. A taxa de jovens desempregados também bateu recorde e está pela primeira vez desde 2007 acima dos 20%. A combinação desemprego e trabalho precário é a verdadeira cara dos últimos anos do governo do PT, durante os quais, quando houve expansão, ela aconteceu com terceirização e baixa de direitos trabalhistas.

Além disso os ataques sobre os trabalhadores não param de crescer. Recentemente foi anunciado um Plano de Demissões Voluntárias (PDV) para cortar 12 mil postos de trabalho na Petrobrás. No ano passado o governo começou a implementar ataques como o Programa de Proteção ao Emprego (PPE), que conta com o apoio das burocracias sindicais e quer reduzir o salário e as jornadas de trabalho; ou a PL 4330 que amplia a tercerização e, assim, a precarização do trabalho. As demissões em diversos setores se ampliam cada vez mais, como foi na GM em São José dos Campos ou o fechamento das plantas da MABE em Campinas e Hortolândia, ou a fábrica Mardel, que levaram à resistência dos trabalhadores com ocupação das fábricas, uma das quais foi brutalmente reprimida pela polícia nesse fim de semana. Apenas no último ano, foram fechadas 4.451 fábricas só em São Paulo, e apenas em janeiro foram fechados 14,5 mil postos de trabalho na indústria paulista.

A inflação tem corroído o poder aquisitivo dos trabalhadores, com reajustes que chegam, em média, a 10% frente a uma inflação de 11,3%, sendo que em muitas categorias a desvalorização real do salário é muito pior. E se depender do governo as coisas tendem a piorar, com o recém-anunciado pacote de ajuste fiscal que irá reduzir gastos públicos cortando em serviços essenciais à população e aos trabalhadores, além de congelar salários de servidores e os salários mínimos estaduais.

Esse impacto frente ao desinvestimento na educação, os dados sobre demissões e desemprego são parte do tamanho dos ataques do governo aos trabalhadores e à juventude, por isso é tão concreto lutar para barrar esse impeachment que é um mecanismo para aprofundar ainda mais os cortes e ajustes de todo tipo, fazendo uma luta que se dará de maneira efetiva através dos métodos da luta de classes combatendo cada um dos cortes.

A realidade é que hoje os setores mais conservadores da política e da economia só se atrevem a querer um golpe institucional para ter um governo mais duro para impor ataques maiores é porque durante todos os anos do governo do PT as grandes entidades de massas da classe trabalhadora e da juventude com a CUT e UNE como expoentes, serviram para barrar qualquer crítica e luta contra “seu governo”. Por este motivo também é indissociável a luta contra o impeachment de uma verdadeira luta contra os ajustes.

Vemos hoje alguns exemplos de luta e resistência dos trabalhadores, como foi o caso da MABE. Contudo, frente à inação e a traição das burocracias sindicais, que se mobilizam para defender Dilma, mas não movem um dedo para unificar e levar à vitória a luta dos trabalhadores, essas iniciativas heroicas dos trabalhadores têm permanecido isoladas e, salvo raras exceções, sido derrotadas pela impossibilidade de fazer vencer uma luta sem uma organização forte e a articulação com outras categorias e setores em luta. Por isso que é fundamental exigirmos de cada sindicato e central sindical que coloque suas forças e seu peso social a serviço de articular as lutas e fazer com que vençam, com um plano concreto de combate a todos os ataques que vêm sendo despejados sobre a cabeça dos trabalhadores, da juventude e do povo pobre para salvar os lucros dos capitalistas.

Não podemos admitir que a legítima luta contra o impeachment, um verdadeiro golpe institucional da direita para poder atacar mais duramente, seja convertida pelos burocratas sindicais em um louvor ao governo que há mais de uma década vem sendo o principal protagonista dos ataques aos trabalhadores. Se são tão próximos do governo, se podem sentar-se sempre com Dilma, com Lula porque nunca exigiram um projeto de lei que proibisse demissões, porque nunca exigiram tirar da dívida pública os recursos para a educação? Porque não mobilizam efetivamente contra a entrega do pré-sal, entre vários exemplos? Para impedir os ataques que estamos sofrendo e lutar contra o impeachment é necessário muito mais que falar contra o ajuste. É preciso um plano de lutas para barrar os ataques e levantar uma grande mobilização independente que seja capaz de impor uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana para atacar também os privilégios dos políticos e resolver os problemas reais dos trabalhadores e jovens do país.




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