Mundo Operário

Controlador de tráfego da Indonésia perde a vida para salvar centenas em terremoto na ilha

Na última sexta, 28, a Indonésia passou por um terrível desastre natural: um terremoto de magnitude 7,5 seguido de um tsunami atingiram o país e já deixaram mais de 800 mortos, 500 feridos e dezenas seguem desaparecidas. Em meio a isso, ecoou pelo mundo o nome de um jovem trabalhador indonésio e seu ato de heroísmo, que perdeu a vida para salvar outras centenas.

Iaci Maria

Estudante de Pedagogia da PUC-SP

segunda-feira 1º de outubro| Edição do dia

Anthonius Gunawan Agung, de 21 anos, era controlador de tráfego do aeroporto de Palu, no centro da ilha de Sulawesi, e estava da torre de controle autorizando a decolagem de um vôo quando o tremor teve início e todos seus colegas evacuaram a torre. Mas Anthonius não. O jovem trabalhador se manteve na torre até que o avião decolasse para então sair, e teve que pular do quarto andar para fugir do prédio já em ruínas.

Mostrando ainda mais sua força e vontade de lutar pela vida, Anthonius sobreviveu a queda e chegou a ser encaminhado para o hospital, mas infelizmente não resistiu aos ferimentos e perdeu a vida enquanto aguardava a transferência para outro hospital mais especializado e com mais equipamentos. Sendo considerado como um ato de heroísmo, o trabalhador abriu mão de sua jovem vida e, com isso, salvou a vida de centenas de pessoas que estavam decolando no momento em que o terremoto teve início.

"Agung se dedicou ao trabalho até o fim da vida e não deixou a torre de controle até o avião decolar", disse um representante da agência de navegação aérea, que o promoveu postumamente como forma de homenagem. Mais do que se dedicar somente ao trabalho até o fim da vida, Anthonius se dedicou à vida até o fim da vida, e se viu ali não apenas como um simples trabalhador, mas alguém que, com consciência do seu trabalho, foi sujeito de tomar rápidas decisões em prol da vida de outras centenas de pessoas.

Vivemos tempos em que o capitalismo se esforça para fortalecer nas pessoas o individualismo, e isso não é simplesmente um aspecto moral desse sistema de exploração, mas uma ferramenta da alienação, para que o trabalhador não se veja como sujeito parte de um todo, de uma classe, que enquanto classe constroi a sociedade – e enquanto classe pode também subverter a ordem da dessa sociedade e construir um mundo novo. Querem o trabalhador apenas como extensão da máquina. Mas Marx e Engels já diziam no famigerado Manifesto do Partido Comunista que a burguesia cria os meios de exploração, mas cria também seu próprio coveiro: a classe trabalhadora. Ao construir um modo de exploração coletivo, por mais que busque a alienação e o individualismo, coloca a classe trabalhadora lado a lado, enquanto classe, enquanto um só sujeito.

Anthonius Gunawan Agung, em uma situação-limite de um desastre acontecendo, teve a consciência de que sua posição ali enquanto trabalhador poderia salvar centenas, teve consciência de classe e superou o individualismo imposto por um sistema de miséria, opressão e exploração. Hoje, a classe trabalhadora do mundo saúda e homenageia Anthonius, por seu ato de heroísmo. Desde o Brasil também o saudamos e homenageamos, por seu ato heróico e sua consciência de classe que infelizmente lhe fez perder a vida, mas para salvar tantas outras.

A classe trabalhadora é uma e sem fronteiras. Anthonius e todos trabalhadores, jovens e população da Indonésia que perdeu a vida nesse desastre: presente!




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