Política

REFORMAS

Confederação Nacional da Indústria quer indiretas já para aprovar reformas o quanto antes

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade, soltou um comunicado à nação na manhã dessa terça defendendo que a Constituição seja respeitada e as reformas não sejam paralisadas. Para a burguesia industrial, não existem obstáculos que justifiquem atrasar ainda mais a aprovação dos ataques aos direitos dos trabalhadores: clamam por indiretas já.

Iaci Maria

Estudante de Pedagogia da PUC-SP

terça-feira 23 de maio de 2017| Edição do dia

No comunicado, Robson Andrade diz que tanto a CNI como as Federações das Indústrias dos estados reiteram sua confiança nas instituições brasileiras. Isso não é de se espantar, se lembramos que a CNI, junto à FIESP, foi um dos setores mais entusiasta do golpe, defendendo o impeachment com a mais plena confiança de que Temer garantiria a aprovação de cada reforma e retirada de direitos dos trabalhadores. Logo da aprovação do impeachment no Senado, a CNI entregou diretamente ao presidente golpista suas exigências para destruir os direitos trabalhistas.

O atual comunicado do presidente da CNI apenas reforça os interesses da burguesia industrial: que as reformas da previdência, trabalhista, tributária e política sejam aprovadas o quanto antes. Isso porque a CNI defende fortemente a expansão da terceirização, assim como diz sem nenhum pudor que a reforma trabalhista deveria alterar a carga horária de trabalho no Brasil para 80h semanais.

Assim como já mostrado aqui, os empresários industriais aproveitam o desemprego para aumentar seus lucros, mostrando como o único interesse desse setor é que os capitalistas sigam lucrando enquanto os trabalhadores pagam pela crise. Cada passo avançado em direção à aprovação das reformas, é um peso da crise a mais descarregado nas costas dos trabalhadores e a juventude, que veem seus futuros serem vendidos em troca de aumentar o lucro dos capitalistas.

No último dia 18, logo após a divulgação das delações da JBS que envolvem Temer nos escândalos de corrupção, a CNI já havia soltado uma nota em seu site defendendo que era necessário seguir “lutando pelo país”, o que eles entendem por seguir defendendo mais do que nunca a aprovação das reformas e ataques. Já no comunicado da manhã de hoje, ainda complementam que é preciso solucionar a turbulência política em conformidade com a Constituição Brasileira, o que significa uma defesa de que haja eleições indiretas para presidente, que garantam o quanto antes que um representante dos seus assuma rapidamente a aprovação dos ataques que vão garantir aos industriais seguir com seus lucros.

Se de um lado a burguesia industrial, os empresários e capitalistas querem fazer os trabalhadores pagarem pela crise, invocando inclusive a Constituição para isso, de outro fica a cada minuto mais urgente que os trabalhadores se organizem para derrubar esses ataques. Nessa terça já há dezenas de ônibus de todo país saindo para Brasília, para ocupar o planalto contra as reformas e o governo golpista, e no último dia 28 de abril os trabalhadores mostraram seu potencial ao cruzar os braços na greve geral. Infelizmente não houve uma grande mobilização a partir das centrais sindicais para levar centenas de milhares para Brasília. As grandes centrais precisam urgentemente marcar uma nova greve geral por tempo indeterminado, até que caiam todas as reformas que querem acabar com nosso futuro e também caia Michel Temer.

Que a partir da força dessa luta seja imposta uma nova Constituinte, onde delegados da classe trabalhadora e da juventude, eleitos em cada local de trabalho e estudo, construam uma nova Constituição, que passe primeiramente por anular as emendas já aprovadas, como a PEC 55, e pense saídas para a crise econômica que passem não por tirar direitos dos trabalhadores, e sim por tirar privilégios dos políticos e juízes, retirando seus benefícios e definindo seus salários iguais ao de uma professora, assim como decidir pelo não pagamento da dívida pública e acabar com a sede de lucro dos empresários, com a estatização das empresas privadas como a JBS e Odebrecht, que lucram milhões com a corrupção, bancam os políticos corruptos e ainda saem impunes após ganharem o prêmio da delação.




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