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Campinas | Comunidade escolar faz atos contra fechamento do noturno na Escola Reverendo Nogueira

Professores, estudantes da Escola Estadual Reverendo Professor José Carlos Nogueira no município de Campinas (SP) que estão na luta contra o fechamento do período noturno fizeram atos ontem (9) em frente à escola e hoje (10) na Diretoria de Ensino Oeste de Campinas. Esse é mais um ataque contra a educação que Dória e Rossieli querem impor para expulsar das escolas os estudantes que precisam estudar de noite, pois a maior parte trabalha.

sábado 11 de setembro | Edição do dia

Essa ameaça do fechamento do período noturno do Nogueira é um ataque absurdo aos estudantes da região de periferia de Campinas dos bairros Vila Boa Vista, Parque Via Norte, Shalon, Parque Universal, que significaria terem que estudar muito distante de onde moram no centro da cidade, pegando ônibus muito tarde. Seguindo o projeto de ataques à educação Doria e Rossieli estadualmente, assim como Bolsonaro a nível federal, estão unificados para cortar o orçamento da educação. O discurso da diretoria de ensino é de que o noturno é de baixa qualidade e gera gastos ao Estado, ou seja, uma perspectiva de precarizar mais ainda a educação pública e atingindo mais forte aqueles estudantes que precisam trabalhar.

Nessa mesma escola recentemente foi ameaçada por dois anos consecutivos de ser transformada em PEI (Programa de Ensino Integral) de forma totalmente antidemocrática, no meio da pandemia, sem consultar a comunidade escolar, do jeito que o Doria gosta. Esse tucano quer se destacar nacionalmente como o governador que conseguiu impor primeiro a Reforma do Ensino Médio que foi aprovada ainda no governo Temer em 2017, mostrando ao que o golpe institucional veio: declarando a educação como um dos principais alvos do regime golpista. Dentro dessa reforma tem a exigência que as escolas sejam integrais, porém sem nenhuma estrutura para oferecer aulas todo período, além disso, permite que parte da carga horária do ensino médio se preenchida por instituições particulares e haverá um achatamento da carga horária de ensino básico.

O sentido dessa Reforma do Ensino Médio, que unifica tucanos, Bolsonaristas, centrão, vem para aprofundar ainda mais o habismo entre os poucos estudantes da escola pública que conseguirão furar o filtro social do vestibular para cursar um ensino superior daqueles estudantes que terão que ingressar cada vez mais cedo no mercado de trabalho, a maioria. Portanto, para ajudar as suas famílias nas compras e contas cada vez mais caras na crise que estamos enfrentando, esses jovens precisam trabalhar. Por isso o fechamento do noturno no Nogueira, a imposição do PEI em centenas de escolas que também significa a extinção do período noturno, escancaram como os governos querem tirar o direito ao estudo de trabalhadores jovens e aqueles que precisam do EJA.

Para enfrentar esses ataques, a comunidade escolar do Nogueira conseguiu barrar as duas tentativas de impor que a escola virasse PEI. E novamente, como uma clara retaliação, a diretoria de ensino quer fechar o ensino noturno, alegando de forma mentirosa que não existe demanda. Os próprios professores, estudantes, familiares sabem da necessidade de muitos na região. Existe uma burocracia que dificulta muitos alunos comprovarem que trabalham para ter esse direito, pois muitos deles estão em trabalho informal, sem registro, e são com esses dados irreais que a diretoria usa como argumento que precisa fechar o período.

A comunidade escolar começou responder em um primeiro momento criando um comitê para organizar ações contra o inadmissível encerramento do período noturno da escola. Organizaram uma importante assembleia da escola aberta a apoiadores e definiram ações, com datas dos atos que aconteceram ontem e hoje. É um importante exemplo de autoorganização para enfrentar os projetos de precarização da educação que Doria e Bolsonaro estão impondo. A partir dessa organização, foi possível conseguir o apoio de centrais como a CSP-Conlutas, Interssindical, sindicatos como dos metalúrgicos, movimentos sociais, entidades estudantis,o Movimento Nossa Classe Educação esteve presente e figuras parlamentares do PT, PCdoB e PT.

Toda essa organização dos professores, estudantes e familiares conseguiu pressionar para que o sindicato da Apeosp finalmente apoiasse. Porém, sendo um dos maiores sindicatos da América Latina, ainda é necessário algo que não foi organizado até agora: reuniões de Representante Escolares, assembleias e reuniões de base em cada escola, pois não podemos esperar os ataques chegarem como está acontecendo no Nogueira e várias escolas para se mover, é urgente articular agora todas escolas do estado para enfrentar de conjunto o governo Doria. É apenas confiando em nossas próprias forças, com autoorganização, apoiando processos de luta de trabalhadores que estão acontecendo no pa[is que podemos barrar esses ataques!




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