Educação

Começa o 30º Congresso do SINPEEM: Acompanhe a participação do Nossa Classe Educação

terça-feira 22 de outubro| Edição do dia

Nesta terça-feira, dia 22 de outubro, sob o ecoar de processos massivos de luta de classes na América Latina, com a juventude e os trabalhadores se negando a pagar pela crise no Equador e no Chile, além da forte luta também na Espanha, Catalunha, Haiti e Líbano, se inicia o 30º Congresso do SINPEEM, sindicato dos professores e educadores do município de São Paulo.

O Movimento Nossa Classe Educação estará no congresso com professores de diferentes regiões da cidade, batalhando por um sindicato e por debates que armem a categoria para as tarefas e necessidades do próximo período.

Você poderá acompanhar toda a intervenção pelo portal de notícias Esquerda Diário e pela página no Facebook do Movimento Nossa Classe Educação.

Veja abaixo o material para o primeiro dia do congresso, que irá até quinta-feira, dia 24 de outubro.

A juventude e os trabalhadores podem derrotar Bolsonaro! Organização de base para tomar as ruas e derrotar os ataques como no Chile e Equador!

Sob o ecoar de processos massivos de luta de classes na América Latina, com a juventude e os trabalhadores se negando a pagar pela crise no Equador e no Chile, além da forte luta também na Espanha, Catalunha, Haiti e Líbano, se inicia o 30º Congresso do SINPEEM.

Nós, professoras, professores e trabalhadores da educação, que esse ano fizemos uma dura greve contra a Reforma da Previdência de Bruno Covas, marchamos ao lado da juventude contra os ataques de Bolsonaro e Weintraub à educação e aos trabalhadores, e à revelia das centrais sindicais e os partidos que as dirigem, os quais chamaram os trabalhadores a ficar em casa na Greve Geral de 14J, fechamos nossas escolas e tomamos as ruas contra a Reforma da Previdência de Bolsonaro.

Temos agora uma grande tarefa: nos organizar desde a base e com os métodos de luta dos trabalhadores, com comandos, assembleias, greves, atos de rua, para derrotar Bolsonaro e o seu plano de descarregar a crise em nossas costas. O cenário que se desenha, por pior que sejam os ataques hoje e mais reacionária que esteja a situação, é de grandes crises entre os de cima e convulsões entre os debaixo, e os trabalhadores e a juventude em todo o mundo já mostram o caminho. Este é o principal debate a ser travado nesse Congresso, pois cada golpe desferido contra nossa classe atinge em cheio a escola pública, exatamente porque no chão da escola vemos os efeitos dos ataques à vida dos trabalhadores e dos seus filhos, assim como em nossas condições de trabalho. E nossa categoria, sempre nas linhas de frente da vanguarda, tomará em suas mãos os principais processos que precisam se desenvolver no país para enfrentar essa crise.

Nesse mesmo período do ano passado, tivemos a coragem de dizer NÃO a Jair Bolsonaro, aprovando um posicionamento contrário à sua eleição em nosso Congresso, que se deu entre o primeiro e o segundo turno das eleições presidenciais de 2018. Hoje, um ano depois, seguimos resistindo após sua vitória no processo eleitoral mais manipulado da história pelo arbitrário Poder Judiciário por meio da Lava-Jato de Sérgio Moro, continuidade do golpe institucional de 2016, desferido contra a classe trabalhadora antes de qualquer coisa, que levou ao impeachment de Dilma e se aprofundou com a prisão arbitrária de Lula, a qual denunciamos sem prestar nenhum apoio político ao PT, que com sua estratégia de conciliação de classes e aliança com essa direita nos trouxe até aqui, exigindo a libertação imediata de Lula e que todos os casos de corrupção sejam julgados por júri popular e não por esse judiciário golpista e a serviço dos empresários.

Esse governo, sustentado pelos setores mais reacionários da burguesia brasileira e do imperialismo norte-americano, condensa em si o único grande acordo de todos esses setores: descarregar as contas da crise capitalista, que já dura mais de uma década e tende a se aprofundar, sob as costas da nossa classe, a classe trabalhadora, não só no Brasil mas em todo o mundo.

Os educadores e a educação na mira do bolsonarismo

Desde sua campanha, Bolsonaro já vociferava contra nossa categoria, uma vez na presidência, nos elegeu como seu inimigo número 1, sendo o principal expoente de todo um setor que levanta bandeiras como a do Escola sem Partido, contra o livre pensamento da juventude e pela militarização como saída para violência que atravessa as escolas, fruto da miséria de vida do povo pobre. Isso porque odeiam tudo o que os professores e a educação pública representam, odeiam o fato de que nós, educadores da escola pública, tomamos partido... e não poderíamos deixar de fazê-lo diante dos infinitos fios de miséria e opressão que perpassam a escola cotidianamente. Uma escola que mantém as portas abertas para desenvolver o pensamento crítico dos filhos dos trabalhadores e por ondem passam todos os setores oprimidos da nossa classe, mulheres, negros, LGBTs, indígenas, imigrantes.

Se nos declararam guerra, não tenhamos dúvidas de que é porque somos também parte de seus principais oponentes, somos parte e nos relacionamos profundamente com a única classe que pode oferecer, de fato, uma ameaça ao poder deles, a classe trabalhadora.

Tirar as lições da luta contra o SAMPAPREV e as Reformas para derrotar Bolsonaro e os ataques No âmbito municipal, vimos o SAMPAPREV ser aprovado depois de anos de resistência da categoria a esse projeto, em nível federal, a Reforma da Previdência de Bolsonaro tramita a passos largos sem nenhum plano de lutas nacional e vem para aprofundar os ataques que já sofrem os trabalhadores desde a aprovação da Reforma Trabalhista aprovada pelo golpista Michel Temer em 2016. Apesar disso, as mobilizações mundo afora mostram que a entrada em cena dos trabalhadores e da juventude pode barrar esses ataques e mudar o curso da situação.

As lições a serem tiradas desses processos que vivemos e das estratégias que nos trouxeram até aqui são decisivas para o curso das próximas lutas. Achamos fundamental superar a atual política das direções dos trabalhadores, como a UGT, que recentemente traiu a forte greve dos motoristas do transporte, a Força Sindical, a CGT, assim também como da CUT, dirigida pelo PT, e a CTB, do PCdoB, que mostraram ter uma mesma estratégia de divisão das categorias e desmobilização, com a ausência de um plano de lutas unificado por assembleias de base em todo o país, assim como as direções dos sindicatos de professores e do funcionalismo aqui no município de São Paulo, seja na luta contra o SAMPAPREV ou contra a Reforma da Previdência.

Ao fragmentarem o funcionalismo e a classe trabalhadora, brigando inclusive entre si em cima do mesmo palanque, ignoraram a necessidade de unificar e massificar a luta para disputar o apoio de toda a população e a unidade das demais categorias contra Covas e Bolsonaro, para que, aí sim, pudéssemos vencer. Também se repetiu aqui a estratégia de pressão meramente parlamentar e confiança no “vira-voto”, que separada de desenvolver a luta de classes e a confiança apenas em nossas próprias forças serve apenas como um obstáculo para nossa auto-organização e para a radicalização de nossas lutas – política essa adotada pelos partidos da oposição, inclusive os de esquerda, como o PSOL, para enfrentar Bolsonaro e a Reforma da Previdência, que, depois de aprovada em 2 turnos na Câmara dos Deputados, caminha para 2ª votação no Senado.

Somente um balanço profundo desses processos pode nos colocar de volta no caminho da luta de classes, que impediu até aqui que nos tirassem o direito à aposentadoria e que pode nos permitir derrotar e reverter cada ataque de Bolsonaro e dos patrões, assim como fizeram os trabalhadores e os estudantes equatorianos e chilenos.

Organizar a luta por todas as Ágathas e Marielles

Também não podemos deixar de refletir os ataques ideológicos aos setores oprimidos, que se aprofundam diante do discurso reacionário de Bolsonaro e seus agentes, como Damares Alves e Janaína Paschoal.

Vivemos uma escalada da violência contra a mulher e seus desdobramentos como o feminicídio, cultura do estupro e muitos ataques aos poucos, e insuficientes, direitos que temos sobre os nossos corpos – debate esse muito caro à nossa categoria, majoritariamente feminina, de muitas mães solteiras e que vivem uma realidade de duplas e triplas jornadas de trabalho; assim como vivenciamos uma realidade de crescimento exponencial de genocídio e encarceramento da juventude negra (que o pacote anticrime de Sérgio Moro ainda quer regulamentar), que produz todos os dias vítimas como a menina Ágatha Félix, de apenas 8 anos, como muitos de nossos alunos, executada pelas mãos da Polícia assassina de Witzel no Rio de Janeiro, assim como Evaldo Rosa ou Marielle Franco, a quem seguimos exigindo justiça e uma investigação independente, porque não confiamos nessa justiça arbitrária.

Precisamos dizer que nossas vidas negras importam, que não aceitaremos nenhum direito a menos sobre os nossos corpos. Basta de morrer e ver nosso povo morrer pela mão armada do Estado ou vítimas da violência de gênero. Para tratar esses problemas, sem seguir separando as lutas políticas das lutas econômicas, enxergando que são parte de uma mesma luta contra os ataques aos trabalhadores e suas camadas mais oprimidas, que somente nós podemos dar uma resposta de fundo a esse problema e que, ao mesmo tempo, são esses setores os que lutarão mais bravamente contra essa situação, defendemos a criação de uma secretaria de negros e negras no SINPEEM, assim como de uma secretaria de mulheres, com representantes eleitas pela base da categoria.

O saldo da “IV Revolução Industrial” aos professores da rede pública é a precarização do trabalho docente

Debater hoje os impactos na educação desse processo que chamam de “IV Revolução Industrial” passa por entender que até aqui o que chegou à nossa categoria e ao conjunto dos trabalhadores é muito pouco de tecnologia e muito de precarização e intensificação do trabalho, a chamada “uberização”, que já mata e adoece não só os professores, mas o conjunto da classe, cujos filhos – nossos alunos – vemos sair da escola sem qualquer perspectiva de um futuro decente, privados cada vez mais, através dos novos currículos, de pensamento crítico e reflexivo, condenados a abrir um aplicativo e colocar uma caixa de isopor nas costas para entregar comida e outros produtos de bicicleta, numa realidade ainda pior que a de seus pais, que para trabalhar foram condicionados à terceirização que mata, escraviza, humilha e divide nossa classe.

Por tudo isso também dizemos não à “uberização” do trabalho docente e à privatização da educação pública, nos posicionando também contra esse processo em curso na rede municipal através da imposição precária da escola de tempo integral, que em nada se assemelha à concepção de educação integral, mas à intensificação do trabalho docente sem qualquer valorização profissional; assim como aos intentos privatistas como o PL 68, de autoria de Cláudio Fonseca, vereado do Cidadania, presidente do SINPEEM e contraditoriamente base do Prefeito Bruno Covas na Câmara e que agora quer aprovar uma lei que entrega o restante das CEIs e creches municipais à administração indireta, em vez de lutar contra a privatização e a divisão da nossa categoria entre efetivos e contratados, como é hoje.

Com democracia de base para debater e decidir, tomando em nossas mãos a tarefa histórica que se apresenta a nós, diante da potencialidade de nossa categoria que se reúne com milhares de delegados de todas as escolas da cidade de São Paulo, tiremos desse 30º Congresso as bases para enfrentar, em unidade com toda a classe trabalhadora, e derrotar nossos inimigos nas batalhas que se avizinham, como já anunciam nossas irmãs e irmãos de classe pelo continente e por todo o mundo!




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