Educação

Com manobras contábeis, reitoria da Unicamp nega aumento de 3,5% para os trabalhadores

Ronaldo Filho

Professor da rede estadual do RJ

terça-feira 13 de março| Edição do dia

Em entrevista ao jornal Metro em 18/01/2018, Marcelo Knobel age como advogado do governo de SP e mente descaradamente sobre a arrecadação do ICMS:

JM-É que o governador já declarou várias vezes que a prioridade dele não é o ensino superior

MK-Não, mas o nosso repasse é garantido, tem sido continuamente. Está previsto os 9,57% e isso em nenhum momento sofreu qualquer diminuição. Então, nesse sentido, a gente tem recebido o repasse do governo. A questão é que vivemos um momento de crise bastante importante e que o ICMS caiu muito.”

O ICMS de fevereiro teve um crescimento nominal de 18%, em comparação com fevereiro de 2017. No acumulado do ano esse crescimento foi de 13,7%. Isso fez o gasto com folha na Unicamp cair de 103.63 em fevereiro de 2017 para 90,51% em fevereiro de 2018.

Mesmo com este cenário positivo de arrecadação o Reitor da Unicamp em reunião com o STU, em 26/02, se recusou a estender os 3,5% concedidos aos que ganham acima de R$ 21.631,05 a todos os servidores da Unicamp. Com um discurso indicando que seria injusto com os que recebem salários no teto, ceder a exigência dos trabalhadores da Unicamp de terem um aumento no mesmo índice.

Knobel, em nenhum momento, se referiu ao corte de gastos que tanto as universidades e seus programas de pesquisa, quanto a educação de conjunto, vêm sofrendo com a PEC dos 20 anos e o desvio de parcelas ainda maiores do PIB a cada ano para saciar os banqueiros através da dívida pública. Assim, Knobel e os demais reitores das universidades paulistas, vão seguindo a cartilha do governo Temer, avançando na precarização do trabalho sucateando a estrutura universitária e rebaixando, a passos largos, os salários dos trabalhadores.

Já no dia 02/03, o STU se reuniu junto ao fórum das seis para definir uma linha política e começar a construir um plano de ação contra os ataques e denunciar a linha pro-Temer dos reitores, como consta no boletim informativo do encontro.

“(...), os reitores continuam se escorando no discurso da crise para tentar impor medidas que apontam para o arrocho salarial e o desmonte das universidades estaduais paulistas. O panorama econômico, por sua vez, sinaliza um crescimento na arrecadação do ICMS, ao mesmo tempo em que mostra os salários despencando rapidamente. As categorias são chamadas a se mobilizar, como única forma de reverter esse quadro.”

É necessária atenção máxima dos trabalhadores aos movimentos da reitoria e do governo, assim como do próprio sindicato, pois o caminho escolhido por esse governo golpista é descarregar toda crise e ganância dos capitalistas sobre nas costas dos trabalhadores.




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