Educação

COTAS USP

Com 11.057 vagas, USP terá 225 reservadas para cotas raciais através do Sisu

Em 2016 13,5% das vagas da Universidade de São Paulo serão disputadas por meio do processo seletivo do ENEM, dessas, 225 vagas serão para alunos negros, o que representa apenas 2% do total de vagas da Universidade.

quinta-feira 30 de julho de 2015| Edição do dia

Há um mês a instituição divulgou apenas o percentual das vagas que seriam oferecidas através do Sisu, descriminando as vagas de ampla concorrência e as destinadas para alunos oriundos de escola pública. Apenas agora, depois da decisão nos institutos foram divulgados os números de vagas para cotas raciais, veja em quais cursos e quantas vagas estarão disponíveis em 2016:

Campus Butantã: Psicologia - bacharelado e psicólogo (11 vagas) e Relações internacionais -bacharelado (6 vagas).
Quadrilátero da Saúde (Clínicas): Saúde pública - bacharelado (4 vagas)
USP Leste (EACH): Sistemas de informação - bacharelado (36 vagas); Ciências da natureza - licenciatura (24 vagas); Gestão ambiental - bacharelado (24 vagas); Gestão em políticas públicas (24 vagas); Lazer e turismo - bacharelado (24 vagas); Marketing (24 vagas); Educação física e saúde (12 vagas); Gerontologia (12 vagas); Obstetrícia (12 vagas) e Têxtil e moda – bacharelado (12 vagas)

A Escola de Artes, Ciências e Humanidades(EACH) no Campus Leste é a unidade com maior número de vagas através do ENEM. Enquanto a média da Universidade é de 11,5%, na EACH são 30% das vagas pelo Sisu. Se tratando das reservas de vagas para negros a EACH também oferecerá 20x mais vagas.

Os cursos do campus da Zona Leste, e também os outros cursos que terão cotas raciais, com exceção de psicologia, são cursos novos e no caso da EACH também precários. Até o começo deste ano ainda repercutia os casos de contaminação que atingiram a comunidade acadêmica no campus que foi construído na Área de Proteção Ambiental do Parque Ecológico do Tietê.

Discursos sobre “democratização” do ensino

Em nota a professora Maria Cristina Motta de Toledo, diretora da Unidade Leste declarou: "A EACH se caracteriza por ser inclusiva desde a sua fundação". Já o professor Pedro Dallari, diretor da Unidade de Relações Internacionais, que defendeu contrário a implementação de cotas raciais no curso, mas perdeu na congregação, disse em declaração ao G1: “ampla concorrência é a única forma de permitir que todo jovem brasileiro tenha a chance de ingressar na USP", em contraposição as cotas raciais.

Com uma população negra nacional que, de acordo com o IBGE corresponde a 50,7% dos brasileiros e 34,6% em São Paulo, a USP, maior e mais respeitada universidade do país vai oferecer 2% de cotas raciais. No mesmo estado são os negros os mais assassinados e encarcerados pela polícia e serão ainda os mais atingidos pela proposta de redução da maioridade penal e de aumento das penas para menores que circulam no congresso com apoio de Dilma. O elitismo das universidades brasileiras é um pilar da desigualdade crônica da sociedade e parte de um plano dos governos e elites para manter o controle.

Foto do blog videosdodia




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