Gênero e sexualidade

ESPECIAL ROSA LUXEMBURGO: ÁGUIA DA REVOLUÇÃO

Clara Zetkin sobre Rosa Luxemburgo: “A obra da sua vida foi preparar a revolução”

Há 100 anos da morte de Rosa Luxemburgo, uma revolucionária sem igual.

terça-feira 15 de janeiro| Edição do dia

Tradução: Patricia Galvão

Traduzido do portal Izquierda Diario – Espanha – veja o texto original aqui

Rosa Luxemburgo foi assassinada aos 47 anos, no marco da insurreição dos Conselhos operários na Alemanha, sob a repressão de um governo socialdemocrata. Conselhos operários na Alemanha, sob a repressão de um governo socialdemocrata. Reproduzimos as palavras escritas por Clara Zetkin, sua grande amiga e camarada, após sua morte em 1919.

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Em Rosa Luxemburgo habitava uma indomável vontade. Sempre dona de si, sabia acender no interior de seu espírito a chama disposta a brotar quando faltasse e não perdia jamais seu aspecto sereno e imparcial. Acostumada a ter domínio de si própria, podia disciplinar e dirigir o espírito dos demais. Sua delicada sensibilidade a fazia buscar pontos de apoio para não se deixar abalar por impressões externas. Sob aquela aparente personalidade reservada, se escondia uma alma delicada, profunda, apaixonada, que não apenas incluía toda a humanidade, mas se estendia a todos os seres viventes, pois para ela o universo formava um todo harmônico e orgânico. Quantas vezes aquela a quem chamavam “Rosa a sanguinária”, cansada e atolada de trabalho, parava e voltava para salvar a vida de um inseto perdido entre plantas! Seu coração estava aberto a todas as dores humanas. Não lhe faltava tempo ou paciência para ouvir todos que a buscavam pedindo ajuda ou conselhos. Para si mesma, nunca precisava de nada e se privava de suas necessidades para dar aos outros. A disciplina que impôs a si própria e sua natural dignidade a ensinou a sofrer cerrando os dentes.

Dura consigo mesma, era toda indulgente com seus amigos, cujas preocupações e pesares a entristeciam mais que suas próprias tristezas. Sua fidelidade e abnegação estavam acima de qualquer prova. E aquela a quem chamavam fanática e sectária transbordava, cordialidade, inteligência e bom humor quando rodeada de amigos. Sua conversa encantava a todos. Em sua presença tudo o que era vulgar e brutal parecia desaparecer. Aquele corpo pequeno, frágil e delicado abrigava uma energia sem igual. Sabia exigir sempre de si mesma o máximo esforço e nunca falhava. E quando se sentia a ponto de sucumbir ao esgotamento de suas forças, impunha-se para descansar um trabalho ainda mais pesado. Trabalho e luta lhe davam fôlego. Da sua boca raramente saía um “não posso”; ao invés disso, eu “devo” sempre. Sua delicada saúde e as adversidades não ocupavam seu espírito. Rodeada de perigos e contrariedades, jamais perdeu a confiança em si mesma. Sua alma livre venca todos os obstáculos que a cercavam.

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Mehring está coberto de razão quando diz que Luxemburgo era a mais genial discípula de Karl Marx. Tão claro quanto profundo, seu pensamento brilhava sempre por sua independência. Ela não necessitava submeter-se a fórmulas rotineiras, pois sabia julgar o verdadeiro valor das coisas e dos fenômenos. Seu espírito lógico e penetrante se enriquecia com a instrução das contradições que apresenta a vida. Suas ambições pessoais não se satisfazia com conhecer Marx, com dominar e interpretar sua doutrina. Necessitava seguir investigando por conta própria e criar sobre o espírito do mestre. Seu estilo brilhante a permitia realçar suas ideias. Suas teses não eram jamais demonstrações secas e áridas, circunscritas nos quadros da teoria e erudição. Brilhantes sagacidade e ironia, em tudo vibrava sua emoção e se revelava um imensa cultura e fecunda vida interior. Luxemburgo, a grande teórica do socialismo científico, não caia jamais no pedantismo intelectual que aprende tudo no papel, mas não sabe alimentar a alma com conhecimento além da sua especialidade. Sua grande vontade de saber não conhecia limites e seu espírito aberto, sua enorme sensibilidade, a levavam a descobrir na natureza e na arte a fonte da alegria e da riqueza interior.

No espírito de Rosa Luxemburgo o ideal socialista era uma paixão avassaladora que tudo arrastava. Uma paixão que tomou a razão e o coração, que a devorava e a movia a criar. A única grande e pura ambição dessa mulher ímpar, a obra da sua vida, foi preparar a revolução que haveria de deixar o caminho aberto para o socialismo. Poder viver a revolução e participar de suas batalhas era para ela uma felicidade suprema. Com uma vontade de ferro, com um desprendimento absoluto de si mesma, com uma abnegação que não há palavras para expressar, Rosa se colocou a serviço do socialismo tudo o que era, tudo o que valia, sua pessoa e sua vida. Ofereceu sua vida à causa não apenas no dia de sua morte. Se doou, parte por parte, em cada minuto da sua existência de luta e trabalho. Por isso podia legitimamente exigir dos demais que entregassem tudo, inclusive suas vidas, em nome do socialismo. Rosa Luxemburgo simboliza a espada e a chama da revolução, seu nome ficara gravado por todos os séculos como uma das mais grandiosas e importantes figuras do socialismo internacional.

Veja também: O assassinato de Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht crimes da social democracia

Rosa Luxemburgo: Pensamento e Ação

A Boitempo e Edições Iskra lançam uma biografia inédita de Rosa Luxemburgo em Português no centenário de seu assassinato. Obra de Paul Fröhlich, seu companheiro de militância, retrata a vida da mulher que “terá sido a maior dirigente revolucionária mulher do último século” desde a sua infância até o seu assassinato. Assim como analisa suas mais importantes obras, retratando cada uma das batalhas que deu em defesa do marxismo e do socialismo em oposição à barbárie capitalista.

Aqui no Esquerda Diário, publicaremos diariamente textos de e sobre Rosa Luxemburgo e um Dossiê Especial no dia 15 de Janeiro, centenário de sua morte.

Acompanhem no Esquerda Diário nosso Especial: “Rosa Luxemburgo, águia da revolução” e também os lançamentos da Biografia que faremos em todo o país!




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