Política

OLÍMPIADAS DA REPRESSÃO

Beltrame vai pedir o reforço das Forças Armadas nas ruas do Rio de Janeiro durante os Jogos Olímpicos

O anúncio aconteceu ontem dia 19/05 após a reunião de Beltrame, secretário de Segurança do Rio, com o ministro da Defesa Raul Jungmann para discutir o policiamento na Rio de janeiro em 2016. O ministro informou que 3 mil homens do Exército, de Santa Catarina e de Minas Gerais, estão na cidade à disposição para qualquer emergência. Além dos 2 mil agentes da Força Nacional que atuarão no Rio durante os Jogos olímpicos. Completando assim o total de 9,6 mil homens da Força Nacional previsto no planejamento da segurança na Rio 2016. Raul Jungmann disse também, que pretende estar no estado durante o início e o término dos Jogos e vai propor aos demais ministros que estão envolvidos com as olímpiadas que venham para a capital fluminense no início e no encerramento das competições.

sábado 21 de maio de 2016| Edição do dia

Apesar de declarar que o exército seria para atuar nas áreas próximas aos jogos, o secretário não descarta a possibilidade de ocupação de áreas violentas . Segundo o pronunciamento do tenente-coronel Luciano Carvalho de Souza, integrante da equipe da Segurança, durante uma audiência pública na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio) no dia 12/05. Foi elaborado um estudo por militares e pela secretaria de Segurança do Estado do Rio que prevê ações em comunidades próximas às vias por onde irão passar turistas, autoridades e delegações de atletas. No estudo estão incluídas seis favelas, dentre elas manguinhos e Maré que estão próximas de uma das principais vias da cidade que é a linha amarela, e favelas próximas ao parque olímpico de Deodoro.

Este tipo de esquema de segurança não é nenhuma novidade no Rio de janeiro, parecido esquema foi utilizado em eventos como JMJ (Jornada Mundial da Juventude) e Copa do mundo onde o Complexo de Favelas da Maré foi ocupada pelo exército que lá ficou por 1 ano e 3 meses. Fortalecendo o processo de pacificação das favelas que tem sido implementado no Rio de Janeiro pelas UPPs (Unidades de Polícia pacificadora) desde 2008. Esse discurso de combate à violência e tráfico de drogas presente nesses territórios vem se concretizando como um projeto de genocídio da população pobre e negra do Rio.

Faltando menos de 80 dias para as olimpíadas, não é nenhuma novidade que o estado vá intensificar o aparato repressivo para garantir a segurança de turistas e atletas, mas isso tem um outro significado para a população moradora das favelas, concentrando a maior parte da população negra do Rio de Janeiro. Hoje, entorno de 15 favelas, totalizando 21 bairros da cidade (entre baixada, zona Oeste, zona Norte e Zona sul) andam em uma verdadeira guerra entre traficantes e com incursões das forças especiais das polícias. Nesse último mês, a favela do Jacarezinho teve 10 mortes, a favela do Jorge turco está em uma guerra contínua entre as facções criminosas, no morro da Providência os moradores vem sofrido com os abusos policiais e incursões da BOPE , no complexo do Alemão, onde foi instaurada a primeira UPP, tem tido vários conflitos entre os próprios policiais, e em Acari onde teve uma chacina á poucos meses, militantes de vários coletivos do local estão sendo ameaçados por denunciarem o que vem acontecendo dentro da favela.

Além desta violência presente nas favelas e periferias cariocas, não se pode esquecer que vários segmentos da educação no Rio estão em greve, não descartando também a possibilidade desse reforço do exército seja utilizado para que os PMs possam estar disponíveis para reprimir as mobilizações de professores, servidores e estudantes em luta que possam manchar a imagem do Rio de Janeiro neste instante que ele está sendo preparado para ser vitrine do Brasil.




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