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Bélgica: os imigrantes são a esperança para o país fazer história na Copa do Mundo

Com time repleto de imigrantes, algozes do Brasil se destacam enquanto o racismo cresce na Bélgica. São 11 jogadores com ascendência ou origem estrangeira, entre eles, Lukaku, o goleador belga de ascendência congolesa.

sexta-feira 6 de julho| Edição do dia

A Copa do Mundo da Rússia entrou em suas quartas de final. Entre as equipes que ainda disputam a glória de ser campeões está a Bélgica, com a sua melhor geração de jogadores formados no país, que na Copa do Mundo de 2014 alcançou as quartas de finais e foi derrotada pela a Argentina, teve um bom desempenho na Euro 2016 e na Copa da Rússia 2018 alcançou às semi-finais derrotando a seleção brasileira. Dos 23 jogadores que foram convocados para o mundial, 11 são de ascendência ou de origem imigrantes: os Red Devils, como são conhecidos, deixou de ser todos loiros por algum tempo para se tornar um selecionado de figuras com várias etnias. Romelu Lukaku, atacante de origem congolesa, Marouane Fellaini e Nacer Chadli, de origem marroquina; Yannick Carrasco, martiniqués, Moussa Dembélé, do Mali, etc.

O atacante Romelu Lukaku em 2017 foi transferido pelo Manchester United por 84 milhões de euros. Ele estreou na seleção de seu país aos 16 anos; hoje ele tem 24 anos e é o maior artilheiro da história da seleção belga em Copas do Mundo. Apesar dessa conquista recente, em 9 anos, Lukaku nunca foi aplaudido no país que ele representa: como se ele não fosse um "verdadeiro belga", hoje ele é uma das esperanças de uma nação que une através da bola os habitantes de um país historicamente dividido.

Lukaku é um jogador que tem grandes feitos no futebol e por isso vem alcançando o reconhecimento dos belgas; em piores condições, os trabalhadores imigrantes no país estão em trabalhos degradantes, muitas mulheres são trabalhadoras domésticas e vivem em campos de refugiados. Há também nesses campos de refugiados um movimento de solidariedade que se estende aos "indocumentados" contra as leis xenofóbicas que os capitalistas tentam impor.

O Congo foi uma colônia da Bélgica até 1960. Muitos congoleses e também marroquinos foram levados para trabalhar nas minas como escravos, crianças e mulheres eram mantidas em zoológicos fechados como "atração", como animais trancados em gaiolas ou desfilando para o entretenimento de pessoas perversas.
Depois de muitos anos de luta pela independência, até Che Guevara foi apoiá-los, liderados por Patrice Lumumba, estabeleceram-se como República.

Como seria a Copa do Mundo para as equipes europeias sem os imigrantes? Marrocos, Nigéria, Senegal, Congo, são figuras importantes nas principais ligas europeias e ainda assim o racismo no futebol é descarregada contra jogadores como Lukaku. Numa tentativa de combater o preconceito racial, a FIFA, entidade máxima do futebol, vem implementando ações contra o racismo em todos os jogos da Copa do Mundo na Rússia.

Enquanto a direita promove leis severas contra a imigração africana, diariamente vemos imagens angustiantes de centenas de crianças mortas e de seres humanos tentando cruzar o Mar Mediterrâneo e que acabam se afogando ou espremidos em centros de refugiados.

O futebol é um belo esporte e tem a magia capaz de mobilizar multidões e de unir povos ao redor de todo o globo terrestre durante uma partida como vemos na Copa do Mundo; mas o capitalismo se apropriou dele colocando barreiras elitistas e alienando pessoas que convivem com esse esporte. Se não fosse pelas dificuldades e saques que os capitalistas impõem sobre as forças de trabalho, nós desenvolveríamos não só o futebol, mas todos os esportes como uma arte e não apenas como uma distração ou uma "indústria".




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