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MP ARQUIVA JÁ

Ato contra a repressão aos secundaristas reúne cerca de 300 pessoas em Porto Alegre

O dia 15 de julho ficou na memória de muitos secundaristas gaúchos como um dia de extrema violência, mas também de resistência. Dezenas de estudantes, um jornalista e um cinegrafista, foram detidos pela brigada militar após ocupar o prédio da secretaria da fazenda (SEFAZ) a fim de exigir um posicionamento do estado referente às suas demandas.

terça-feira 19 de julho de 2016| Edição do dia

A repressão foi extremamente violenta. Não bastassem os abusos, a truculência, os porretes, o gás de pimenta, foi aberto um processo contra esses jovens que envolve quatro supostos crimes: esbúlio possessório, resistência, aliciamento de menores e dano ao patrimônio público. O ato nessa terça-feira (19) exigiu o arquivamento imediato do processo por parte do Ministério Público.

Um outro caso que se tornou absurdo foi a prisão de um jornalista durante a repressão na SEFAZ, Matheus Chaparini, do jornal Já. Desde a época da ditadura militar não se prendia um jornalista em cumprimento do seu ofício no estado do Rio Grande do Sul. O cinegrafista Kevin D’arc deu o seu relato ao Esquerda Diário acerca do processo de detenção, como se pode ver aqui.

O ato reuniu cerca de 300 pessoas, na sua grande maioria jovens secundaristas, mas também professores, trabalhadores e estudantes universitários que apoiam a causa.

Houve uma intervenção artística sobre toda a narrativa que esses jovens passaram, da detenção ao indiciamento. Eles representaram a justiça e a polícia como representantes dos interesses alheios aos estudantes. Logo depois marcharam carregando um caixão que representava a democracia. No momento em que jovens são presos por protestar, um dos aspectos mais básicos da democracia é ferido - o da livre manifestação.

O movimento marchou da Esquina Democrática até o Ministério Público, onde os estudantes permaneceram lá até serem recebidos por um representante.

Esses estudantes que estão sendo indiciados não cometeram nenhum crime. A única coisa que fizeram foi lutar em defesa de seus direitos, da educação pública. Exigir o arquivamento do processo e lutar contra a repressão é defender o direito de livre manifestação não só desses estudantes, mas de todos nós.




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