Opinião

ALCKMIN REFORMA DA PREVIDÊNCIA

Alckmin jura aos patrões acabar com a aposentadoria no primeiro ano de mandato

Com a candidatura praticamente consolidada, o atual governador carrasco de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB) promete o que mais interessa para ter apoio garantido dos inimigos dos trabalhadores: reformar a Previdência.

Ítalo Gimenes

Campinas

quinta-feira 22 de março| Edição do dia

"Eu tenho convicção de que reforma tem de ser feita no primeiro ano de mandato. No regime presidencialista, quem for eleito, terá mais de 60 milhões de votos. A legitimidade é muito grande", disse Alckmin em entrevista à grande imprensa.

Insistindo na tese da legitimidade das urnas necessária para aprovar a Reforma da Previdência, Alckmin se adianta à burguesia idealizadora do golpe prometendo dar continuidade ao seu projeto, jurando aprovar a Reforma da Previdência assim que for eleito.

Insistiu em mostrar-se de acordo com os interesses dos banqueiros internacionais e do grande empresariado, de que o problema da crise está na aposentadoria do trabalhador. A diferença entre as aposentadorias do setor público e privado é um problema, segundo ele. De fato é, os servidores privados deviam ter tanto quanto ou até mais direitos que os servidores públicos, que depois de aposentados não conseguem se sustentar com o que recebem.

Um privilégio para os donos do mundo. E também para seu candidato à porta-voz nessas eleições, Geraldo Alckmin que prometeu nessa entrevista equiparar com a miséria do setor privado. Mas deverá prometer muito mais, pagar menos também ao setor privado e botar todo mundo para trabalhar até morrer, se não sobreviver aos 65 mínimos para se aposentar, como Temer se dispôs a fazer não menos que isso.

Seu famoso perfil repressor de greves, em especial de professores, intransigente, privatista, aplicado durante seus anos de mandato em SP, é o currículo entregue à burguesia golpista do país.

Mas há mais barreiras para esse projeto de Alckmin do que conta. Em primeiro lugar deverá saber lidar com seu problema de “antipatia”, segundo alguns jornais burgueses, sem abandonar o perfil linha dura, privatista, pró-imperialista e ajustador. Uma façanha que o avanço do golpe no Judiciário, tentando facilitar a disputa tirando arbitrariamente Lula do páreo, lhe dá mais liberdade.

Mas não é só isso que está em jogo, apesar do PT. Ele que através das centrais sindicais petistas, CUT e CTB, põe um freio brusco na luta dos trabalhadores contra a Reforma da Previdência, mas também contra o assassinato de Marielle, tenta negociar com os golpistas, em especial do Judiciário, que pode controlar a luta de classes, para que ele possa ser candidato. Inclusive prometendo reformar a previdência. Mas a luta dos secundaristas de SP em 2015 mostraram que ele também pode ser sangrado pela luta de classes, ainda mais quando a juventude desperta sua ânsia.

O espírito de luta contra as arbitrariedades da violência policial e estatal com a morte de Marielle levou milhões às ruas em todo o Brasil semana passada, virou os olhos do mundo para o absurdo que estava acontecendo há tempos com o golpe e os assassinatos aos negros nas favelas. Levaram uma vereadora eleita da esquerda, que lutava contra a violência policial nos morros e a intervenção federal no RJ, cuja revolta pode botar em questionamento inclusive o caráter da investigação desse crime, que não deve ficar nas mãos da polícia que a matou.

Pode comprometer a “jogada de mestre” de Temer da intervenção federal, ou ser usada para intervir ainda mais. Mas as ruas e as lutas em cada local de trabalho e estudo ainda são uma resposta. O que também é um perigo para Alckmin, a luta dos trabalhadores pesar na balança das eleições e nas suas promessas de ataques profundos. Poderá ser um embrião do que ele terá que encarar caso eleito. Alckmin também se assusta com o fantasma de Junho que volta a dar sinais de aparição.




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