Política

EUA

A marcha de mulheres e a armadilha democrata

Reconhecidas figuras democratas encabeçam os atos nas principais cidades. Querem transformar a raiva contra Trump em uma oposição domesticada.

Celeste Murillo

Argentina | @rompe_teclas

sábado 21 de janeiro de 2017| Edição do dia

Desde as 10 da manhã (horário local) está realizando-se uma massiva mobilização em Washington DC (capital dos Estados Unidos da América), acompanhada por marchas nas principais cidades como Boston, Chicago e Nova Iorque aonde também se reúnem dezenas de milhares de pessoas.

Já passaram pelo palco do ato central em Washington a atriz America Ferrara e a feminista Gloria Steinem, ambas partidárias da democrata Hillary Clinton, e o diretor de cinema Michael Moore. Moore repetiu o chamado que já havia realizado na marcha de Nova Iorque prévia à posse de Trump, de chamar aos deputados para expressar a oposição ao novo governo republicano.

Em Boston, a senadora democrata Elizabeth Warren foi uma das principais oradoras. Warren, que é conhecida como uma das dirigentes da ala progressista do partido Democrata compartilhou ontem o palco da posse de Trump junto também com o senador Bernie Sanders, enquanto os protestos eram reprimidos nas ruas de Washington.

A mensagem da senadora frente à uma multidão de pessoas hoje em Boston teve o claro objetivo de canalizar a raiva e a disposição a defender os direitos hoje ameaçados pela administração Trump para a oposição democrata. Um tom similar tiveram os discursos em Washington, não só da parte de celebridades mas também de organizadoras e organizadores à frente da convocatória.

Os meios de comunicação como a CNN (de clara orientação democrata) também são parte desta operação política que tenta contrapor a imensa mobilização de hoje aos protestos “violentos” do dia da posse.

A mensagem é clara: o partido Democrata se prepara para ser oposição a Trump, mas será uma oposição domesticada, respeitosa do governo (como confirmou a presença de Warren e Sanders no palco) e tentará desviar qualquer iniciativa independente dos movimentos sociais e políticos, como tem feito ao longo de sua história. Sua intervenção na massiva mobilização de hoje está a serviço dessa política, que tentará transformar no “Dia 1” da resistência Democrata.

A massividade da marcha de mulheres mostra a disposição a mobilizar-se não só pelos seus direitos, mas também na defesa da comunidade LGBT, contra o racismo, a xenofobia e a brutalidade policial. Essa energia não pode ser perdida à serviço de reformar um partido irreformável que já se comprometeu com Trump para que o novo governo republicano tenha sucesso.

Tradução: Rita Frau




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