Mundo Operário

GREVE NO METRO

14 milhões de desempregados e querem aumentar a jornada dos metroviários?

Muitos já estão perguntando: mais uma greve no Metrô de SP? Responderíamos com uma outra pergunta: Num país que a crise econômica já atinge 14 milhões de trabalhadores desempregados e com políticos com tantos privilégios, o que você faria se aumentassem sua jornada de trabalho? Se não confia nas mentiras da mídia, entenda os motivos do novo indicativo de greve dos metroviários.

quarta-feira 3 de maio| Edição do dia

Os metroviários aderiram a paralisação nacional no 15M e estiveram a frente da greve geral do 28A. Fizemos história junto a milhões de trabalhadores de diversos setores que estão dizendo NÃO para as reformas de Temer. Para João Dória, prefeito de SP, isso é coisa de vagabundo. Para nós é um método de luta para defender nossos direitos atacados por um congresso golpista, interessados em manter os lucros dos empresários e seus próprios privilégios. Por isso, por mais que a mídia, principalmente a TV Globo, tentou esconder o que estava havendo, fomos aplaudidos pela população que assim como nós não quer pagar a conta de uma crise criada pelos patrões e capitalistas.

Depois de ver que fizemos uma forte greve que uniu toda a categoria, sabendo do período de campanha salarial, o Metrô quer nos enfraquecer impondo arbitrariamente o aumento da jornada de trabalho. Faz isso distorcendo uma sentença judicial que prevê o cumprimento de 1 hora de refeição. Como a atual escala de trabalho dos metroviários prevê 30 minutos de refeição na intrajornada, isso na prática implica que um trabalhador que cumpria um turno de 8hs de trabalho agora terá que ficar 9hs, e em alguns casos 9hs e 30 minutos como está acontecendo.

Quais são as arbitrariedades cometidas pelo Metrô?

1-) A sentença não autoriza nenhuma alteração nas escalas de trabalho vigentes.

2-) A sentença não determina alteração no horário de entrada e saída dos funcionários.

3-) A sentença não autoriza a criação de novas escalas e horários de trabalho remanejando unilateralmente funcionários do dia para noite.

4-) A sentença não determina horário de refeição entre a 4ªe 6ª hora.

5-) Criou um horário intermediário (diuturno) entre os operadores de trem não previsto no edital do concurso.

Essas mudanças começaram a ser aplicadas já no 01/05 e diante disso a categoria votou em assembleia resistir nas áreas não acatando essas imposições. O Metrô se recusou a negociar e não nos deixou outra saída a não ser ter que convocar um novo indicativo de greve de 24hs para sexta-feira (05/05). Só assim esperamos que o Metrô possa negociar.

A responsabilidade de qualquer transtorno para a população está nas mãos do Metrô e da Justiça que não rompa e rasgue com o acordo coletivo da categoria. Todos sabem o impacto de uma greve no Metrô. Muitos podem ver com maus olhos e caem no conto de que seria melhor o Metrô ser privatizado para não ter mais greves. Dessa visão simplista decorre 2 erros gravíssimos: o primeiro é que se naturaliza que os direitos dos trabalhadores possam ser atacados e que em época de crise deve se sacrificar quem trabalha e não o lucro dos que exploram; e segundo acoberta o fato de que o Metrô já está sendo privatizado com o plano de Alckmin, assim como a Linha 4 Amarela, todas as linhas de expansão e agora a linha 5 já estão sendo oferecidas para a iniciativa privada, sem contar o recente ataque de terceirização das bilheterias. O resultado disso são passagens mais caras, baixa qualidade no serviço prestado a população e mais trens super lotados, afinal de contas o empresário não está preocupado com o direito de ir e vir do trabalhador, mas sim com sua receita e margem de lucro no final do mês. Tudo isso as custas dos impostos pagos. O que prejudica mais um dia de greve ou um transporte nas mão das empreiteiras afundadas em corrupção?

Se há 14 milhões de desempregados no país por que aumentar a jornada dos metroviários? Por que não contratar mais trabalhadores, reduzindo e não aumentando a jornada de trabalho e assim ter um serviço de mais qualidade para a população? Hoje são os metroviários, mas amanhã após a reforma trabalhista e da previdência, serão mais trabalhadores, trabalhando mais e até morrer. Nossa luta é em defesa dos nossos direitos, mas principalmente para que tenhamos um transporte público controlado pelos trabalhadores e a população.




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