Os coletes amarelos e o retorno do espectro da revolução

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Juan Chingo

Nestes dias na França a dramatização percorre o campo burguês. “Il faut sauver la République” [Temos que salvar a República], se escuta dos políticos do regime. Em todos os lados se escuta o temor de um giro ao caos, somente suavizado parcialmente após o retrocesso parcial e o discurso trapaceiro de Emmanuel Macron, assim como a instrumentalização contra o V ato dos Gilets Jeunes do atentado de Strasbourg. Os empresários do CAC 40, o índice financeiro das 40 empresas mais significativas listadas na Bolsa de Paris, já não questionam em falar de “guerra civil”. Quando os de cima tremem, um setor significativo dos de baixo retomam a confiança nas suas forças e querem mudar absolutamente tudo.

As referências de muitos destes rebeldes tem que lhes fazer tremer. Eles se percebem claramente como um novo Terceiro Estado. Ghislain Coutard, porta-voz do movimento de Narbona e inventor do símbolo dos coletes amarelos, explicou dessa forma para Marianne que quer “fazer a revolução”. O mesmo acontece com seus companheiros de Haute-Loire que em novembro asseguraram ao Le Progrès que querem “fazer uma revolução, como em 1789, mas sem violência”. No sábado 1º de dezembro, a prefeitura de Le Puy-en-Velay, capital do Estado, foi incendiada. Uma das respostas mais populares da votação online de Eric Drouet desta terça-feira, aponta para os “privilégios” dos parlamentares. Como a nobreza de 1789… Nestes dois últimos fins de semana em toda a França, muitos manifestantes vestiram uma touca, símbolo da Revolução Francesa [1].

A mesma novidade é percebida na explosiva entrada em cena dos secundaristas, como colocam os profissionais da educação:

“A mobilização não tem precedentes”, observa Philippe Vincent do SNPDEN-UNSA. “Não estamos frente a um movimento tradicional de estudantes secundaristas, mas sim frente a estudantes secundaristas que unificam suas forças com um movimento de raiva generalizada, uma vontade de causar a desordem e de lutar contra a polícia. Os chamados que circulam as redes sociais (“Foi declarada a guerra”, “Trazer gasolina”) tem um tom que nunca se havia visto”, disse esse diretor de um estabelecimento em Marseille. Às consignas contra a reforma das escolas secundaristas e a plataforma de orientação Parcoursup (que implicaria em uma nova forma de seleção dos formandos das escolas secundaristas para as universidades) defendidas na semana passada, soma-se a “raiva pelo desprezo e pela repressão da qual somos vítimas os jovens de hoje”. Igual constatação deste docente da mesma cidade: “Nossos alunos sentem e manifestam uma proximidade com os ‘coletes amarelos’. Estes bloqueios também significam um desejo e uma necessidade de afirmar sua identidade”. Para este professor “a analogia é surpreendente: espontaneidade, determinação, alcance da mobilização e, gostemos ou não, elaboração de reivindicações”.

Diferentes demonstrações de que o que estamos vivendo não é uma manifestação social clássica, mas que a agitação social em curso tem aroma de revolução. Sem mencionar os elementos semi-insurrecionais que foram vividos durante dois sábados seguidos em Paris – marcados pela perda parcial do controle da situação pelas forças repressivas, que estiveram em perigo e foram ultrapassadas várias vezes, deixando momentaneamente setores de Paris virtualmente “controlados” pelos manifestantes, e no marco de uma degradação enorme de símbolos de poder como o Arco do Triunfo – e o terceiro sábado em algumas cidades importantes do estado, como Bordeaux.

Sobre mudança de qualidade em relação às revoltas urbanas que sacudiram o mundo na última década fala Alain Bertho, professor de Antropologia da Universidade de Paris 8 e estudioso das revoltas urbanas na França e no mundo, que afirma:

Existe uma continuidade, mas esta é uma nova fase. O que caracterizou os distúrbios recentes, seja na França em 2005, na Grécia em 2008, em Londres em 2011 ou em Baltimore em 2014, e com a exceção da Primavera Árabe, é que os participantes não pensavam que poderiam obter a realização das suas demandas, ou inclusive tinham certeza de que perderiam. Há alguns anos, em Thiaroye, Senegal, vi jovens que corriam riscos extremos contra as forças repressivas especiais contra as quais não tinham nenhuma chance. Isso não é o que ocorre hoje em dia. Os enfrentamentos que temos visto são o resultado de uma mobilização que pensa que pode conquistar suas demandas e que vê o poder vacilar. Se colocam em uma estratégia. Isso me parece completamente novo. Existiu um erro de diagnóstico desde o começo. Não se trata simplesmente de um “movimento social”, expressão que é parte de uma visão muito elaborada, herdada do século passado, onde a convergência das reivindicações permite construir um ascenso geral, logo um programa e eventualmente ganhar eleições. Aqui, os manifestantes não se importam com ter uma plataforma eleitoral, consideram que as eleições seriam uma forma retardatária de resposta. Portanto, não é um movimento social, mas um movimento diretamente político.

Por fim, se trata de uma tendência das massas de tomar as coisas nas próprias mãos, de se organizarem a si mesmas, que rechaça todo tipo de negociação traidora às quais estão acostumadas as burocracias sindicais, e não duvidam em enfrentar até mesmo as forças da ordem. É tudo isso que incomoda as classes dominantes quando reclamam que o movimento que não tem interlocutores para negociar, que não existem líderes identificáveis para fazer acordos e apaziguar as manifestações e seu enquadramento, etc.

A surpresa estratégica dos coletes amarelos: a burguesia havia descartado historicamente a possibilidade da revolução

O reaparecimento do espectro da revolução em um país central como a França, uma das principais potências imperialistas do planeta, muda enormemente as coordenadas políticas da situação mundial até agora dominada, depois do salto que significou a crise de 2008/9, pelas tensões geopolíticas e a volta das rivalidades imperialistas e no terreno político, pelo crescimento fundamental dos populismos de direita ou bonapartismos reacionários e anti-operários. Introduz na equação a possibilidade de irrupção violenta dos de baixo, elemento que havia sido descartado historicamente pela burguesia. É que efetivamente, nas nuvens com seu triunfalismo após a queda do Muro de Berlim, a penetração do capital na China, a generalização e consolidação da ofensiva neoliberal e a mundialização do capital que a acompanha, a burguesia havia enterrado o conflito de classes e a própria possibilidade da revolução. Seus representantes mais lúcidos, como o multibilionário Warren Buffett, chegavam a dizer que seguia existindo luta de classes, ainda que uma delas a havia abandonado. Em suas próprias palavras: “a luta de classes segue existindo, mas a minha tem ganhado”. A emergência rude, repentina e violenta do conflito de classes que vivemos nestes dias nas ruas de Paris e de toda a França, é o que desconcerta amplamente os diferentes setores da burguesia frente à sua (auto) cegueira histórica. Isso é o que expressa um de seus intelectuais orgânicos, Dominique Moïsi:

Caminhando no dia 1º de dezembro pelas ruas do “meu bairro”, entre a Place de la Madeleine e a Place Saint-Augustin, pensava no livro de Victor Hugo Coisas vistas e, sobretudo, naquelas páginas nas quais descrevia os movimentos revolucionários da década de 1830. Nelas destacava o “alcance incrivelmente restrito do campo da tragédia”. Uma rua estava bloqueada por barricadas fumegantes, enquanto que outra, apenas a algumas dezenas de metros, estava em perfeita calma. Eu também tinha a impressão de que estava sendo testemunha de uma história confusa e em grande medida incompreensível. Uma coisa era não ter entendido o alcance da raiva e do despreparo nos Estados Unidos. Mas no meu próprio país? Como havia perdido este lento e irresistível aumento do desespero? Tentava explicar ao meu amigo britânico a profundidade da confusão intelectual e emocional que vivia. [2]

A falta de preparo inicial do Estado Burguês frente a uma situação pré-revolucionária

Se existe um domínio no qual a vantagem estratégica dos coletes amarelos que sinalizamos acima se fez sentir, isso existiu ao menos até o Estado Burguês recobrar parcialmente o controle da situação no IV Ato do sábado passado (8), que foi o terreno da manutenção da ordem. Anos de neoliberalismo e de domesticação dos conflitos sociais desguarneceram as forças repressivas durante os primeiros anos de revolta revolucionária em curso. A rotina repressiva e o hábito não preparam as forças da ordem para uma violência de novo tipo, uma violência que como coloca a historiadora Sophie Wahnich, especialista da Revolução Francesa, provém de uma “forte contenção prévia”:

A sensação de que a violência produzida nas mobilizações é uma violência invertida, ou seja, uma reação à violência por parte do Estado, domina. Existe algo de revolucionário nisso, na força de reverter a violência sofrida. Para que a violência pareça aceitável, inclusive legítima, aos olhos de muitos, deve ter existido muita contenção antes. O que está acontecendo é similar ao que não ocorre no começo da Revolução Francesa, mas que se produz após as diversas tentativas pacíficas de reivindicações de justiça, após estas não funcionarem. Isso cria uma forma de violência que a torna pouco selvagem, porque sua inevitabilidade é sentida. Há vinte anos se vem dizendo que cedo ou tarde vai “explodir”, e assim quando explode, não podemos encontrá-la completamente ilógica e ilegítima. [3]

Em outro terreno, desde o assassinato de Malik Oussekine em 1986, traumático para o poder, a estratégia de dissuasão da manifestação social na cidade não mudou. Esta tática se transformou em um limite nos primeiros atos do movimento com seu ponto culminante nas cenas de motins em Paris e nos Estados no dia 1º de dezembro. Logo após fortes discussões, a polícia voltou no 8 de dezembro com uma “concepção de manobra” que lhe permitiu uma nova moral com as forças da ordem humilhadas, especialmente na semana anterior [4]. Mas nos círculos especializados, muitos temem que a polícia e a guarda nacional não possam enfrentar tais eventos semana após semana, levando em consideração de 96% das unidades móveis (CRS e guardas) tiveram que ser colocadas em ação no sábado passado, dia 8.

Além dos problemas de tática, a focalização nos banlieues [subúrbios] e posteriormente no terrorismo, deixou de lado que seria a partir do social que poderia emergir potencialmente o principal foco de perigo contra a segurança do Estado burguês. Pior ainda, o aparato repressivo foi tratado da mesma forma imediatista e contável que se caracterizam todos os domínios do capitalismo em seu momento neoliberal: um gasto supérfluo ou excessivo que poderia ser cortado, não justificado pelo nível de conflito social. Assim, inclusive o próprio Sarkozy dissolveu várias empresas de CRS. Mas com disse um especialista em segurança esses dias, depois que as forças da ordem foram superadas na manutenção da ordem no 1º de dezembro: as forças repressivas são como extintores de incêndio, não servem para nada mas são essenciais quando acontece um incêndio. Quando Paris e os Estados ardiam, as forças da ordem foram superadas e mostraram vulnerabilidade. Foi esta terrível imagem para os defensores da ordem constituída à qual a monstruosa e massiva operação de segurança do 8 de dezembro tentou apagar das memórias com êxitos táticos relativos no controle da ordem, mas com uma importante perda da legitimidade repressiva. É que atrás de uma imagem abusiva de força, se notou em última instância uma debilidade. Isso é o que afirma corretamente o sociólogo Sebastian Roché, em relação a essa última jornada de manifestações:

Sim, foi encontrada uma mediação conveniente mas aperfeiçoável entre a proteção das instituições e os direitos dos manifestantes. No entanto, longe de mostrar força, este mecanismo extraordinário sinaliza a debilidade do Estado. A repetição de enfrentamentos com a polícia, algumas imagens como a centena de estudantes da Mantes-la-Jolie de joelhos ou a utilização desnecessária de Flash-Ball, ilustram o feito de que a desobediência é o resultado da força e não da legitimidade. A ordem policial nas ruas não equivale a legitimidade do poder. Se tem que se apoiar exclusivamente nele, o governo se vê ameaçado: o sistema policial está em seu ponto de quebra. Sobretudo, sua função não é substituir a legitimidade política. [5]

É que se a burguesia precisa se basear cada vez mais em uma estratégia repressiva para manter a ordem, seus riscos políticos crescem. Com diz Gérard Noiriel:

… vivemos em uma sociedade muito mais pacificada que antes. Nosso “limiar de tolerância” à violência diminuiu significativamente. As imagens transmitidas em repetidas ocasiões desde sábado dão a sensação de um espetáculo muito violento. Mas na realidade, já ocorreram coisas muito piores na história dos movimentos sociais! Por exemplo, em Fourmies, no norte da França, a manifestação operária do 1º de Maio de 1891 foi reprimida a sangue. O resultado: nove mortos. Mais recentemente, as grandes greves de 1947-1948, apresentadas como “insurreccionais”, mataram dezenas de trabalhadores. Hoje em dia, a pacificação das relações sociais conduz a uma racionalização do uso da força, a polícia é obrigada a manter a moderação, o que encoraja os infratores. O pior para o poder seria se tivesse existido uma vítima entre os “coletes amarelos” atribuível às forças repressivas… No passado, estes movimentos sempre terminavam em sangue. Inclusive Georges Clemenceau, referência de Macron, foi odiado pelo povo quando reprimiu violentamente a revolta do vinho em 1907. Esta forma de liquidar uma luta social já não é possível” [6].

Ou caso ocorra abuso por parte das forças repressivas corre o risco do adiantamento da radicalização ainda maior da resistência em vez de apaziguá-la. Pois como afirma o professor de criminologia Alain Bauer: “A resposta de maior segurança não é mais que um último recurso. Permite conter as revoltas e reabrir o diálogo. Mas nunca impediu uma revolução”.

O alcance histórico dos coletes amarelos: rumo a uma nova atualidade da revolução?

A revolta revolucionária dos coletes amarelos, para além de quais sejam seus resultados imediatos [7], tem um alcance histórico: o espectro da revolução, ausente nos países centrais desde a década de 1970, se faz novamente presente como durante grande parte do século XX. Marca uma forte contratendência ou até mesmo um abrupto final do ciclo posterior à queda do Muro de Berlim, que significou e amplificou a vitória ideológica da burguesia, onde a revolução não era possível nem desejável depois da catástrofe do “socialismo real” e os danos à organização e consciência de classe do totalitarismo stalinista, por sua vez bem explorados pela burguesia para reafirmar que o capitalismo e o regime democrático burguês eram insuperáveis como horizonte político e social.

Todas as “novas” hipóteses estratégicas que se formularam neste intermédio histórico negando ou desvalorizando as características da época imperialista, ou seja, a época das crises, guerras e revoluções, estão agora abertamente questionadas, desde o neorreformismo [8] até os partidos amplos sem delimitação estratégica nem programática, assim como a nova estratégia da moda, o populismo de esquerda que não teve nada a ver com os acontecimentos [9].

Isso não impossibilita que esta última variante política, assim como o soberanismo de direita lepenista, tentem capitalizar politicamente, como subproduto de um desvio ou esgotamento do processo em curso. O papel abertamente traidor das direções sindicais em defesa da ordem burguesa é o principal obstáculo que impede a entrada em cena dos batalhões centrais do movimento operário das grandes fábricas e dos serviços estratégicos, que permitiriam uma generalização da greve e a concretização de uma greve geral, única via que pode transformar as tendências subversivas em curso e uma arma poderosa que coloque Macron e o poder de joelhos. No entanto, o preço que as burocracias sindicais, em especial a cúpula da CGT, devem pagar pela sua atitude criminalmente divisionista e o aval à repressão aos coletes amarelos pode ser muito alto, como mostram a acumulação de assinaturas de rechaço a Philipe Martinez, secretário-geral da central de Montreuil. O enfraquecimento pela esquerda destas mediações reformistas é um ativo que a atual revolta também deixa como legado, além do exemplo de seus métodos radicalizados, que serão um ponto de partida mais favorável para o movimento de massas em novos enfrentamentos, que a existência de um poder debilitado do macronismo amargará nos meses e anos seguintes.

Depois dos acontecimentos revolucionários que sacodem a França metropolitana e a ilha da Reunión, não existe mais fundamentos para o pessimismo histórico da extrema esquerda. Obviamente, o movimento não está livre de contradições e as perspectivas da atual onda estão mais que abertas. Sua débil posição estratégica lhe impõe uma urgência de ações espetaculares e uma ausência da estratégia no tempo [10]. A necessidade de um salto na organização é mais e mais urgente. Mas, frente às lições de alguns professores vermelhos que se mantém externos ao movimento porque não responde ainda às “formas clássicas da luta de classes”, afirmamos que sua evolução em um sentido progressivo ou uma eventual vitória não será fruto da análise e/ou de uma reflexão especulativa, mas sim produto de uma tarefa estratégica. Para este desafio não é indiferente se a ênfase é colocada nos limites ou nas potencialidades. Em todo caso, como diria Antonio Gramsci: “Na realidade, ‘cientificamente’ só se pode prever a luta”.

NOTAS

[1] Étienne Girard, “‘C’est nous les patrons’: derrière les ‘gilets jaunes’, une demande pressante de souveraineté du peuple” [“‘Nós somos os patrões’: atrás dos ‘coletes amarelos’, uma demanda urgente da soberania do povo]), Marianne, 7/12/2018

[2] Dominique Moïsi, “Un Brexit à la française ou un Mai 68 à l’envers?”, Les Echos, 7/12/2018.

[3] “La structure des mobilisations actuelles correspond à celle des sans-culottes” [A estrutura das mobilizações atuais corresponte a dos sans-culottes], Mediapart, 4/12/2018.

[4] Como diz o especialista em defesa Jean-Dominique Merchet: “As táticas implementadas no sábado consistiram em favorecer a mobilidade – os CRS haviam percorrido uns quinze quilômetros da capital – e em utilizar ‘unidades mistas’, misturando pessoas fardadas e civis, podendo estes últimos terem surgido da BAC (Brigada Anti Comando) e da BRI (Brigada de Investigação e de Intervenção), intervir como polícia judicial em acordo prévio com a Promotoria. Este plano não foi inventado na semana passada. De fato, tem mais de 30 anos. Se tratava de uma ‘experiência de retroalimentação’ (Retex, pelas suas siglas em francês) da manutenção das forças repressivas o que levou à morte de Malik Oussekine em 1986. Este trabalho havia sido realizado pelo comissário de polícia Philippe Massoni e especialistas em segurança Jean-Marc Berlioz e Alain Bauer”. “Forces de l’ordre contre Gilets jaunes: match nul” [Forças da ordem contra coletes amarelos: um empate], L’Opinion, 9/12/2018.

[5] Le Monde, 10/12/2018.

[6] Gérard Noiriel: “‘Pour Macron, les classes populaires n’existent pas’” [“Para Macron, as classes populares não existem], Libération, 2/12/2018.

[7] Como nota o editorialista do diário patronal Les Echos depois do retrocesso parcial de Macron: “Contudo, para todos os verdadeiros democratas, que consideram que uma disputa se resolve nas urnas e não nas ruas, esta paz tem um sabor amargo. A violência deu resultado. Como nunca antes, o conflito foi conduzido segundo as regras. Então, por que não traria resultados no futuro? Deste grave precedente, impulsionado por todos os partidos da oposição, não é seguro que a sociedade francesa saia ilesa”.

[8] Como diz corretamente Rafael Poch: “Após a digna revolta grega, dramaticamente traída pelo Syriza, e o esgotamento do 15M da Espanha, é a primeira vez que o fator social atua na UE, de uma forma clara e vigorosa, com um inegável componente de classe, desde a quebra de 2008. O copo transbordou. Teremos que ver quais impulsos de exemplo lança a outros países, o que em 2011 chamamos de efeito 1848”.

[9] Como bem descreve um artigo de opinião publicado no The New York Times, o que faz a revolta francesa ser diferente é que não tem seguido o habitual manual dos movimentos populistas: “Não está ligado a um partido político e muito menos a um partido de direita. Não foca na raça ou na imigração e esses problemas não aparecem na lista de reivindicações dos ‘coletes amarelos’”

[10] Há aproximadamente oito milhões de funcionários que estão em empresas com mais de cinquenta funcionários (quer dizer, com um conselho da empresa, sindicatos representados no conselho da empresa, etc), e sete milhões em PyMEs e microempresas, ou seja, menos poderosas e menos protegidas institucionalmente. Em consequência, não há ações de greve entre os coletes amarelos, o que sugere que os sete milhões de funcionários das PyMEs e das microempresas estão muito sobre-representados no movimento.

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