Política

POLÍTICAS DE VACINAÇÃO

Vacina e medidas sanitárias para todos, contra Doria, Bolsonaro e a sede de lucro capitalista

Diante da disputa pela distribuição e imunização da população contra a COVID-19, não se pode ter nenhuma confiança nos governos e muito menos em Bolsonaro, que podem falar demagogicamente sobre a imunização mas seguem com suas criminosas políticas que já levaram a marca de mais de 180 mil mortes no Brasil.

segunda-feira 14 de dezembro de 2020| Edição do dia

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Vemos o conflito que se desenha diante da produção de vacinas contra o novo coronavírus. Por um lado o governo Bolsonaro negando a compra da vacina desenvolvida pela chinesa Sinovac e está sendo produzida pelo instituto Butantã; por outro Doria mostra sua demagogia ao propor prazos para a imunização em SP, sendo que sabemos todas as criminosas políticas que durante todo o ano mostraram claramente o descaso com a vida de milhares de pessoas.

Ambos têm em comum a responsabilidade pela catástrofe sanitária e as quase 200 mil mortes pela COVID-19. Não nos enganamos: nem Bolsonaro nem Doria vão garantir a distribuição gratuita, massiva e universal da vacina contra o coronavírus. São demagogos a serviço dos milionários empresários farmacêuticos e dos capitalistas.

A disputa entre os estados e o governo federal, que busca diferenciar esses dois setores da direita, mostra na prática a irracionalidade do capitalismo, incapaz de desenvolver um básico plano sanitário, fruto das privatizações e ataques ao SUS. Apesar do discurso, nem Bolsonaro nem Doria e os governadores têm qualquer interesse na imunização massiva da população, assim como não tiveram com a prevenção, sem fornecer testes e EPIs.

A disputa por popularidade dos governadores e de Bolsonaro, é mais um fator para o atraso da imunização no país. Tirando que durante todo o ano, diante da catastrófica situação gerada pela pandemia, foram esses mesmos governos que não disponibilizaram testes nem garantiram condições mínimas sanitárias. Vale lembrar o caso do Amapá, onde em meio à pandemia a população ficou quase um mês sem fornecimento de luz e água.

Veja também: O povo do Amapá não pode esperar, é necessário uma resposta imediata da esquerda

Além disso tudo, o descaso também se prova na superlotação dos hospitais além de falta de respiradores, visto que esses mesmos governantes se negaram a impor a conversão da produção industrial que seria capaz de suprir o déficit de respiradores. Também sem nenhuma política que garantisse o isolamento, principalmente no caso de moradias precárias onde várias pessoas dividem cômodos nas favelas, tirando a imposição do trabalho se expondo nos transportes lotados, com trabalhos insalubres, e com o medo frequente do desemprego.

Bolsonaro, Dória, os governadores em geral junto ao Congresso e ao STF se aproveitaram da pandemia para aprovar leis e medidas anti-operárias, como a redução de salários e retirada de direitos de milhões de trabalhadores. Agora seguem com seus planos de ataques com os fetiches pela privatização e a reforma administrativa que se avizinha.

A situação calamitosa chega ao ponto em que os Estados não garantem a vacina para todos os seus habitantes, disputando uns com os outros quem ficará com os recursos, ou quem iniciará a vacinação antes dos outros. Que disputa mais patética poderia haver do que aquela que se encena entre Doria e Caiado (governador de Goiás), e distintos governadores? No Planalto, Bolsonaro segue dançando sobre os cadáveres de milhares de trabalhadores que morrem diariamente pela COVID-19. Todos só pensam em fazer política em meio à catástrofe sanitária da população.

É preciso exigir que em todo o país a garantia da vacina seja universal e gratuita, de forma rápida e massiva. Sem segredos e patentes que colocam uma disputa entre as grandes empresas farmacêuticas, enquanto a população segue morrendo. Pela liberdade de pesquisa para todos os meios imunizantes contra a COVID. Tudo isso sob gestão dos trabalhadores da saúde e não de empresários que desde sempre e ainda mais com a pandemia mostram que para eles nossas vidas não valem nada.

Nem Bolsonaro nem Doria pretendem garantir esse direito. Doria tenta encobrir isso se postulando como defensor da obrigatoriedade da vacina, e dizendo de forma autoritária que tomará medidas legais contra quem tiver contrariedade à aplicação da vacina. Bolsonaro se aproveita disso para criar uma cortina de fumaça para encobrir que quer privar milhões de brasileiros da vacina, especialmente se o crédito e os lucros não forem para ele e seus aliados.

Querem nos fazer ajoelhar diante dos interesses das alas opostas do imperialismo, sua vertente "trumpista" enfraquecida pela derrota nos EUA, e sua vertente bidenista, apoiada pelos governadores e o STF.

Isso é uma armadilha. Não podemos perder nunca de vista que todos os dispositivos autoritários, que têm como objetivo implementar qualquer ação através da coerção estatal, mesmo com esse tipo de justificativa só servirão para reforçar os mecanismos de controle social em meio à crise e de punição sobre os mais pobres, assim como sobre o conjunto da classe trabalhadora. A retórica da obrigatoriedade vinda de figuras como Doria ou STF é cortina de fumaça para aparecerem como mais responsáveis frente ao negacionismo do governo Bolsonaro.

O que a esquerda deve batalhar é pela mais ampla divulgação das pesquisas, combinada com campanhas de conscientização, e não ficar exigindo mais autoritaritarismo para o regime herdeiro do golpe institucional. E a questão central é que nenhum deles vai garantir a vacina para todos. Devemos batalhar para que nossas vidas e mortes não estejam a serviço dessas disputas políticas e dos lucros dos monopólios que brigam pelos bilhões oferecidos pela vacina, e sim que ela tenha produção estatal, sob controle e fiscalização das organizações de trabalhadores da saúde e científicas, e distribuição rápida e massiva para todos.

Que seja garantida a mais ampla liberdade de pesquisa e divulgação de resultados, e o acesso gratuito e massivo aos testes e todas as demais medidas, equipamentos e condições de prevenção e tratamento contra a Covid-19, e que todo o sistema de saúde seja estatal e centralizado sob controle dos trabalhadores, para que possa servir à população e não aos lucros dos grandes empresários.




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