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Saiba quem é Renato Feder, o privatista escolhido pelo dedo podre de Bolsonaro para indicação ao MEC

Nessa sexta, 3/7, foi anunciada a possível indicação de Renato Feder para o Ministério da Educação, sucedendo Carlos Alberto Decotelli da Silva em sua breve passagem de 5 dias e antes dele os desastrosos Abraham Weintraub e Ricardo Vélez. Feder é defensor do estado mínimo e da privatização da educação, se colocando a imagem e semelhança dos interesses do governo Bolsonaro para dar continuidade ao plano de destruição da educação pública.

Grazieli Rodrigues

Professora da rede municipal de São Paulo

sábado 4 de julho| Edição do dia

Depois das desastrosas passagens de Ricardo Vélez e Abraham Weintraub, Ministros da Educação escolhidos a dedo por Bolsonaro, ambos figuras obscurantistas dos mais conservadores valores e de um programa profundamente neoliberal para educação; nessa sexta-feira 3/7, circulou nas redes que o empresário Renato Feder pode ser indicado o novo Ministro da Educação de Bolsonaro. Porém, o dia terminou com um questionamento dos setores religiosos a esse nome, deixando novamente em aberto o cenário em torno de quem dará continuidade aos ataques à educação pública após a saída polêmica de Weintraub, que ao que tudo indica foi rifado numa tentativa de apaziguamento ou acordo de trégua entre STF e o bloco Bolsonaro e militares, blocos estes que vinham em disputas autoritárias crescentes.

Como tudo a que Bolsonaro se associa, Renato Feder, o possível indicado, é assim como os ministros anteriores, um defensor ávido da privatização e dos interesses dos interesses dos empresários da educação, que chegou a ser cotado para a pasta antes da tentativa frustrada de indicação de Decotelli e repensado por sua relação com o governador de São Paulo João Doria, mas agora volta a cena.

Feder é administrador de empresas e Mestre em Economia, seguindo a linhagem de economistas e não de educadores para um governo que trata a educação como mercadoria; co-autor do livro “o Elefante - Como Livrar-se do Peso que Impede os Brasileiros de Decolar”, em que defende junto ao seu sócio um plano detalhado de "desconstrução do Estado", ou seja, a iniciativa privada e o fim dos serviços públicos e da educação pública através de políticas como a de vouchers, assim como reivindica o modelo genocida de previdência do Chile defendido também por Paulo Guedes. Atualmente ele também ocupa o cargo de secretário de Educação do Paraná, a convite do governador Ratinho Junior (PSD) que nesse momento promove ataques à educação pública no Estado; e sabe-se que no PR todo o escalão da Secretaria indicado por ele são nomes que vieram da iniciativa privada, especialmente da área de tecnologia, voltados a acelerar a transformação digital na educação pública, de acordo com o site da Secretaria do Estado.

As polêmicas dos setores conservadores com Feder se dão em torno da posição de legalização das drogas defendidas por ele nesse livro e da diminuição do poder das Forças Armadas – debates que conflitam e muito com os interesses da base eleitoral e política bolsonarista, assim como em relação a ala militar estrategicamente localizada e em bastante sintonia com Bolsonaro desde o início do aprofundamento das crises econômicas e políticas que já vivíamos pela pandemia mundial da COVID-19.

No entanto, alinhado ou não com os interesses culturais do governo Bolsonaro, é evidente o alinhamento político e de programa econômico de Renato Feder ao presidente, elemento que é definidor para o apoio dos setores burgueses. O que significa que se realmente indicado será mais um inimigo da educação pública e da juventude que se levantou contra o Future-se de Weintraub e impôs o adiamento do ENEM que ele queria realizar durante a pandemia, ignorando a realidade de profunda desigualdade social do Brasil num momento onde as escolas de todo o país estão em quarentena e como sabemos, é a juventude pobre e negra a parcela excluída do direito à educação no atual contexto.

Para além disso, frente a entrada pela porta da frente dos monopólios da educação nas escolas e universidades públicas do país como forma de viabilizar o excludente EAD, não nos enganemos sobre à serviço de qual projeto está o currículo de Feder num momento onde vemos defenderem incessantemente um retorno às aulas - bastante irresponsável por sinal frente às mais de 63 mil mortes pela COVID - ligado a uma discussão de “educação hibrida”, onde apesar da retomada das atividades presenciais as tecnologias bastante limitadas pela pobreza e pela exclusão digital devem seguir sendo usadas nas escolas e os empresários idealizadores dessas formas de ensino por consequência seguirão enriquecendo. Contudo os educadores do chão da escola sabem que o último problema da escola é a entrada da tecnologia, mas a contradição de que a implementação dessas ferramentas mais do que nunca no último período estiveram ligadas à privatização da educação que precarizam ainda mais as condições de ensino das crianças e jovens e do trabalho dos trabalhadores da educação.

Por tudo isso é que seguimos reafirmando que qualquer projeto para educação pública, hoje ainda mais sucateada pela realidade e com desafios imensos frente ao futuro já que a vida escolar de gerações foi atravessada pela pandemia, só pode estar à serviços dos interesses dos trabalhadores e seus filhos que dependem da educação pública se este for obra das mãos desses setores desde cada escola e universidade, junto aos trabalhadores da educação que mantém de pé esses espaços apesar de todo descaso dos governos, e não mais uma indicação vazia de relação a vida da nossa classe e pautada pelos interesses dos empresários da educação levados à frente por um governo inimigo do povo pobre e da juventude como Jair Bolsonaro.

Assim como Decotelli, apesar de negro, estava mais para os militares genocidas de onde ele mesmo veio do que para os estudantes cujas vidas são ceifadas em estados como o Rio de Janeiro; Feder chega com a aclamação de empresários como da Fundação Lemann e de Luciano Huck, assim como do centrão que no Congresso; mais distante do que nunca dos educadores e dos defensores da escola pública ou das crianças e jovens negros e negras do nosso país que insistem em exercer seu direito a educação que tanto querem destruir e entregar ao capital.




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