Gênero e sexualidade

VIOLÊNCIA DE GÊNERO

Rita Cardia e Tassia Arcenio do Pão e Rosas falam sobre o Plano de Emergência contra a Violência às Mulheres

Republicamos a entrevista com as militantes do Pão e Rosas, Rita Cardia, professora do Colégio Pedro II no Rio de Janeiro e Tassia Arcenio, trabalhadora da educação em Contagem-MG, sobre o Plano Nacional de Emergência contra a Violência as Mulheres apresentado por Diana Assunção, Maíra Machado, Carolina Cacau e Flavia Valle, ex-candidatas a vereadoras do MRT pelo PSOL e militantes do grupo de mulheres Pão e Rosas e Danilo Magrão, professor e ex-candidato a vereador do MRT pelo PSOL.

domingo 21 de janeiro| Edição do dia

Esquerda Diário: O grupo de mulheres Pão e Rosas e os ex candidatos do MRT pelo PSOL apresentaram um Plano Nacional de Emergência contra a violência às mulheres. Falem um pouco sobre o plano e a importância dele na realidade brasileira.

Rita Cardia: O plano foi inspirado em uma iniciativa dos parlamentares do Partido dos Trabalhadores Socialistas (PTS) que compõem a Frente de Esquerda na Argentina (FIT), entre eles Nicolás Del Caño e Myriam Bregman. Entendemos que todas as formas de violência se originam na sociedade de classes e se legitima e reproduz permanentemente a partir do Estado capitalista e esse plano traz de forma integral ações mínimas, transitórias que buscam ser um paliativo frente a dor de tantas mulheres que enfrentam essa realidade de violência. Tem uma série de medidas concretas que achamos que devem ser feitas imediatamente, para ser um ponto de apoio na luta das mulheres no país que é o quinto colocado no triste ranking de violência contra as mulheres.

Tassia Arcenio: Entre essas medidas estão o direito às casas abrigo e plano de moradia, licenças do trabalho e das instituições escolares, assistência financeira e acompanhamento de equipes especializadas, legalização do aborto, educação sexual nas escolas, efetivação dos terceirizados sem concurso ou processo seletivo, igualdade salarial, que são ações que julgamos mais do que urgentes para enfrentar os diversos tipos de violência contra às mulheres e que podem fortalecer a mobilização e organização das mulheres para acabar com esse sistema de exploração e opressão, porque só assim será possível de fato acabar com a violência de gênero, pois entendemos que todas as formas dessa violência se originam na sociedade de classes e se legitima e reproduz permanentemente a partir do Estado capitalista.

ED: Qual a importância desse plano ser defendido por parlamentares da esquerda, como está expresso em seu conteúdo?

Tassia: Nos últimos anos, pela força das recentes mobilizações das mulheres, o machismo, o patriarcado, a opressão de gênero tem estado sempre em pauta. Acreditamos que temos que manter e ampliar ainda mais esse debate, massificá-lo e apoiadas nas lutas das mulheres, arrancar medidas concretas imediatamente que fortaleçam nossa luta que vai muito pra além disso. Nesse sentido, a exemplo dos parlamentares argentinos, achamos que é fundamental que os parlamentares da esquerda brasileira se apropriem do plano e o defendam, usando suas tribunas para fortalecer a luta das mulheres e exigir o acesso a direitos democráticos para milhões de mulheres, na contramão do que quer esse congresso conservador e o governo golpista. Não temos nenhuma ilusão também no PT, que governou mais de uma década e a vida da maioria esmagadora de mulheres continuou sendo de precarização, violência e miséria.

Rita: Sim, com isso achamos que o PSOL e seus parlamentares podem cumprir um papel fundamental na defesa desse importante plano. Com esse intuito, enviamos o plano para as principais figuras públicas do partido, para seus deputados estaduais e federal, vereadores do Rio de Janeiro, Niterói, São Paulo, Campinas, Belo Horizonte, entre outros. Acreditamos que seria um grande passo todos esses parlamentares tomarem o plano para si, assim como Diana, Maíra, Carolina, Flavia e Danilo que foram os ex candidatos a vereador do MRT pelo PSOL e parte da elaboração desse plano, para ampliar o debate em torno da urgência que requer o enfrentamento à violência contra as mulheres. Não podemos aceitar nenhum dia mais de feminicídios, desigualdade salarial, precarização do trabalho, mortes por abortos clandestinos. É preciso levar adiante já o Plano Nacional de Emergência contra a violência às mulheres e aprofundar a organização das mulheres nos locais de estudo e de trabalho.

ED: Como a implementação do plano pode contribuir para o fortalecimento do movimento de mulheres?

Rita: Como dissemos antes, encaramos o plano como um conjunto integral de medidas mínimas, transitórias e paliativas. Achamos urgente que sejam colocadas em práticas, pois não podemos seguir mais em situações tão vulneráveis para sermos assassinadas, violentadas e oprimidas. Para isso, achamos que o plano pode ser um forte ponto de apoio para as mulheres que sofreram qualquer tipo de violência possam recomeçar suas vidas e recomeçar suas lutas. Mas sabemos que para acabar de fato com esse quadro de violência é preciso acabar com esse sistema capitalista que encontrou no patriarcado seu parceiro perfeito. É fundamental que se combata a violência contra as mulheres a partir de cada local de estudo e cada local de trabalho, organizado por cada entidade estudantil e sindicatos, unindo homens e mulheres no enfrentamento do machismo e das opressões.

Tassia: Com certeza. É com a união entre mulheres e homens, negros e brancos, terceirizados e efetivos, imigrantes e nativos, trabalhadores formais e informais, cisgêneros, héteros e LGBT, que será possível combater a opressão e a exploração de forma consequente. Sob a hegemonia da classe trabalhadora, sustentando as demandas dos oprimidos, podemos dar uma saída radical para o enfrentamento da violência contra as mulheres, nos organizando para colocar esse sistema abaixo. Com essa perspectiva, convidamos a todas e todos a defenderem o plano junto com o grupo de mulheres Pão e Rosas e a construírem com a gente, um movimento de mulheres anticapitalista e revolucionário.

Leaim aqui na íntegra o Plano Nacional de Emergência contra a violência às mulheres




Tópicos relacionados

Pão e Rosas   /    Violência contra a Mulher   /    Gênero e sexualidade

Comentários

Comentar