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52 ANOS DE STONEWALL | Retomar a combatividade de Stonewall para enfrentar Bolsonaro, Mourão e todos os golpistas

Há 52 anos da Revolta de Stonewall e que inspirou o mês do Orgulho, nos deparamos com casos cruéis contra as LGBT e que expressam toda a situação reacionária que vivemos no Brasil marcado por Bolsonaro e todo esse regime do golpe que causaram meio milhão de mortes no país pelo covid-19. Nos inspiremos na radicalidade de Stonewall e das LGBT que estão na linha de frente da luta de classes internacionalmente para, ao lado da classe trabalhadora, oferecer uma saída anticapitalista à crise.

segunda-feira 28 de junho | Edição do dia

Na sexta-feira (25) Gabriel Garcia de 22 anos foi morto a tiros em uma barbearia em Embu das Artes por um desconhecido mascarado. Bruno, seu namorado conta nas redes sociais, que Gabriel estava feliz após conseguir emprego no telemarketing, depois de ficar desempregado durante a pandemia e ter que viver de doações. Estavam planejando morar juntos quando o reacionarismo e a LGBTfobia lhe tiraram a vida.

Na quinta-feira (24) Roberta, uma mulher trans, teve 40% de seu corpo queimado em uma brutal tentativa de transfeminicídio enquanto estava no terminal de ônibus em Recife (PE). Apenas por ser quem ela é: uma mulher trans. A própria mídia que divulgou o caso, não foi capaz de noticiar o nome da vítima.

Em Santa Catarina, no começo de junho, um jovem foi violentado por três homens que em seguida o tatuaram com frases homofóbicas e o agrediram. No Ceará na terça (23), Bebê, mulher trans foi encontrada morta com marcas de objeto cortante por todo corpo.

Quatro casos no mês do Orgulho LGBT que são expressão da situação reacionária no Brasil que tem à frente Bolsonaro e todo o regime político do golpe institucional de 2016 atuando para descarregar a crise nas costas do conjunto da classe trabalhadora, como vimos com a privatização da Eletrobrás dois dias depois que chegamos na marca de meio milhão de mortos pela pandemia.

Bolsonaro com todo seu reacionarismo inflama discursos de ódio contra as mulheres, os negros e as LGBT’s. Utiliza de seus ministros, como Damares, e seus deputados e vereadores bolsonaristas para votar nas câmaras projetos de lei totalmente absurdos para calar qualquer debate de sexualidade nas escolas. Isso resultou em Campinas em repreender uma criança de apenas 11 anos, que propôs debater o mês do orgulho em sua escola e foi duramente atacada pela diretora e pais de estudantes. Também é esse reacionarismo bolsonarista que assassinou Marielle, mulher negra LGBT e parlamentar da esquerda, e que seguimos lutando por justiça.

A extrema direita no poder tem a ajuda do Congresso mais direitoso desde a constituinte de 88 e que já aprovou a reforma trabalhista, da previdência e agora prepara a administrativa. Além de também com a ajuda do Senado conseguiram impor a autonomia (dos banqueiros e investidores) do Banco Central.

Todos esses ataques em meio a crise econômica, aprofundada na pandemia, marcaram de forma profunda o Brasil atual e impõem condições muito piores aos oprimidos e explorados. Assim como Gabriel, quase 15 milhões de brasileiros se encontram no desemprego, sendo o maior número desde o começo da série histórica do IBGE, iniciada em 2012.

Enquanto as empresas tentam vender um discurso arco-íris no mês do orgulho LGBT, se utilizam das Medidas Provisórias (MP’s) aprovadas por esse regime e que permitiram a redução brutal de salário de milhares de trabalhadores e abriram espaço para o recorde de demissões que vemos hoje, afetando esses mesmos LGBT que ela diz defender.

Parece uma piada o discurso de políticos burgueses e das empresas capitalistas, que em Junho vestem a bandeira LGBT para falar de “inclusão”, em um mundo onde a desigualdade é a norma.

É na Amazon, que se diz inclusiva, que em um armazém no Alabama, onde 85% dos trabalhadores são negros e 65% são mulheres, a empresa lançou uma furiosa campanha contra a tentativa dos trabalhadores de se organizarem em um sindicato, haja vista as difíceis condições de trabalho relatadas na Amazon. Jeff Bezos, que em 2016 ganhou o Prêmio Nacional da Igualdade da Human Rights Campaign, foi acusado de inclusive utilizar espiões na tentativa de conter qualquer organização dos trabalhadores para criação do sindicato.

A mídia e as empresas tentam alimentar uma visão de mundo totalmente distintos e separados entre a representação da classe trabalhadora e das LGBT. Mas a crise neoliberal e a tendência à monopolização e centralização de tudo que marca o capitalismo imperialista, junta e se utiliza das opressões para explorar internacionalmente a classe trabalhadora, se utilizando das diferenças de cada um para melhor dividir e desmobilizar a nossa classe.

Uma pesquisa do Insper do ano passado¹, apontou que no Brasil um homem branco pode ganhar um salário até 159% maior na mesma profissão. Se utilizam do racismo para rebaixar os salários do conjunto dos trabalhadores e também do machismo e da homofobia para desmoralizar individualmente cada um. Tirando nossas forças, para que naturalizemos a exploração cotidiana.

Contudo, internacionalmente há exemplos que mostram que é possível ir além confiando em nossas próprias forças. Como no Chile, onde as mobilizações impuseram uma assembleia constituinte, apesar dos limites impostos à ela a partir do acordo de Pinochet e a herança ditatorial com o partido comunista e todo o reformismo. As grandes manifestações na Colômbia contra o governo de Ivan Duque ajustador e repressor do povo. E também a forte luta contra o golpe militar em Myanmar. Ou então as potentes manifestações do Black Lives Matter ano passado que chacoalharam o coração do imperialismo e causou a derrota eleitoral de Trump, em todos esses processos podemos ver setores com bandeiras LGBT e em especial, no BLM, surge o Black Trans Lives Matter como desdobramento da luta antirracista nos EUA.

Nesses países, as LGBT participam das lutas porque também fazem parte e sentem a crise econômica que marca o esgotamento do neoliberalismo e que escancara os níveis absurdos de desigualdade e da exploração. Com o aumento dos trabalhos precários também fazem parte de quem carrega a bag nas costas para entregar comida, dirigem o Uber ou estão no telemarketing, como Gabriel. São partes cada vez maiores de uma classe trabalhadora que é diversa em si mesma.

A luta de classes quando entra em cena deixa marcas profundas também para a luta por libertação sexual como foi em maio de 68 ou a greve de mineiros na Inglaterra em 1984 e o apoio das LGBT. A 52 anos da revolta de Stonewall, queremos resgatar a radicalidade desse processo para lutar contra toda a LGBTfobia e também contra Bolsonaro, Mourão, os militares e todos os golpistas que nos querem ver mortos ou explorados à exaustão. Sabendo que nossa luta é urgente para vingar cada vítima de opressão e também os mais de 500 mil mortos do coronavírus no país, e por isso não se pode esperar 2022.

É consciente da estratégia do PT, seguida por setores de esquerda e das correntes que apoiam o impeachment de deixar Bolsonaro sangrar se preparando para eleger Lula em 2022. Deixam passar os ataques com a promessa de um “retorno do lulismo” sem haver condições econômicas, políticas e sociais para tal.

Não esquecemos que foi nos governos do PT que Marco Feliciano foi indicado para a comissão de direitos humanos e que Dilma vetou o kit anti-homofobia nas escolas. O PT ajudou a preparar o regime político que vivemos hoje, na medida em que não poupou esforços para enriquecer os grandes empresários e fazer acordos com a direita mais reacionária para poder governar. Se o PT “do lulismo” já foi um limite em vários sentidos para as LGBT, o PT que se prepara para 2022 com alianças ainda mais à direita das que fazia não pode ser uma saída para nós.

Partidos da esquerda como PSOL, PCB e UP seguem a mesma estratégia do PT de derrotar Bolsonaro “por dentro do regime”, levantando o impeachment ou diretamente confiando em uma CPI comandada pelos mesmos atores que aplicam e votam reformas junto com Bolsonaro contra a população. O PCB e UP, em particular, que tentam aparecer com uma cara “mais radical” não podem esconder que carregam uma tradição burocrática, contrarrevolucionária e homofóbica representada por Stálin, que retrocedeu em todas as maiores conquistas da Revolução Russa para a classe trabalhadora e as LGBT’s.

Nós do Esquerda Diário e do MRT (Movimento Revolucionário de Trabalhadores) frente à crise profunda que vivemos no Brasil , defendemos uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana, imposta pela força de nossa mobilização com atos, paralisações e greves nacionais. Para que possamos dar uma saída urgente e fazer com que seja a classe trabalhadora, as mulheres, negros e LGBT a decidirem sobre tudo e não os que nos atacam hoje e causaram meio milhão de mortes pela covid-19. Podemos ser uma força imparável unificando trabalhadores efetivos e terceirizados, com a juventude, as mulheres, negros e LGBT.

Queremos dar saídas profundas que vão até a raiz dos problemas que vivemos, para poder lutar pela libertação sexual de todos. Uma sociedade onde pudesse viver plenamente Gabriel e Roberta, sendo quem são. Uma sociedade onde uma criança de 11 anos não seja hostilizada por querer debater sobre o que é Orgulho LGBT nas escolas. Essa sociedade não pode ser o capitalismo, que nos explora e consome diariamente.

1-https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2020/09/15/salario-medio-de-homem-branco-supera-em-ate-159-o-de-mulher-negra.htm




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