REFORMA DA PREVIDÊNCIA

Relator da Reforma Trabalhista, Marinho é nomeado para acabar com aposentaria no Brasil

Relator da reforma trabalhista na Câmara assume Secretaria Especial da Previdência para aprovação da Reforma no início de 2019. Prioridade número um do governo Bolsonaro e de todo o empresariado que quer descontar a crise na nossa folha de pagamento.

quarta-feira 12 de dezembro de 2018| Edição do dia

Convidado por Paulo Guedes, Rogério Marinho (PSDB-RN) foi oficializado como futuro titular da Secretaria Especial da Previdência e já chega afirmando que trabalhará com sua equipe pela aprovação da reforma ainda no início de 2019. Tal aprovação será uma verdadeira prova de fogo para o governo de Bolsonaro, já que para o mercado que manda na política do país, tal medida é essencial para a sustentabilidade das propostas do novo governo (aumentar seus lucros em primeiro lugar), o que reforça a necessidade de que todos os esforços se voltem para aprovação da medida, e para que Bolsonaro siga sendo “bem visto” pelos capitalistas e pelo imperialismo.

Já são diversas as chantagens, ameaças aos trabalhadores e falsas justificativas para que se aprove a reforma, inclusive a falácia de que tal medida é imprescindível para a economia nacional. As falas absurdas sempre vão no sentido de que é preciso “tirar” de algum lugar, e não sendo da previdência, os “ajustes” deverão ser feitos na saúde, educação e afins, já que os privilégios dos juízes que não são eleitos por ninguém, e dos políticos que nadam na corrupção, esses sim são intocáveis.

O que vemos é que se trata de uma grande manobra retórica para implementar um ataque brutal à classe trabalhadora, já que a referida reforma previdenciária, ou o aumento de impostos, servem apenas para alavancar a corrupção dos esquemas da extrema direita, que vieram substituir aqueles organizados pelo PT e atacados pela Lava Jato para abrir o caminho dos seus próprios negócios, como acompanhamos agora com o escândalo do milhão do motorista de Bolsonaro.

Contra essa mentira deslavada de que os privilegiados são os funcionários públicos de base como professores e trabalhadores da saúde, limpeza urbana, zoonoses e etc, defendemos atacar os verdadeiros privilégios que corroem o dinheiro público, defendendo que os juízes sejam eleitos pelo povo, revogáveis a qualquer momento e recebam o mesmo salário de uma professora, abolindo suas verbas auxiliares (como o grotesco auxílio-moradia de 4mil). Para acabar com a farra de empresários e políticos corruptos, que atinge todos os partidos dominantes, todos os julgamentos por corrupção devem ser realizados por júris populares, abolindo os tribunais superiores.

Marinho traz na bagagem sua atuação como relator da "vitoriosa" Reforma Trabalhista na Câmara, tendo sido fiel escudeiro dos ataques do governo golpista de Temer. Agora, vem para cumprir a função de aprovar a absurda e já impopular reforma da previdência, para que os trabalhadores trabalhem, literalmente, até morrer.

Inicialmente, os planos de Paulo Guedes eram de manter a estrutura na Secretaria de Arrecadação. Agora mudou-se o trajeto e o que se pretende é que separando a Previdência, será dado um sinal claro da importância da aplicação imediata da reforma. Como vem exigindo toda a burguesia internacional através de pressionar e cercar por todos os lados a família Bolsonaro, o que também se expressa em todo o escândalo sobre o motorista via COAF. Além disso, deixa-se a Secretaria de Arrecadação encarregada de outra grande “missão”: levar adiante a proposta legislativa da reforma tributária.

A Secretaria Especial da Previdência é um verdadeiro antro de golpistas: Marinho terá como secretário adjunto o consultor da Câmara Leonardo Rolim, especialista em Previdência e que ajudou a elaborar a proposta de reforma coordenada pelo ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga e pelo economista Paulo Tafner. É um verdadeiro absurdo o conteúdo da proposta, que prevê uma emenda constitucional visando instituir idades mínimas de aposentadoria que nem são alcançadas pela maioria do povo e um futuro regime de capitalização, para o qual o trabalhador terá de contribuir para uma conta individual, fazendo uma espécie de “poupança” para garantir seus futuros “proventos”.

Ainda que com alguns elementos já escancarados, o projeto de Reforma da Previdência que será levado ao Congresso ainda está em aberto e dentro da própria equipe de transição há divergências sobre usar ou não a proposta apresentada por Temer, que prevê idades de aposentadoria de 62 anos para mulheres e 65 anos para homens.

É fazer como na França, colocar os trabalhadores e a população pobre nas ruas. É necessário que os jovens, estudantes, mulheres, negros, LGBTS e toda a classe trabalhadora se organizem em cada local de trabalho e estudo, exigindo que as centrais sindicais saiam de sua histórica imobilidade e organizem frentes de luta contra este ataque brutal. É preciso barrar a reforma da previdência e fazer com que sejam os capitalistas a pagarem pela crise que eles mesmos criaram. Contra Bolsonaro e os golpistas, é preciso que sejamos uma força anti-imperialista, para que não seja mais descarregado em nossos ombros o peso da crise.




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