Gênero e sexualidade

RUMO AO 8 DE MARÇO

Pão e Rosas batalha por um 8M de unidade das mulheres e dos trabalhadores em apoio e solidariedade à greve dos petroleiros

Começaram, ainda em janeiro, os encontros regionais de mulheres para a preparação do 8M de 2020. O Pão e Rosas, agrupação impulsionada pelo MRT (Movimento Revolucionário dos Trabalhadores) vem participando das reuniões em todo o país e batalhando para que neste 8M as mulheres saiam às ruas levando a sua solidariedade em unidade com toda classe trabalhadora à greve dos petroleiros que hoje completa 6 dias, por justiça à Marielle, contra a Reforma da Previdência e pela legalização do aborto.

quinta-feira 6 de fevereiro| Edição do dia

Em São Paulo as lideranças feministas, sindicais e estudantis têm se reunido para organizar a marcha histórica do 8 de Março: dia internacional da mulher. Na primeira reunião (28/01), foi debatido a conjuntura nacional, definido o local de partida do ato e foram esboçadas as primeiras ideias de eixos para a manifestação. O grupo de mulheres Pão e Rosas interveio buscando transmitir a enorme lição da greve francesa que superou a histórica greve de 1968 em dias, e teve como elemento marcante a combatividade dos grevistas e seu questionamento à burocracia sindical, com ações como o religamento de energia de bairros pobres e desligamento de grandes empresários e da CFDP, um dos sindicatos que queria negociar com o governo a Reforma da Previdência.

Essa ação dos trabalhadores franceses que em muito lembra a história de “Robin Hood” - tirando dos mais ricos para dar aos mais pobres, se assemelhou à uma iniciativa aqui do Brasil, como noticiamos ontem no Esquerda Diário, através da categoria de petroleiros, que em greve há 6 dias têm demonstrado uma grande força em sua luta contra as mais de mil demissões na Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados/Fafen-PR e de privatização da Petrobras.

Os grevistas aqui começaram a distribuir gás de cozinha e gasolina a preços reduzidos, como forma de atingir a população com a sua luta e buscar o fundamental apoio dos trabalhadores e dos mais pobres necessitados. Por isso localizamos esse 8M também no momento político em que ele se dá, com a luta dessa categoria estratégica em curso e ameaçando diretamente os interesses privatistas e entreguistas de Paulo Guedes e Bolsonaro, dessa forma nós do grupo de Mulheres Pão e Rosas defendemos desde já que a mais ampla solidariedade das mulheres que são vanguarda da nossa classe, assim como do conjunto dos trabalhadores, para que essa luta se fortaleça e possa questionar de forma mais decisivas os planos desse governo seja em relação aos recursos naturais que são de propriedade de todo o povo brasileiro e não de alguns capitalistas, como também em relação ao conjunto dos ataques que querem aplicar contra os trabalhadores aqui no Brasil, pois se essa luta se massifica e vence, com certeza enquanto classe teremos mais condições de enfrentar os ataques de Bolsonaro contra nossos direitos. Essa batalha também estamos levando a todos os espaços onde atuamos, não só pelo Pão e Rosas, mas também através da Juventude Faísca e do Movimento Nossa Classe que atua em diversas categorias de trabalhadores, como metroviários, professores, entre outras.

Também levantamos de maneira decidida a importância de erguemos a bandeira histórica da luta pela legalização do aborto, principalmente agora num momento onde o governo Bolsonaro junto com sua ministra Damares propõe resgatar o estigma e preconceito contra pessoas que convivem com HIV e uma campanha de “abstinência sexual” para a juventude ao mesmo tempo que combatem a educação sexual nas escolas, os debates de gênero e diversidade e não investem em métodos preventivos e contraceptivos.

Por mais reacionário que seja Bolsonaro, o movimento de mulheres não deve permitir que nos imponham abrir mão de pautas tão caras, que significam a morte de milhares de mulheres, mulheres negras, indígenas e homens trans todos os anos, por isso em nossas intervenções defendemos nenhum passo atrás em relação as nossas bandeiras históricas e resgatamos a situação política em que se deu a maré verde argentina, onde mulheres e meninas, com amplo apoio da população enfrentaram o governo Macri para exigir o direito ao aborto, mobilizando-se por todo o país sem hesitar se estavam sob um governo favorável para pôr de pé esse esse momento histórico tão importante para o movimento de mulheres lá.

E nesta terça-feira (04), em reunião foi aprovada a concentração do ato para 14 horas na Av. Paulista, convite esse que desde já fazemos a todas as mulheres e trabalhadores leitores do Esquerda Diário, pois mais do que nunca devemos nos colocar de pé nesse 8M, construindo fortes mobilizações em todo o país. Nesse episódio, houve dezenas de intervenções propondo eixos para o ato, muitas delas pautando ideia de que “em defesa da democracia” era necessário levantar um forte “Fora Bolsonaro”, coincidindo de que num ano eleitoral era preciso defender também mais mulheres no parlamento. Nós do grupo de mulheres Pão e Rosas partimos em nossa intervenção - através da companheira Virgínia Guitzel, mulher trans ee estudante da UFABC - de saudar a importantíssima greve dos petroleiros, que representa o primeiro combate desta categoria contra o governo Bolsonaro e seus planos entreguistas dos nossos recursos naturais.

Debatendo também a importância das mulheres independentes e das diferentes organizações ali presentes cercarem de solidariedade esta luta, ao mesmo tempo que questionamos a orientação da CUT a maior central sindical desse país e que dirige sindicatos em categorias estratégicas como metalúrgicos professores, trabalhadores dos transportes, mas que frente à essa importante greve somente propôs um ato no dia 14 de fevereiro para realizar uma panfletagem em solidariedade à greve e contra os ataques do governo, tendo votado isso no ato contra Bolsonaro que realizaram na Av Paulista nesta segunda (3) as 9 horas da manhã que envolveu poucos trabalhadores, exatamente porque nesse horário estão trabalhando…

Por isso defendemos desde já uma mudança nessa orientação, para que toda a estrutura dessa central sindical que é gigantesca, assim como de outras como a CTB, sejam colocadas imediatamente à serviço dessa luta, cercando os petroleiros de solidariedade e buscando massificar o apoio à essa greve para que ela vença, pois seu desfecho influi diretamente nas condições que temos enquanto classe para enfrentar os ataques de Bolsonaro como a Reforma da Previdência, a aplicação da Reforma Trabalhista nos locais de trabalho, além de nos localizar de outra forma frente a ameaça de Reforma Administrativa que Guedes quer implementar contra os servidores públicos no próximo período. Ao final, todas as companheiras presentes tiraram uma foto em apoio à essa importante luta, como forma de romper o cerco midiático da imprensa burguesa, veja abaixo:

Nosso chamado é para que combatam junto aos petroleiros os ataques do governo e não em atos esvaziados os discursos verborrágicos, rompendo com o “consenso” burguês que para além de Bolsonaro chega até nos governadores do PT e do PCdoB, que apoiaram a Reforma da Previdência e agora estão buscando aprová-las estadualmente, como faz Fátima Bezerra no Rio Grande do Norte, com a contradição de ser uma mulher LGBT e buscar aprovar esse ataque que atinge em cheio as mulheres, em especial as negras e também os LGBTs. Ou como acabou de fazer Rui Costa na Bahia, também governador do PT, que para garantir a aprovação da Reforma usou até da compra dos deputados através de emendas e de repressão policial contra os trabalhadores que lutavam por sua aposentadoria.

Leia a declaração do MRT: Para a greve dos petroleiros vencer é urgente que a CUT mude sua orientação imediatamente

Por isso resgatamos o eixo do ano passado que passava pela defesa da Previdência, e que mais do que nunca era necessário nos perguntar porque no momento onde se avança este ataque estadualmente, inclusive tendo o PT e PCdoB como agentes diretos de sua implementação nos governos do Nordeste, este tema não era hierarquizado neste ano. Justamente um ataque que atinge especialmente as mulheres negras, que sofrem com a precarização dos contratos de trabalhos, com salários mais baixos e menos direitos trabalhistas. Questionando também a lógica meramente eleitoral de se apoiar na representatividade parlamentar como um eixo para intervenção das mulheres nesse 8 de março, como se somente eleger mulheres fosse nos garantir melhores condições de vida frente à crise que vive nosso país e todo o mundo, sendo a atuação de Fátima (PT) no RN um grande exemplo de que sem uma estratégia de independência de classe para vencer, mesmo parlamentares mulheres eleitas pelas mulheres e pelos trabalhadores podem governar contra nós e em defesa dos interesses dos mais ricos, atuando como pilar de sustentação dessa ordem que nos rouba todos os dias um pouco mais de vida enquanto descarrega sob nossas costas já surradas as contas da crise.

Por último, pelo fato do 8 de Março se dar uma semana antes de completar 2 anos do assassinato de Marielle Franco, devemos exigir centralmente uma investigação independente para que todos possam saber quem mandou matar Marielle, sem dar nenhum voto de confiança às instituições que levam todo esse processo, tendo em vista a intensificação das suspeitas da ligação da família Bolsonaro com esta crise que segue sendo uma ferida aberta do golpe institucional que levou Bolsonaro à presidência do país, inclusive para fazer com que todas nós paguemos pelo crise. Frente à isso não podemos ficar de braços cruzados diante de tal crime e de tantas outras mulheres que seguem sendo mortas, principalmente nas periferias, sofrendo com a violência machista e o descaso por nossas vidas que só aumenta nesse governo ultradireitista que luta contra nossos direitos.

Nós do grupo de mulheres Pão e Rosas fazemos um chamado à que as mulheres que concordam com estes eixos, e que acreditam que é necessário enfrentar a extrema-direita com uma estratégia diferente da conciliação de classe - que significa em tempos de crise ser agente direto dos ataques contra o conjunto da classe trabalhadora - a se somarem no nosso bloco no 8M e participar das reuniões batalhando conosco por estas ideias, não só em São Paulo mas também no interior do nosso estado e em todos os estados onde estamos, como Minas, Natal/RN, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.




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