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PSTU: rumo à “rebelião socialista” com o agronegócio e a patronal do transporte

André Augusto

Natal | @AcierAndy

quinta-feira 31 de maio| Edição do dia

A trajetória da política do PSTU no Brasil pós-golpe institucional se resumiu a adotar para si a política das alas mais reacionárias da burguesia; ou mais precisamente, a arrastar-se atrás dela. Em 2016, apoiou o golpe institucional promovido pela Lava Jato de Sérgio Moro, não elegendo melhor maneira de se delimitar do PT que ser a quinta roda da direita golpista. Em 2018, apoiou a condenação arbitrária de Lula pelo judiciário e posteriormente sua prisão pelo autoritarismo da Lava Jato, um novo “sujeito histórico” para o PSTU. Agora, seu cretinismo golpista chegou ao cúmulo de apoiar um movimento pró-patronal e reacionário dos empresários do transporte, cujo saldo político se resume ao fortalecimento da candidatura de Jair Bolsonaro e o lobby do agronegócio por uma intervenção militar.

Os bloqueios de caminhoneiros nesta última semana em todo o país trouxeram à tona as disputas entre distintas frações da burguesia por parcelas dos subsídios estatais (que concretamente são parcelas de mais-valia extraída dos trabalhadores) para seus lucros, expressando dois interesses corporativos capitalistas: de um lado, aqueles que se beneficiam do preço liberalizado dos combustíveis (mais altos), e de outro, setores que se beneficiam com o preço subsidiado (mais baixo). Ambos os setores, tanto o agronegócio como os empresários do transporte, estão em sintonia com a privatização da Petrobras e que os trabalhadores paguem os custos da redução do preço do óleo diesel, única reivindicação do movimento.

O PSTU, entretanto, aplaudiu desde o início o movimento da patronal dos transportes e do agronegócio, junto à base bolsonarista dos caminhoneiros. Chega a dizer que o governo Temer “não atendeu todas as reivindicações dos caminhoneiros” porque manteve “política de reajustes do combustível em favor do lucro dos acionistas estrangeiros da Petrobrás”. Este reacionário movimento pró-patronal nunca defendeu a redução de todos os combustíveis, apenas da redução do óleo diesel; são favoráveis aos lucros dos acionistas e da privatização da Petrobras (como defende seu candidato, Bolsonaro). O desprezo pela população está inclusive em que o acordo entre Temer e a direção empresarial do movimento exige que a população pague com mais impostos os subsídios patronais. Pode haver algo mais vergonhoso do que embelezar o programa reacionário da patronal para enganar os trabalhadores, como faz o PSTU?

O sujeito histórico do PSTU, portanto, vai além da Lava Jato de Moro e do imperialismo, de cujo golpe institucional foi a quinta roda: se encontra no grande latifúndio e nas transportadoras. Tornou-se um hábito para esta organização sujeitar-se ao ridículo papel de portavozes da direita no interior do movimento operário. Se para justificar a arbitrariedade judicial contra Lula, um precedente para que o regime bonapartista ataque as greves operárias, diziam que “não há nada que o Judiciário e a Polícia já não tenham experimentado e utilizado contra a classe trabalhadora” (sic), agora não veem nenhum problema em confundir os trabalhadores com as bandeiras dos defensores da intervenção militar e de Bolsonaro.

O PSTU diz ser necessário “cercar de solidariedade a paralisação dos caminhoneiros”, para fortalecer a luta “contra a reforma da Previdência, a privatização da Petrobras” e outras demandas. Chega a ser patético ter de explicar ao PSTU que quem dirige a paralisação das transportadoras quer uma reforma da Previdência mais dura que a de Temer, uma reforma trabalhista mais rígida, e sem dúvida querem entregar a Petrobras ao capital estrangeiro.

A tarefa da esquerda é separar-se taxativamente deste movimento reacionário dos transportadores e do agronegócio, batalhando para que os trabalhadores saibam quem são seus aliados e quem são seus inimigos, com um programa de independência de classe para que os capitalistas paguem pela crise. Conquistar os trabalhadores, que já desconfiam profundamente dos objetivos desse movimento, é de primeira importância para uma esquerda anti-imperialista e de independência de classe. Algo que o PSTU está longe de ser, atando-se vergonhosamente, em série, à FIESP, a Sérgio Moro, e agora a um movimento patronal defende que a classe trabalhadora pague pela crise.

A contracara dessa política é a adaptação via CSP-Conlutas, que o PSTU dirige majoritariamente, à traição do PT e da CUT, que continuam abrindo caminho para que a direita capitalize o descontentamento popular contra Temer. Em sua nota pública (ver aqui), a CSP-Conlutas não dirige uma palavra à traição da CUT e do PT, que com seus 13 anos de governo construiu a desmoralização das massas, permitiu a drenagem de recursos da Petrobras por acionistas privados e com sua corrupção deu continuidade à prática – que vem da ditadura, passando pelos governos de FHC – de infestar a estatal com burocratas que roubaram bilhões. Pelo contrário, cala qualquer crítica ao PT, e defende a mesma política submissa da CUT de apoio aos barões do transporte. É difícil encontrar a “delimitação com o PT”, que o PSTU brada aos quatro ventos...

Dentro da CSP-Conlutas, batalhamos contra essa linha defendida pelo PSTU, por uma política de verdadeira independência de classe.

Eis aqui o “objetivismo morenista” concentrado. Nahuel Moreno havia revisado a teoria da revolução permanente de Trotsky, e abandonado com isso uma estratégia de independência de classe, separando taxativamente os movimentos políticos reais das classes e das direções que os moviam. A classe trabalhadora não precisaria batalhar por seu programa independente contra toda variante burguesa, mas podia adaptar-se aos movimentos tais quais surgiam, uma vez que as condições da época os tornavam “objetivamente socialistas”, apesar de suas direções burguesas. Vimos a catástrofe dessa estratégia do PSTU no Oriente Médio em geral, e no Egito em particular, defendendo a repressão do Exército sobre a Irmandade Muçulmana; na Ucrânia em 2014 (apoiando os “rebeldes” neonazistas); e na Venezuela (onde, para se delimitar do autoritarismo de Maduro, o PSTU apoia a direita pró-imperialista). Os bloqueios “radicais” da base política de Bolsonaro seria agora o exemplo mais recente de um movimento “objetivamente socialista” no Brasil, como foram para o PSTU os manifestantes na FIESP e os procuradores da Lava Jato.

Neste apoio ao agronegócio por trás dos caminhões, o PSTU se irmana com as correntes os morenistas do PSOL, o MES e a CST, assim como a Resistência, que não reivindica de conjunto a tradição morenista mas foram fiéis a ela, todos de mãos dadas no grau zero de independência de classe. Sequer se entende porque a Resistência saiu do PSTU.

Diante dessa política, defender “os trabalhadores de forma independente da patronal” é uma frase folclórica. Serve para lavar a cara de uma organização que enterrou-se definitivamente na irrelevância sindicalista, procurando os novos sujeitos da direita para levar adiante as tarefas da classe trabalhadora. O PSTU aprofunda seu papel de baluarte da esquerda golpista.




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