Política

VOTAÇÂO DA ALERJ

PSOL vota em Ceciliano na ALERJ: o aliado da máfia do PMDB e a favor de privatizar a CEDAE

No dia 02/02, na votação para a presidência da ALERJ (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), o deputado André Ceciliano, foi eleito com o apoio do DEM, MDB, PSDB, PSC, PDT e.... do PSOL. Ceciliano sempre foi fiel aliado da máfia do PMDB carioca, apoiou a privatização da CEDAE e teve apoio (não reconhecido) de Wilson Witzel, que ficou famoso no ato de quebra da placa da Marielle.

Carolina Cacau

Foi candidata a vereadora do MRT em 2016, é estudante da UERJ e professora da rede estadual.

quinta-feira 7 de fevereiro| Edição do dia

Quem é André Ceciliano?

André Ceciliano tem nas costas uma longa lista de medidas em defesa dos ataques dos patrões e governantes contra os trabalhadores do estado do Rio de Janeiro. Para ficar somente entre algumas das mais graves: votou a favor da privatização da CEDAE (Companhia Estadual de Águas e Esgotos), enquanto centenas de trabalhadores eram reprimidos do lado de fora da Alerj, lutando contra este ataque. Colocou em votação como presidente interino da ALERJ e apoiou o aumento da alíquota previdenciária dos servidores estaduais (uma reforma da previdência parcial) e também apoiou e ajudou a aprovar o pacote de austeridade com o Regime de Recuperação Fiscal que fazia parte da chantagem do Temer e Pezão contra o povo fluminense. Ceciliano sempre teve como cabo eleitoral Pezão, Cabral e o que existe de pior da casta política carioca, além de que é alvo de uma série de denúncias de corrupção.

É por questões como estas que até mesmo no PT carioca, que é famoso por ser dos estados onde este é mais direitista, Ceciliano é o campeão dos serviços prestados aos patrões e à direita.

Ceciliano também foi o candidato do reacionário Witzel, apesar deste não assumir

Como parte desses apoios de inimigos dos trabalhadores e do povo carioca, Ceciliano foi também apoiado, não oficialmente, por ninguém menos que o governador Wilson Witzel (PSC, partido anterior de Bolsonaro antes do atual PSL), que ficou conhecido no execrável ato dos reacionários que quebraram a placa da Marielle.

Ceciliano será aliado de Witzel dentro da Alerj para passar os ataques que pretende aprovar. O líder da Câmara, Márcio Pacheco (PSC, partido de Witzel), retirou sua candidatura para apoiar Ceciliano em troca da presidência da Comissão de Constituição e Justiça.

Witzel já havia elogiado Ceciliano dizendo que:

Vossa excelência tem sido parceiro, e tenho certeza que continuará sendo parceiro do governo. Nosso partido é o estado do Rio de Janeiro.

E em diferentes ocasiões se encontraram para conversar sobre as pautas do Estado, o que provavelmente incluía o apoio à eleição.

Ao lado de Ceciliano, Witzel e seu vice seguram textos de projetos em tramitação na Casa Foto: Divulgação/Thiago Lontra/Ascom Alerj

O lamentável apoio do PSOL: um giro à direita na aposta eterna de “uma boa localização no parlamento”

O PSOL-RJ pela primeira vez em 12 anos apoiou uma candidatura de outro partido à presidência da ALERJ.

Em entrevista para a UOL em novembro de 2018, o deputado Flávio Serafini (PSOL-RJ), líder da bancada do PSOL, disse que: "Vivemos um momento diferente, com o avanço do autoritarismo. A postura republicana nesse instante é muito importante. Temos dialogado com o André Ceciliano, mas pretendemos manter a nossa independência. O que nos preocupa é a bancada do PSL, que propõe para a Alerj uma política centrada na perseguição de forças ideológicas diferentes. É incrível que, com um estado quebrado, com dez deputados presos, a preocupação deles seja o PSOL. É um misto de autoritarismo com falso moralismo inacreditável."

Ainda que uma candidatura do PSL não seria nenhuma justificativa para um partido de esquerda apoiar Ceciliano, sequer este cenário que Serafini indicava como possível "justificativa", se deu. Os bolsonaristas do PSL estavam apoiando André Corrêa (DEM) e ele foi preso na Operação Furna da Onça e outras tentativas naufragaram pela divisão interna no PSL e as crises que se aprofundaram com os escândalos ao redor de Flávio Bolsonaro.

Além de Serafini, a bancada do PSOL é composta pelo deputado Eliomar Coelho e as deputadas Dani Monteiro, Mônica Francisco e Renata Souza. Apesar de não ter soltado nenhuma nota pública com a posição do voto, todos os parlamentares do PSOL votaram em Ceciliano, como se pode ver na imagem (acima neste tópico) dos deputados que votaram “SIM”.

Essa posição dos parlamentares do PSOL de apoiar um conhecido pelos próprios parlamentares da Alerj, como um petista do MDB, que o PSOL tanto denuncia como “máfia”, se conecta ao giro à direita nacional, de constituir uma‘Frente ampla parlamentar’ com burgueses e golpistas, como o PSB e REDE de Marina Silva, na Câmara Federal.

Nacionalmente, o PSOL teve uma posição crítica correta ao PCdoB por mais uma vez apoiar Rodrigo Maia (para presidência da câmara), um direitista que inclusive foi um aliado importante de Temer para aprovar a reforma trabalhista e os ataques da consolidação do golpe institucional. No entanto, ao invés de se apresentar como alternativa de esquerda independente do PT, com uma estratégia para enfrentar a direita no terreno da luta de classes, fizeram um acordo com o PT e partidos golpistas e burgueses. No Rio foi ainda pior, compondo este bloco com partidos de direita como o DEM, MDB e o PSC em apoio a Ceciliano.

Aparentemente, é o “vale tudo” para manter sua possível posição na Comissão de Direitos Humanos e possivelmente estar à frente da Comissão de Educação da Alerj. Assim como o PCdoB argumenta sua política de apoio a Rodrigo Maia “pela importância das posições nas comissões”, o PSOL repete vergonhosamente isso no RJ. A contracara dessa linha parlamentar é a convivência pacífica com a burocracia política e sindical do PT e PCdoB, sem fazer nenhuma exigência as centrais sindicais e entidades estudantis para que organizem um plano de luta para organizar os trabalhadores contra os ataques de Bolsonaro e Witzel.

Uma estratégia meramente parlamentar e oportunista, que visa posicionarem-se para as próximas eleições, mas vai contra qualquer papel efetivo na luta por barrar a ofensiva da direita.

O PSOL deveria utilizar suas posições no parlamento e o aumento da sua projeção política nestas eleições, para ser um impulsionador da luta de classes e também suas posições nas entidades estudantis do RJ, como o DCE da UFRJ, e nas diretorias de sindicatos importantes no estado, como o SEPE, para fazer esse chamado de exigência as centrais sindicais e organizar nas bases um plano de luta para enfrentar os ataques que estão por vir, com um programa que faça com que os capitalistas pagarem pela crise. Um combate verdadeiramente em defesa dos trabalhadores, das mulheres, LGBT e do povo negro pobre e oprimido das favelas cariocas deveria ser unificar todos esses setores contra os capitalistas e seus partidos para enfrentar a extrema direita através de uma frente única operária para a luta de classes.




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