Educação

RACISMO

Mulher negra é agredida por usar turbante

Mulher negra sofre agressão racista e teve seu turbante arrancado durante a festa de formatura do curso de engenharia civil da Universidade Federal de Uberlândia.

terça-feira 25 de abril de 2017| Edição do dia

Dandara estava na festa de formatura do curso de engenharia civil da UFU, neste sábado (22 de abril) como convidada de um amigo que estava se formando quando foi vítima de racismo. Ela utilizava um turbante na cabeça, algo que segundo Dandara despertou olhares de incômodo desde o início da festa. No final da festa um homem puxou o turbante de Dandara tentando arranca-lo de sua cabeça mas ela reagiu na hora ordenando que soltasse. Pouco tempo depois passou novamente perto do mesmo homem que puxou pela segunda vez seu turbante e acenou para que seus amigos fossem até lá. Um deles tirou o turbante da cabeça dela, jogou no chão e começaram a jogar cerveja em seu corpo.

Os seguranças foram chamados pelos amigos de Dandara para socorre-la, e expulsaram os agressores da festa. Mas ainda assim as agressões continuaram, já que teve que escutar xingamentos e ameaças das namoradas que ficaram mais indignadas com o fato de seus namorados terem sido expulsos da festa do que com o fato de serem racistas e terem agredido uma mulher negra.

No domingo foi até a delegacia registrar um boletim de ocorrência por agressão física motivada por preconceito racial, mas o policial disse que o caso não se enquadra em violência racista. Dandara entrou em contato com advogados e vai processar os agressores.

Esse é um caso explícito do racismo que vivenciados cotidianamente e são silenciados pelo discurso racista do Mito da Democracia Racial, que tenta apagar da história a relação violenta e conflituosa baseada na opressão e exploração da burguesia branca e luta e resistência da população negra, para dizer que não existe racismo no Brasil.

O Mito da Democracia Racial expressa uma das faces mais cruéis do racismo, pois ao apagar conscientemente nossa história, esconde a violência brutal a qual os negros sempre estiveram submetidos no país ao mesmo tempo que nos deixa sem referência de exemplos históricos de organização e resistência da população negra, e cria uma desconexão entre a opressão que vivemos hoje e o histórico de criminalização cultura negra.

Uma mulher negra utilizando um turbante significa que apesar de todos os esforços de negar nossa existência e nos embranquecer seguimos encontrando meios de nos mantermos resistindo.

Esse não é um caso isolado, mas expressa o quanto o estado brasileiro é racista, diretamente responsável pelo assassinato de centenas de negros através da polícia e permite que negras e negros sejam agredidos não punindo os agressores.

Dandara disse em publicação no facebook onde contava sobre a agressão que sofreu: “Me mantive forte muito tempo. Mas o racismo é cruel. Minha lágrimas estão molhando muito a tela do celular, só de pensar que estes e tantos outros passaram impunes. Tenho muito orgulho de ter formado um preto, pobre vindo do interior como o Filipe Almeida, seguimos com a certeza de que vamos resistir.”




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