ELEIÇÕES 2018

Militares encabeçam campanha de Bolsonaro: pelo fim dos livros de história e mais repressão

Bolsonaro coloca ao lado de Paulo Guedes grupo de militares para pensar sua campanha e seu governo. Os destaques desse grupo são Augusto Heleno, que chefiou a operação militar no Haiti que reprimiu por 13 anos o povo haitiano, e Aléssio Ribeiro, que quer eliminar os livros que não contem a "verdade" sobre a ditadura militar.

quarta-feira 10 de outubro| Edição do dia

Foto: General Augusto Heleno, braço direito de Bolsonaro e ex-líder das tropas brasileiras no Haiti

Para pensar sua campanha e seu futuro governo, Jair Bolsonaro reuniu uma equipe que mais parece um quartel general: são 30 militares reunidos pensando diversos assuntos para sua campanha. Com o tempo, militares vão sendo incorporados nos debates econômicos e políticos em sua campanha, mostrando a intensa politização e tutela das forças armadas na chapa de Bolsonaro, que tem como vice o general Hamilton Mourão.

Os generais trabalham ao lado do economista de Bolsonaro, Paulo Guedes, acusado de fraude milionária no BNDES e mentor dos inúmeros ataques contra a classe trabalhadora que traz o programa de governo de Bolsonaro: privatização e extinção de 50 estatais, reforma da previdência e implementação com força total da reforma trabalhista aprovada por Temer.

Paulo Guedes coordena os generais para pensar as melhores formas de aplicar ataques e ajustes duríssimos contra os trabalhadores em nome da manutenção do lucro dos capitalistas, declaradamente aliados à Bolsonaro. A meta número 1 de Guedes são corte de gastos e enxugamento da máquina pública. Ao todo são 30 "equipes temáticas", formadas por militares, que guiam debates sobre educação e gestão de tecnologia.

Formado no berço do imperialismo, Paulo Guedes é economista criado na Universidade de Chicago, e defende medidas como por exemplo aposentadoria de R$239 reais e uma carteira de trabalho "verde e amarela", que significa o que há de mais brutal da reforma trabalhista: situação de trabalho ainda mais precarizada, visando o lucro do patrão com "encargos zero".

O general Augusto Heleno, responsável por liderar as tropas brasileiras no Haiti, que à serviço do imperialismo massacraram o povo haitiano, encabeça os debates de segurança e defesa, atuando na área que melhor lhe compete: relações exteriores. Jair Bolsonaro escolhe a dedo aqueles que podem levar a cabo sua política racista, xenófoba e repressora: quer armar latifundiários contra imigrantes e movimentos sociais que lutam por moradia. Não há ninguém melhor que o líder da repressão histórica das tropas brasileiras sobre o Haiti.

Saiba mais: O brutal legado de opressão das tropas brasileiras nos 13 anos de ocupação do Haiti

É sob o histórico de repressão ao povo haitiano, povo que conquistou sua independência numa luta histórica dos negros, Heleno é braço direito no projeto de repressão de Bolsonaro e vem sendo cotado para chefiar o Ministério da Defesa.

Para abrir as discussões sobre educação, ciência e tecnologia, Paulo Guedes se articula com o general Aléssio Souto Ribeiro. "Os livros de história que não tragam a verdade sobre 1964 devem ser eliminados", é assim que pensa Aléssio que toma a frente da educação, mostrando que a equipe de Bolsonaro estará forte no objetivo de reviver as memórias mais nefastas da ditadura, apagando o histórico de luta dos trabalhadores e da juventude, que morreram nas mãos da sua turma.


Aléssio Ribeiro, o general que quer banir livros que não falem a "verdade" sobre a ditadura militar

A campanha de Bolsonaro, que mais parece uma reunião de ex-militares saudosos da ditadura militar, deixa mais evidente o caráter reacionário do governo que se propõe a fazer. Investindo pesado no autoritarismo e na repressão, Bolsonaro coloca seu governo nas mãos dos ratos do DOPs, para avançar numa política anti-trabalhador, de duros ataques e retrocessos para as mulheres, negros, LGBTs e indígenas.




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