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Machista LGBTQfóbico, Ministro da Educação acusou Universidades de ensinar “sexo sem limites”

segunda-feira 13 de julho| Edição do dia

Como já era de se esperar que boa coisa não viria, após a estadia do racista Abraham Weintraub no Ministério da Educação, Bolsonaro agora nomeia mais um militar para seu governo. E como se não bastasse ser militar da reserva do Exército, Milton Ribeiro é pastor e privatista: o pacote perfeito para um governo reacionário como de Bolsonaro e Mourão. Os vídeos do pastor que estão rodando pelas redes sociais deixam bem demarcadas a linha ideológica conservadora que seguirá predominando o MEC. Defensor da violência física para educar as crianças, Milton Ribeiro discursa também que as Universidades estão ensinando “prática sexual sem limites” aos jovens.

O novo Ministro da Educação afirma em vídeo que desde a revolução sexual da década de 60, “o mundo foi perdendo a referência do que é certo e do que é errado em termos de conduta sexual”. Típico discurso conservador que Damares aplaudiria de pé. A liberação sexual impulsionada na década de 60 pelo movimento LGBT foi um importante avanço no questionamento profundo a todo tipo de repressão sexual, que no final da década viria a eclodir na revolta de Stonewall. Os ideólogos da extrema-direita, como Milton Ribeiro, propagam discursos falaciosos sobre a “ideologia de gênero” nas escolas em defesa do que eles consideram “certo”: homens e mulheres reprimidos sexualmente desde a infância para obedecerem as regras de sexo como procriação e aceitarem toda exploração imposta pelo capitalismo.

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Como vemos, o ex vice-reitor da Universidade Mackenzie está no Ministério da Educação a serviço de manter na ordem do dia o conservadorismo e a privatização. Num movimento nítido de Bolsonaro para agradar a base evangélica, Milton Ribeiro seguirá com políticas contra a educação sexual nas escolas, corroborando com os alucinantes discursos de Damares Alves, trazendo sérias consequências para a juventude.

Debater sobre educação sexual, identidade de gênero e sexualidade nas escolas é uma importante arma contra as altas taxas de gravidez indesejadas na adolescência e as Infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), por exemplo. Mais de fundo, a educação sexual auxilia milhares de jovens a entenderem melhor a si mesmos, compreendendo que podem e deveriam poder ser livres para realizar seus desejos. Contudo, se a discussão leva a reflexões tão profundas o próprio sistema capitalista é colocado em cheque, já que uma das bases de sua sustentação é se alçar nas opressões de gênero e raça.

Por fim, cabe lembrar ao novo Ministro da Educação o importante papel que as Universidades Federais vêm tendo no combate à pandemia, produzindo máscaras, álcool gel e até mesmo respiradores. E que, inclusive, a potencialidade da ciência universitária à serviço de combater a crise sanitária poderia estar muito mais avançada se não fossem os cortes na educação e ataques ao ensino superior público, agora materializado pelo EAD.

Os discursos de Milton Ribeiro são motivo de revolta principalmente entre a juventude e os trabalhadores da educação. É preciso transformar essa raiva em luta organizada contra Bolsonaro e Mourão. Desde a saída de Weintraub viemos alertando que a mera troca de peças, como acontece frequentemente no Ministério da Educação, não é a solução para os ataques à juventude e à classe trabalhadora. Para conseguirmos dar uma resposta de conjunto à crise sanitária, econômica e política precisamos lutar pelo Fora Bolsonaro e Mourão e por uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana, para que o povo possa decidir os rumos do país.




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