Gênero e sexualidade

PESSOAS TRANS

Gestão Covas desmonta Unidade Básica de Saúde que atende quase 1000 pessoas trans em SP

Após privatização, funcionárias da UBS Santa Cecília, que atuavam há 5 anos na unidade, foram removidas da unidade. A investigação é da Ponte Jornalismo.

quinta-feira 26 de novembro de 2020| Edição do dia

Foto: Agência Patrícia Galvão.

A Unidade Básica de Saúde Dr. Humberto Pascale, localizada na rua Vitorino Carmilo, na Barra Funda, região central da cidade de São Paulo, está deixando de atender as mais de 900 pessoas trans que fazem uso da unidade. A unidade foi a primeira a realizar a hormonização para pessoas trans no país.

Segundo trabalhadores da UBS, a mudança começou após a UBS ser terceirizada e o IABAS (Instituto de Atenção Básica e Avançada à Saúde) assumir a direção, durante a gestão do atual prefeito Bruno Covas (PSDB). O instituto é investigado por corrupção nas gestões de Eduardo Paes e Marcelo Crivella, entre 2009 e 2019 na cidade do Rio de Janeiro.

Os profissionais que cuidavam da saúde da população trans foram direcionados para outros locais sem nenhuma justificativa. As três funcionárias que cuidavam das especialidades de endocrinologia, psicologia e ginecologia, foram transferidas da unidade, o que se dará após o fim de 2020.

Especialistas e pessoas trans usuárias da UBS Santa Cecília ouvidos pela Ponte relataram que o CRT (Centro de Referência e Treinamento) Santa Cruz, outro espaço importante no processo de hormonização, não consegue suportar toda a população trans, e já se encontra superlotado. Só 3 UBSs fazem a hormonização e estão no centro da cidade, mostrando como já há um problema na cobertura de áreas periféricas.

A UBS Santa Cecília, que está sendo desmontada, é considerada por uma das pessoas ouvidas como a maior referência para tratamento hormonal e acompanhamento psicológico para pessoas trans.

A extrema direita bolsonarista e a bancada evangélica veem há anos perseguindo e estigmatizando a população LGBT. Com essa medida, a gestão tucana de Covas mostra mais uma vez que o BolsoDoria em SP em 2018 não foi um acidente, mas uma mostra dos objetivos e métodos em comum com o bolsonarismo.




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