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Estudantes rompem com o 7º Congresso da UFRGS denunciando a farsa orquestrada pelo DCE

"Nesse congresso burocratizado, o estudante não tá representado" foi o grito que ecoou no 7º Congresso de estudantes da UFRGS neste domingo (08), denunciando a farsa orquestrada pela atual gestão do DCE (PT e UJS). Mesmo com a maioria dos estudantes se retirando, o DCE deu continuidade às votações, de maneira totalmente antidemocrática e ilegítima.

segunda-feira 11 de dezembro de 2017| Edição do dia

Do início ao fim o 7º Congresso dos estudantes da UFRGS foi uma farsa. Um espaço importante como este deveria ser amplamente discutido com a base dos estudantes e bastante representativo. Ao contrário disso, muitos cursos sequer elegeram delegados e a grande maioria dos estudantes da universidade nem sabia que estava ocorrendo congresso no último final de semana. No próprio congresso alguns delegados denunciavam que em seus cursos a votação ocorreu de maneira antidemocrática, sem que os próprios delegados tivessem clareza de qual seria sua função naquele espaço.

Além disso, o congresso poderia ter ocorrido no calor das duas grandes greves de professores e municipários, votando medidas que apontassem no sentido de os estudantes se somarem à luta dos trabalhadores para derrotar Sartori e Marchezan. Depois de boicotar qualquer possibilidade dos estudantes se somarem à luta das categorias, a gestão do DCE fez um Congresso priorizando uma mudança estatutária do que a discussão sobre as lutas que precisam ser travadas desde já pelos estudantes.

Diretórios Acadêmicos e organizações de oposição ao DCE denunciaram, do início ao fim, a ilegitimidade do espaço. Os delegados da Faísca propunham diretamente que aquele espaço, sem representatividade para ser um Congresso, deveria se transformar em uma plenária de mobilização que encaminhasse medidas concretas para que os estudantes se somassem à luta contra as privatizações e os ataques de Sartori e também contra a reforma da previdência que o governo golpista pretende votar ainda este ano.

Na plenária final do congresso não chegou a 90 delegados inscritos. Nem sequer uma centena de estudantes, muitos que foram eleitos delegados em processos totalmente burocráticos, sem debate com a base dos cursos, respondendo pelos quase 30 mil alunos da universidade. Um grupo de estudantes de oposição, entre delegados e observadores, que inclusive contava com mais pessoas do que os que os delegados que estavam na plenária, denunciou o absurdo que era aquilo que a gestão do DCE chamava de congresso, rompendo com o espaço. A maioria dos estudantes ali presentes foram impedidos de entrar na plenária, com a gestão do DCE inclusive utilizando de seguranças privados para barrar a passagem dos estudantes. Um pequeno grupo pode entrar e mesmo assim a gestão do PT e da UJS não queria lhes permitir dialogar com os delegados ali presentes.

Vídeo do DCE impedindo a entrada dos estudantes na plenária final:

Na própria plenária a legimidade do congresso e das votações estava sendo questionada. Um advogado foi chamado pela gestão do DCE para fazer malabarismos jurídicos e justificar o andamento das votações mesmo sem representatividade e com um plenário esvaziado. Mesmo com muitos delegados pedindo à mesa que liberasse o microfone para que a oposição pudesse falar, a gestão do DCE insistia em não ceder. Após muito esforço e pressão de dezenas de estudantes impedidos de entrar no espaço, foram liberadas falas à oposição, que explicou o por que da ruptura de um amplo setor com o congresso, resultando no esvaziamento ainda maior da plenária final, pois alguns delegados ali presentes também resolveram se retirar.

Após isso, uma reunião dos setores que romperam com o congresso, que claramente contava com mais estudantes do que a própria plenária, discutiu o ocorrido nos dois dias de congresso. Foi encaminhado o retorno para os cursos, disputando a versão dos fatos com o DCE e buscando ganhar os estudantes para lutar desde já contra os ataques dos governos. Serão impulsionadas desde os DAs e CAs, e também a partir dos estudantes que são oposição em seus cursos, assembleias e ações para fazer o que o DCE não vem fazendo desde o início da gestão e se demonstra cada vez menos disposto a fazer: organizar os estudantes desde as bases para enfrentar os ataques dos governos e da reitoria.

O episódio marcou a total irresponsabilidade da gestão atual do DCE com os estudantes e com a luta contra as reformas neoliberais que estão sendo aplicadas pelos governos. Um plano de lutas descolado da principal mobilização que os trabalhadores da educação fizeram no estado jamais terá o mesmo impacto quando os estudantes o fizerem sem esta aliança. Ou seja, não é de interesse deste setor derrotar de fato a reitoria e os governos, pelo contrário, abrem ainda mais espaço para que a crise seja descarregada nas costas dos trabalhadores e estudantes da UFRGS sem resistência alguma.

O grupo de delegados e estudantes que impulsionam a Juventude Faísca e o grupo de mulheres Pão e Rosas, denunciaram a farsa que representava o 7º Congresso desde o inicio. Nas palavras de Valéria Muller, estudantes de Letras e militante do Pão e Rosas:

"Não apenas denunciamos este Congresso como uma farsa do DCE na tentativa de legitimar sua gestão que foge e trai nossas lutas, mas como fizemos o chamado desde o inicio para transformar aquele espaço em uma plenária dos estudantes que organizasse de fato um plano de lutas a altura de nossos desafios. Sartori que aplicar uma série de medidas contra o patrimônio público gaúcho, Temer quer votar a Reforma da Previdência, e a reitoria segue descarregando tudo nas costas dos estudantes e trabalhadores desta universidade. Agora, temos que denunciar o ocorrido aos estudantes e fazer um amplo chamado para nos mobilizarmos contra estes ataques, com assembleias de curso e passagens em salas de aula para tornar o movimento estudantil vivo e organizado para rebater os ataques que vão querer implementar ainda este ano".

Abaixo o vídeo da Faísca e Pão e Rosas explicando o ocorrido:




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