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CHEGA AO BRASIL | Esquerda Diário: a força das ideias

Uma busca de criar uma ferramenta de notícias e ideias que possam oferecer um ponto de vista de esquerda sobre distintos temas da nossa realidade.

terça-feira 24 de março de 2015 | 21:00

Chegou ao Brasil o portal de notícias e opiniões Esquerda Diário, um diário latino-americano lançado em setembro do ano passado na Argentina e expandido ao Chile e ao Brasil nesse mês de março. Chegou já com mais de 500 mil acessos mensais na Argentina e caminha rumo à leitura de milhões, combinando sua produção nos países em que já houve o lançamento e em potenciais novos projetos.

Em nossa visão, é muito mais que um diário. É uma busca pela criação de uma ferramenta de notícias e ideias que possa oferecer um ponto de vista de esquerda sobre distintos temas da nossa realidade política, econômica, cultural e social, no Brasil e no mundo, que extrapole os limites ideológicos que os grandes meios carregam.

Nacionalmente, deve ser um instrumento alternativo à grande mídia, aos fortes monopólios de jornalismo televisivo e sua - em geral - opinião conservadora sobre os acontecimentos, mas também distinto das “alternativas” limitadas, que continuam atadas à defesa do governo federal (a conhecida “blogsfera petista”), o que impede que sejam realmente independentes e sse tornam cada vez mais impotentes frente às necessidades atuais da esquerda no país.

Além disso, podemos dizer que construir um forte instrumento de ideias é, de certa forma, uma necessidade imposta pela situação internacional atual, em que estamos vivenciando um mundo completamente modificado por uma enorme crise econômica, com grandes transformações políticas no mundo árabe, com levantes e mobilizações da juventude na Europa (indignados), nos EUA (Occupy) e na América Latina (chegaram mais tardiamente ao Brasil com “junho” de 2013).

Também é notável o novo protagonismo dos trabalhadores, que começam a ser sujeitos de diversas lutas no mundo, e então torna-se fundamental expressar essas mudanças em uma mídia alternativa. Mais que isso, é preciso notar que essa disposição (a nível de massas) de mudar a realidade, se não encontrar as ferramentas necessárias para essa mudança, pode terminar em novos fracassos. A disputa de ideias e informação é parte fundamental nesse processo.

Isso porque uma das grandes barreiras para o desenvolvimento de ideias de esquerda tem sido os próprios monopólios de comunicação: são formadores de opinião. No caso, opinião e pontos de vista que tendem à manutenção do status quo vigente. Karl Marx dizia que o desenvolvimento do capitalismo e suas mercadorias cria uma dinâmica enrijecida em que os homens e mulheres tornam-se servos dessa própria dinâmica, presos ao desenvolvimento dos acontecimentos, “servos de um fetiche”, o metabolismo das mercadorias.

“Eles não sabem, mas fazem”, dizia Marx, sobre a atividade cotidiana dos homens e mulheres no trabalho, sobre o impulso cotidiano de mover-se no mundo da produção de mercadorias. O mesmo poderíamos dizer de suas ideias: “agem e opinam”, todos emitem juízos sobre os distintos temas da sua vida cotidiana e sua realidade social, sem perceber que essas opiniões são formadas e moldadas, em particular, por imensos monopólios de comunicação.

Irromper contra essa lógica é uma questão fundamental na atualidade. É uma questão posta há tempos atrás, mas que retoma uma enorme atualidade. Trata-se de oferecer novas ideias, que possam partir das flores do pensamento dos trabalhadores para modificar até à raiz de suas vidas, de seu trabalho, e mesmo o conjunto de sua classe.

Esse é o desafio. Nessa perspectiva, o Esquerda Diário no Brasil busca oferecer uma contribuição para o caminho independente do jornalismo de esquerda, da formação da opinião crítica e do embate ideológico contra esse sistema em que o capital é o senhor e sua forma política é uma democracia dominada pelos ricos e é cada vez mais degradada.

Nesse sentido, o Esquerda Diário não se pretende um jornalismo imparcial. Nosso ponto de vista é de todos aqueles que anseiam por uma forma de sociabilidade onde o trabalho não seja explorado, onde não reine os distintos casos de opressão, preconceito e violência contra as classes subalternas (e todos os setores oprimidos da sociedade), onde a democracia floresça das bases e possa construir uma sociedade planificada economicamente, que avance em sua tecnologia e suas ideias em prol da emancipação dos trabalhadores. Uma sociedade de trabalhadores livremente associados.

No caminho dessa perspectiva, formar uma “opinião” de esquerda para as massas trabalhadoras, único sujeito social que pode oferecer essa mudança “da cabeça aos pés” da sociedade, é uma das tarefas que nos propomos. E nessa empreitada convidamos a todos os que quiserem contribuir para se tornar nossos companheiros nessa militância política e ideológica a partir do Esquerda Diário.




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