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Em nova declaração, Flávio Dino (PCdoB) aponta unidade com a direita e contra os trabalhadores

Não é de hoje que Flávio Dino, governador do Maranhão pelo PCdoB, declara aos quatro ventos suas intenções de uma unidade da oposição com setores da direita, “quanto mais união, melhor, inclusive, para além da esquerda”, declarou em entrevista ao jornal Correio Braziliense. Mas que oposição é essa que o PCdoB vem construindo? Qual o conteúdo da unidade que se pode construir com Maia, Luciano Huck, Doria e até mesmo Mourão?

quarta-feira 8 de julho| Edição do dia

Relembremos alguns episódios da história recente para entender essa trajetória do PCdoB rumo aos braços da direita.

Em 2019, em meio às eleições presidenciais que levaram Bolsonaro à presidência, o PCdoB apoiou a recondução de Rodrigo Maia à presidência da câmara dos deputados, deu seu apoio ao quadro histórico do partido conservador-liberal de direita, DEM, que até 2007 era conhecido como PFL – herdeiro direto do partido oficial da ditadura militar, o ARENA. Não à toa, Rodrigo Maia também foi apoiado pelo então partido do presidente, PSL, já que seria peça fundamental para o encaminhamento das reformas contra os trabalhadores. Assim se sucedeu, Rodrigo Maia, Globo, Guedes e Bolsonaro de mãos dadas, em aliança com o conjunto dos golpistas na câmara impuseram um dos maiores ataques à classe trabalhadora brasileira, a reforma da previdência que pretende nos fazer trabalhar até morrer.

Ainda no final de 2019, Flávio Dino, como governador do Maranhão, foi o primeiro a buscar se “adequar” às novas regras e atacar seus servidores públicos após a aprovação da destruição das aposentadorias com a Reforma da Previdência de Bolsonaro e Guedes aprovada no Congresso Nacional, onde Maia teve papel fundamental. Também aderiu ao programa de privatização de gás de Bolsonaro, autorizando a privatização da Companhia Maranhense de Gás.

No início de 2020, Flavio Dino reafirmou seu desejo e intenção na manutenção de diálogos e alianças com setores abertamente liberais, como Luciano Huck. Em entrevista ao Globo defendeu: "Muita abertura para promover uniões entre o campo da esquerda, o campo progressista, e também alcançando forças políticas que estão externas ao nosso campo, como os setores liberais, chamados de partidos de centro.".

Não era de se esperar nada diferente frente à pandemia e ao aprofundamento da crise social no país nos meses que se seguiram, chegando ao absurdo de declarar em abril que o “Brasil chegará em 2022 em melhores condições” se o poder for entregue ao saudoso defensor da ditadura militar, general Hamilton Mourão, que apenas alguns dias antes soltou declaração em apoio ao golpe militar de 1964que perseguiu, matou e torturou milhares de pessoas.

A estratégia de alianças com a direita para objetivos puramente eleitorais que o PCdoB, assim como o PT, leva a diante estão totalmente fadadas ao fracasso pelo fato de que nunca se pode desvencilhar a forma do conteúdo, e isso fica expresso em todos os episódios citados acima, em que o conteúdo dessa aliança significou reforma da previdência contra os trabalhadores, privatização, fortalecimento de interesses liberais e até mesmo do que há de mais reacionário na história do país como os defensores da ditadura.

Por precisamos assumir a tarefa de conectar a força da insatisfação de massas que se expressa contra o governo Bolsonaro hoje com o programa correto para fazer avançar essa força em auto-organização e poder nas mãos da classe trabalhadora. É neste sentido que faz falta um pólo de independência de classe que agite fortemente pela bandeira de Fora Bolsonaro e Mourão e uma saída que não questione somente o governo, mas também esse regime podre do golpe institucional, o que significaria lutar por uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana.

Não há outra via possível de conquistar vitórias concretas para a vida dos trabalhadores e setores mais oprimidos que não seja a do fortalecimento de uma alternativa política independente, que hoje no Brasil significaria romper com uma política institucional e de seguidismo ao PT e sua estratégia de pactuar com a burguesia, para construir um partido revolucionário que impulsione que os trabalhadores confiem em seu potencial de auto-organização.

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