Gênero e sexualidade

LEGALIZAÇÃO DO ABORTO

Eles traem uns aos outros, nós estamos organizadas

A esta altura, com a pressão da Igreja sobre o Senado e as manobras de senadoras e senadores de um lugar para outro, a aprovação da legalização aborto na Argentina está em perigo. Somente a força das lutadoras e lutadores manifestada nas ruas pode fazê-los pagar caro se continuarem manobrando com nossos direitos e nossas vidas.

Andrea D’Atri

@andreadatri

terça-feira 7 de agosto| Edição do dia

A rejeição da lei de legalização do aborto na Argentina se fortalece no Senado. A Igreja, apoiada economicamente pelo Estado por decretos da ditadura genocida nunca revogados, utiliza esse dinheiro para reforçar sua pressão sobre o poder legislativo. Mas no Senado eles também já têm seus fiéis servidores, como a vice-presidente Gabriela Michetti e várias senadoras e senadores tanto do Cambiemos quanto do PJ.

A Frente pela Vitória (Frente para la Victoria) de Cristina Kirchner que, em um rápido cálculo oportunista, declarou publicamente que seu bloco no Senado votaria em favor do aborto legal por unanimidade, acordou no domingo com uma nova traição, tão comum no peronismo. A Senadora kirchnerista Garcia Larraburu, de Rio Negro, que preside a Comissão de Ciência e Técnica do Senado, usou o exemplo da virgem Maria da Igreja Católica, para anunciar sua decisão de se juntar ao lado daqueles que querem manter o aborto clandestino, que leva à morte as mulheres mais pobres do país.

A previsão é de 37 votos contra, 31 a favor, 1 abstenção e 1 ausência. Se todas as organizações políticas, sindicais, estudantis e movimentos sociais que se sentem representados por essas senadoras e senadores que votarão a favor da legalização do aborto quiserem reverter esse resultado negativo, é urgente e necessário que façam um chamado para mobilizar todas as pessoas que aderem às suas ideias. Que Cristina Kirchner abandone seu silêncio e convoque todos aqueles que a apoiam e a consideram sua representante política para se mobilizar no dia 8 na Praça dos Congressos, em Buenos Aires.

Além disso, o mais importante é que nós, que construímos a maré verde de 13 de junho, não somos pessoas soltas, indivíduos isolados. Nós não temos que esperar a sorte para nos acompanhar, na próxima quarta-feira, sem saber de antemão se podemos ser os milhões que nos propomos ser, pois somos uma maré verde nas ruas que saiu de colégios e universidades, de fábricas e empresas, de escolas e hospitais, de escritórios e oficinas, de prédios públicos e de estúdios de arte, de consultórios e comércios. Estamos organizados em sindicatos e centros estudantis, temos grêmios e representantes em conselhos de administração, comissões internas, corpos de delegados.

Exigimos que cada uma das nossas organizações convoque a paralização e interrompa suas atividades, que os dirigentes sindicais garantam o transporte necessário para que todos possam participar desta jornada. Vamos, como as trabalhadoras estatais do INDEC (Instituto Nacional de Estatística e Censos da Argentina) e do IOMA (Instituto de Obra Médico Asistencial), que exigiram que o CTA-A (Central de Trabajadores de la Argentina – Autonoma) postergasse as eleições sindicais que estavam previstas para esse mesmo dia, e estão exigindo do CTAs que convoquem a paralização das atividades. O mesmo fizeram as trabalhadoras de todos os grêmios do Hospital Durand, com seus representantes gremiais da ATE e SUTECBA ou as trabalhadoras aeronáuticas do Aeroparque e Ezeiza, com seu grêmio APA, as professoras de Buenos Aires com a SUTEBA e outros grêmios.

A rede internacional Esquerda Diário, o grupo de mulheres Pão e Rosas na Argentina, no Brasil, e em vários países da América Latina e do mundo, e o PTS na Frente de Esquerda na Argentina (partido irmão do MRT aqui no Brasil), juntamente com todas as agrupações que impulsionamos, com milhares de trabalhadoras, trabalhadores e estudantes, com nossas legisladoras e legisladores, e com todas as companheiras e companheiros que são representantes em seus grêmios, comissões internas, centros estudantis e conselhos de administração, lutamos por essa perspectiva.

Se as organizações não se empenharem ao máximo em mobilizar milhões em 8 de agosto, que seus canais não voltem a falar que estão defendendo nossos direitos, que estão na luta pela defesa do aborto legal, que não querem mais nenhuma mulher morta por abortos clandestinos.

Organizadas, nós temos força para organizar e impor a mobilização maciça de que precisamos para que, em 8 de agosto, o direito ao aborto, que é um direito de todas as mulheres, seja a lei na Argentina.

Traduzido de La Izquierda Diario.




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